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Covid-19 em Lisboa: O que distingue as 19 freguesias em estado de calamidade?

17 jul, 2020 - 15:18 • Ricardo Vieira

Instituto Nacional de Estatística olhou para os indicadores das freguesias em estado de calamidade e encontrou várias diferenças em relação à restante Área Metropolitana de Lisboa, que podem ajudar a explicar o maior número de casos.

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Maior densidade populacional, mais utilização de transportes públicos e mercado da habitação menos valorizado são alguns dos pontos em comum entre as 19 freguesias da Área Metropolitana de Lisboa (AML) que ainda estão em estado de calamidade por causa da Covid-19, apurou o Instituto Nacional de Estatística (INE).

O INE revelou esta sexta-feira indicadores que ajudem a perceber o que distingue do resto da AML aquelas freguesias em estado de calamidade, situadas nos concelhos da Amadora, Sintra, Odivelas, Loures e Lisboa.

Aquelas freguesias são a casa de mais de 740 mil pessoas, representando 25,9% dos cerca de 2,9 milhões residentes na AML, segundo dados de 2019.

O território em estado de calamidade, adianta o INE, “apresenta maior densidade de ocupação”. Com 5.232,1 habitantes por km2, a densidade populacional é “sete vezes superior à do restante território da AML”.

A proporção de edifícios com sete ou mais alojamentos é também mais elevada, numa percentagem de 30,6% contra 13,9% nas outras freguesias da área metropolitana.

Outra conclusão do INE, os residentes no território em estado de calamidade utilizam mais o transporte público para fora do município, 14%, mais do dobro em relação ao restante território da AML (6,7%).

Outra questão pode estar relacionada com a habitação. Nas 19 freguesias com mais casos de Covid-19 o “valor dos preços e das rendas dos alojamentos familiares é menor”: 1 330 €/m2 e 7,5 €/m2, respetivamente, do que no restante território da AML, que é de (1 540 €/m2 e 8,4 €/m2.

As 19 freguesias em causa são:

Concelho da Amadora: Alfragide, Águas Livres, Falagueira/Venda Nova, Encosta do Sol, Venteira e Mina de Água.

Concelho de Odivelas: Odivelas, Pontinha/Famões, Póvoa de Santo Adrião/Olival de Basto e Ramada/Caneças.

Concelho de Sintra: Agualva/Mira Sintra, Algueirão/Mem Martins, Cacém/S. Marcos, Massamá/Monte Abraão, Queluz/Belas e Rio de Mouro.

Concelho de Loures: União das freguesias de Camarate/Unhos/Apelação e União de freguesias de Sacavém/Prior Velho.

Concelho de Lisboa: freguesia de Santa Clara.

O Instituto Nacional de Estatística olhou também para o contexto demográfico no contexto da evolução recente da pandemia no conjunto do território nacional.

O número preliminar de óbitos entre 1 de março e 5 de julho de 2020 foi superior em 3.103 relativamente a igual período de 2019, indica o INE.

A variação resultou, sobretudo, do “acréscimo significativo dos óbitos de pessoas com 75 e mais anos (+ 2 718)”.

A 13 de julho, data da última atualização dos dados por município pela DGS, existiam em Portugal 45,7 casos de Covid-19 por 10 mil habitantes e 4,7 novos casos (últimos 14 dias) por 10 mil habitantes.

De acordo com o INE, a leitura da relação entre o número de casos confirmados e o número de novos casos (últimos 14 dias) por 10 mil habitantes evidenciava dez municípios da Área Metropolitana de Lisboa com valores acima da média nacional em ambos os indicadores e que concentravam 54% do total de novos casos do país e 85% do total de novos casos da área metropolitana.

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