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Novo Banco. Estado pôs-se numa “posição fraca”. Partidos reagem

31 jul, 2020 - 12:54 • Marta Grosso , Manuela Pires (entrevistas), Lusa

Auditoria ao Novo Banco deveria ser apresentada hoje, mas o relatório não foi entregue. Consultora Deloitte cobrou três milhões de euros para um trabalho que deveria ter sido concluído em maio e que foi depois adiado para julho.

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Os partidos, incluindo o PS, já reagiram ao adiamento da apresentação dos resultados à auditoria realizada pela consultora Deloitte ao Novo Banco. Em vez do relatório, vão ser apresentadas nesta sexta-feira apenas as conclusões parciais.

Essa apresentação será feita na reunião do comité de acompanhamento operacional da auditoria, onde o Governo não está representado.

“Lamentável”, diz Bloco de Esquerda

O Bloco de Esquerda lamenta a fraqueza com que o Governo surge perante a banca neste caso da auditoria ao Novo Banco.

“O que fica à vista de todos é a posição lamentável em que o Governo se colocou – aliás, não só o Governo como o Estado português, que surge mais uma vez numa posição fraca e diminuída face ao maior poder dos bancos, das suas auditoras, dos seus interesses”, afirma a deputada Mariana Mortágua.

“Esta auditoria já foi pedida há muito tempo, é uma auditoria essencial para percebermos o que se passou no Novo Banco” e é “uma auditoria cara”, sublinha.

O BE espera agora que as conclusões parciais que vão ser apresentadas sejam depois encaminhadas para a Assembleia da República.

PSD vê oportunidade

O PSD não vê problema no novo adiamento da entrega da auditoria ao Novo Banco, se tal servir para melhorar o relatório.

“É do interesse público que esse relatório seja tão profundo quanto possível” e “nada fique por analisar”, para que “o Governo possa daí retirar consequências”, afirma o deputado Duarte Pacheco.

O social-democrata acrescenta que o importante “nestes dias” é impedir que “sejam aproveitados pelo Novo Banco para fazer alguma operação que possa ainda prejudicar mais o interesse público”.

PCP acusa Governo de "chegar tarde"

O PCP critica o atraso na auditoria ao Novo Banco e diz que o Governo “chega tarde” na defesa de que não devem ser feitas novas vendas de carteiras de ativos.

“Havia muitos indícios, muitos alertas, também feitos pelo PCP em vários momentos de discussão sobre estes temas do Novo Banco”, sustenta o deputado Duarte Alves.

"O Governo já deveria ter tomado uma medida relativamente à gestão de ativos do Novo Banco há muito tempo", reforça.

PS aguarda com tranquilidade e vê Rio nervoso

O vice-presidente da bancada parlamentar do PS João Paulo Correia garante que os socialistas aguardam com tranquilidade a auditoria ao Novo Banco, mas considera que o presidente do PSD tem “andado particularmente nervoso”.

"O Dr. Rui Rio tem até admitido que há matéria criminal relacionada com a venda destes ativos por parte da administração do Novo Banco”, apontou, salientando que Rio "deve ser consequente com as suas palavras” e que “esse tipo de declarações” deve ser feito ao Ministério Público”.

Na passada terça-feira, o presidente do PSD defendeu uma investigação judicial e admitiu como "provável" a necessidade de um inquérito parlamentar ao Novo Banco, numa reação a uma notícia do jornal “Público”, que dava conta de que um fundo das ilhas Caimão comprou casas do Novo Banco abaixo do valor previsto com o crédito desta instituição financeira (com as perdas cobertas pelo Fundo de Resolução).

João Paulo Correia defende, por seu lado, que o resultado final do trabalho da consultora Deloitte estará pronto "dentro de dias" e que, perante as conclusões sobre as "decisões tomadas e os responsáveis" por elas, "aí os partidos e, neste caso concreto o PS, tomarão a sua posição".

O Governo anunciou, na quinta-feira à noite, através do Ministério das Finanças, que a auditoria ao Novo Banco não vai estar concluída até esta sexta-feira e considerou que, até à sua conclusão, não deverão ser realizadas outras operações de venda de carteiras de ativos por parte da instituição bancária.

A auditoria deveria ter sido concluída em maio, mas acabou por ser adiada para o final de julho por causa da pandemia de Covid-19. Mas, afinal, ainda não foi desta.

O Novo Banco, que ficou com parte da atividade bancária do BES na sequência da resolução de 2014, foi vendido em 2017 ao fundo norte-americano Lone Star, que detém 75% do seu capital, sendo os restantes 25% propriedade do Fundo de Resolução bancário, entidade gerida pelo Banco de Portugal.

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