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​Morreu o realizador Luís Filipe Costa, voz da rádio que difundiu o 25 de Abril

21 jul, 2020 - 13:50 • Lusa

O jornalista, radialista e realizador tinha 84 anos. Com carreira profissional iniciada como radialista e ator na Emissora Nacional, entrou depois para o Rádio Clube Português, onde veio a ler os comunicados do Movimento das Forças Armadas, responsável pela revolução do 25 de Abril.

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O jornalista, radialista e realizador Luís Filipe Costa, voz da revolução do 25 de Abril na rádio e autor de mais de 30 telefilmes de ficção, morreu esta terça-feira aos 84 anos, confirmou à agencia Lusa fonte próxima da família.

Com carreira profissional iniciada como radialista e ator na Emissora Nacional, entrou depois para o Rádio Clube Português, onde veio a ler os comunicados do Movimento das Forças Armadas, responsável pela revolução do 25 de Abril.

Da rádio passaria para a RTP, onde trabalhou como argumentista e realizador, com um currículo de mais de 30 telefilmes e séries, como “A Borboleta na Gaiola”, “Morte D´Homem”, “Arroz Doce”, e “Esquadra de Polícia”.

Nascido a 18 de março de 1936, em Lisboa, Luís Filipe Costa foi também ator e encenador, e assinou os romances “A Borboleta na Gaiola" e “Agora e na Hora da sua Morte”.

No ano passado, Luís Filipe Costa foi um dos convidados de uma emissão especial da Renascença sobre a Revolução de Abril, transmitida em direto a partir do Palácio de São Bento.

Uma voz da liberdade

A ministra da Cultura lamentou a morte de Luís Filipe Costa. Em comunicado, Graça Fonseca considera que, “para os portugueses, a sua voz inconfundível e carismática, será sempre sinónimo de liberdade e a sua carreira sinónimo de rigor e de cultura”.

Graça Fonseca recorda que, embora formado em Economia, foi na rádio que a carreira de Luís Filipe Costa teve início, “liderando uma geração de jornalistas que revolucionou o meio radiofónico em Portugal, a partir do Rádio Clube Português, do qual foi chefe de redação entre 1961 e 1975”.

Num corte radical e profundo com o que era o jornalismo radiofónico em Portugal até então, o trabalho de Luís Filipe Costa e dos seus colegas é um marco histórico do jornalismo, que criou um modo de informar que educou gerações e gerações de radialistas”, salienta.

A ministra defende que “as palavras ditas pela voz de Luís Filipe Costa valerão sempre mais que mil imagens, porque foi através delas que muitos descobriram o dia que mudou para sempre a história de Portugal, quando, ao microfone do Rádio Clube Português, leu os comunicados do Movimento das Forças Armadas”.

Da rádio, Luís Filipe Costa passaria para a RTP, onde trabalhou como argumentista e realizador, com um currículo de mais de 30 telefilmes e séries, como “A Borboleta na Gaiola”, “Morte D´Homem”, “Arroz Doce”, e “Esquadra de Polícia”.

A ministra da Cultura lembra a “longa carreira” de Luís Filipe Costa como realizador de televisão, “com uma produção diversa, eclética e variada, dirigindo tanto ficção como documentários, designadamente ‘Há só uma Terra’, série pioneira e que introduziu a temática da ecologia e sustentabilidade na programação da televisão portuguesa há mais de 40 anos”.

Marcelo destaca "estilo inovador" de Luís Filipe Costa

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, também lamenta a morte do jornalista e realizador Luís Filipe Costa, considerando que será sobretudo lembrado pelo seu "estilo inovador" no Rádio Clube Português.

Numa nota divulgada no portal da Presidência da República na Internet, o chefe de Estado descreve Luís Filipe Costa como um "profissional exigente e cidadão empenhado" e apresenta "sinceras condolências" à sua família.

"Luís Filipe Costa, realizador, argumentista e escritor, será lembrado, antes de mais, como jornalista de rádio, nomeadamente pelo estilo inovador que emprestou ao Rádio Clube Português, emissora de que foi uma voz destacada na década de 1960 e através da qual, em 1974, leu ao país os comunicados do Movimento das Forças Armadas", refere Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República acrescenta que Luís Filipe Costa passou depois pela RTP, "onde dirigiu séries, telefilmes e documentários", e salienta que, "além de diversos prémios e reconhecimentos, recebeu, em 2011, as insígnias de comendador da Ordem da Liberdade".

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