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Banco de Portugal

Centeno toma posse com recados sobre independência e “ao serviço de Portugal”

20 jul, 2020 - 11:55 • Marta Grosso

Mário Centeno é o novo governador do Banco de Portugal, um cargo que pretende exercer “de portas abertas” e com “resiliência na ação”.

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“Assumo perante vós, com honra e entusiasmo, um compromisso de serviço público”. Assim começou Mário Centeno o seu discurso no salão nobre do Ministério das Finanças, onde tomou posse como governador do Banco de Portugal, nesta segunda-feira de manhã.

Substituindo no cargo Carlos Costa, o ex-ministro das Finanças realçou o seu percurso académico – nomeadamente, a passagem pela Universidade de Harvard – e deixou mensagens sobre a independência da instituição, em resposta às dúvidas levantadas pela sua nomeação logo a seguir a ter deixado o Governo.

“A independência do Banco de Portugal não se questiona ou se impõe, não cabe ao Banco de Portugal ter estados de alma e muito menos ao seu governador. Mas também não cabe ao Banco de Portugal estar fechado sobre si próprio. Isso não assegura a independência, apenas a irrelevância”, afirmou Centeno.

“Acredito que a prestação de contas e a transparência são essenciais ao funcionamento das instituições, mas levo para este novo ciclo a resiliência na ação, acompanhada pelo diálogo”, afirmou ainda.

Centeno diz assumir “mesmo com enorme honra” o cargo ali, naquele salão nobre “testemunho vivo da importância que, para a República Portuguesa, tem a cooperação e a independência das suas instituições”.

“Pela história deste salão passam o Ministério das Finanças, o Tribunal de Contas, o Banco de Portugal, os restantes supervisores financeiros e tantas instituições que têm o dever de assegurar o prestígio institucional da República Portuguesa. O papel de cada uma delas não se desenvolve nas estritas competências que lhe são cometidas de forma hermética, mas numa cooperação institucional sã que preservando a identidade de cada uma, faça do todo mais do que a soma das partes”, defendeu.

Mário Centeno promete, por isso, um mandato de “portas abertas” – porque “foi isso que aprendi em Harvard”. E porque “não acredita em estratégias de dividir para reinar”.

“Aprendi, em todas as fases da minha vida, que uma boa preparação é a mãe de todas as conquistas; que devemos ao nosso trabalho e aos nossos colaboradores o que fazemos melhor”, sustentou ainda.

“Assim será comigo como governador. É assim que sou hoje, com muita honra, o novo governador do Banco de Portugal e ao serviço de Portugal”, concluiu.

Quatro desafios para uma “instituição de referência”

É assim que pretende responder aos quatro desafios que vê pela frente para a instituição que agora comanda:

  • “assegurar uma supervisão eficiente e exigente, proactiva
  • participar e influenciar a política monetária europeia
  • definir uma política macro que assegure a estabilidade do sistema financeiro
  • credibilizar as estratégias e os mecanismos e o processo de estabilização bancária”.

Lembrando que o Banco de Portugal “é fulcral” tanto “quando consegue cumprir os objetivos – o que nem sempre é percebido pela sociedade civil” – como “quando falha”, o novo governador classifica a instituição como “de referência”.

“É com orgulho, responsabilidade e sentido de compromisso que hoje aqui estou, no magnífico salão nobre, íntegro e de forma assumida, a iniciar um novo ciclo numa instituição centenária que todos respeitamos”, afirmou.

“A minha relação com o Banco de Portugal vem desde o já longínquo ano de 1993, pela mão de quem é uma referência para todos os que estudam economia e finanças, o professor António Sampaio Melo”, lembrou o ex-ministro das Finanças.

"Doutorei-me pela Universidade de Harvard, assumindo o compromisso de voltar e voltei ao Banco de Portugal em 2000. Neste trajeto, foi muito o que aprendi acerca da sua dimensão, da sua capacidade ímpar de formar, de dar a Portugal muitos dos seus mais altos-quadros, a sua importância na supervisão, no apoio indispensável à regulação do sistema bancário, mas também na análise económica e no desenvolvimento das ciências económicas no nosso país”, destacou ainda Mário Centeno.

Leia aqui o discurso de Mário Centeno, na íntegra.

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  • Romao
    20 jul, 2020 Paris 16:05
    "..ao serviço de Portugal” para isso devia ter ficado como Ministro das Finanças! Numa altura em que o País mais precisava dele o sr. demite-se e passa a "batata quente" para outro. o Ronaldo (o verdadeiro) nunca abandonaria a selecção nacional. Mais, mencionar Harvard é pretencioso a todos os niveis muito principalmente num país que paga miseria de reformas a pessoas que trabalharam toda a vida. E disso o sr. é responsavel. Não me venha com historias dos governos anteriores porque por essa ordem o D.Afonso Henriques nunca devia ter nascido e o problema estaria resolvido
  • Americo Anastacio
    20 jul, 2020 Leiria 13:04
    Mais uma data triste, no calendário da nossa Democracia.