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Moçambique

​Violência em Cabo Delgado: “Por favor não se esqueçam de nós”

22 jul, 2020 - 17:54 • Ângela Roque

Apelo de sacerdote moçambicano foi enviado à Fundação AIS, que tem a decorrer uma campanha para ajuda de emergência à população e à Igreja local.

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Os ataques terroristas em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, estão a causar uma grave crise humanitária na região. O mais recente testemunho chega pela voz do diretor adjunto da Rádio Encontro, da Arquidiocese de Nampula.

Numa mensagem enviada à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), o padre Cantífula de Castro diz que “o povo vive momentos insuportáveis”, e que “só a paróquia de Anchilo já acolheu cerca de 350 pessoas em fuga da violência terrorista”.

De acordo com o sacerdote, já estão na arquidiocese “cerca de cinco mil deslocados”, espalhados pelos distritos de Meconta, Nampula e Rapale.

“São na sua maioria mulheres jovens e crianças que carecem de ajuda humanitária”, diz o sacerdote, referindo que falta “espaço para acomodação, géneros alimentícios, vestuário e até material para a prevenção da Covid-19”.

O padre Cantífula garante que, apesar da situação complexa e da falta de recursos, “a Igreja não abandona estas pessoas” e “está perto delas com ajuda material e conforto espiritual”.

Lança um apelo aos portugueses e a toda a comunidade internacional: “por favor, não se esqueçam de nós. Se puderem, ajudem estas pessoas que perderam tudo e tiveram que fugir das suas casas”.

O apelo consta de uma mensagem vídeo enviada à Fundação AIS, que lançou uma campanha para garantir apoio de emergência aos cristãos de Cabo Delgado, em resposta ao pedido de ajuda feito bispo de Pemba, onde haverá neste momento 200 mil desalojados. “Queridos irmãos da AIS em Portugal: peço-vos orações e ajuda para o meu povo. Obrigado a cada um de vós”, escreveu D. Luiz Fernando Lisboa.

Desde outubro de 2017 que a província de Cabo Delgado tem sido palco de ataques por grupos armados que assumem, desde há alguns meses, estarem ligados ao Daesh, o autoproclamado Estado Islâmico. Os ataques aumentaram de intensidade nos últimos meses, especialmente desde o início deste ano, e já fizeram mais de mil mortos em várias aldeias onde as casas foram queimadas.

Na carta enviada à AIS, o bispo de Pemba diz que é muito importante canalizar o máximo de ajuda possível para os sacerdotes e as religiosas que continuam no terreno, a apoiar a população. “São padres que não têm nenhum tipo de rendimento e estão em dedicação total ao seu povo e ao trabalho pastoral”, explica o prelado.

A campanha da AIS pode ser consultada no site da instituição.

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