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Hospital de Santo António assinala 250 anos da primeira pedra

15 jul, 2020 - 18:53 • André Rodrigues

O hospital que Napoleão adiou "está preparado" para uma eventual segunda vaga de Covid-19, diz o presidente da Administração.

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O presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Porto (CHP), ao qual pertence o Hospital de Santo António, admite que "o próximo outono/inverno vai ser um período complexo", dada a junção da tradicional época da gripe à pandemia da Covid-19.

Em declarações à Renascença, Paulo Barbosa diz que "devemos ser realistas", porque, caso ocorra um segundo surto mais severo do que aquele que eclodiu em março, "a capacidade de resposta a doentes com suspeitas de Covid, ou mesmo infetados com a doença, terá de aumentar, reduzindo a capacidade residual de resposta para doentes com outro tipo de patologia".

Paulo Barbosa, contudo, assegura: "O hospital está preparado para esse cenário, até em função do que se conseguiu aprender com este primeiro surto."

A pandemia introduziu uma nova organização de trabalho, quase exclusivamente dedicada ao combate à doença. Excluídas as situações de emergência, como enfartes do miocárdio, AVC e doenças oncológicas, todas as consultas e cirurgias previstas foram adiadas.

"Vai levar algum tempo até que a situação esteja totalmente regularizada", reconhece o presidente do Conselho de Administração do CHP.

"Há maior atraso nas primeiras consultas, porque as referenciações com origem nos cuidados de saúde primários estão a crescer. No caso das cirurgias, tal como nas primeiras consultas, precisamos até ao final do primeiro trimestre de 2021 para termos as listas de espera resolvidas ao nível do que tínhamos antes da crise sanitária, ou seja, fevereiro de 2020".

Santo António. O hospital que Napoleão adiou

A primeira pedra do Hospital de Santo António foi lançada precisamente a 15 de julho de 1770 mas, na verdade, o projeto só ficou concluído quase 30 anos depois, fruto do período turbulento das invasões francesas, sobretudo a segunda, dirigida pelo general Soult, e que teria o seu ponto culminante em território nacional no ano de 1809, com a conquista da cidade do Porto pelo exército napoleónico.

Mais à frente na História, e já após a inauguração da unidade, que aconteceu só em 1824, o país travou a guerra civil entre absolutistas e liberais e, depois, ainda, enfrentou a peste bubónica e a gripe espanhola de 1918.

"Foram os desafios que a História nos impôs e para os quais sempre foi encontrada a resposta que garantisse o cumprimento da missão primordial deste Hospital", lembra Paulo Barbosa.

Por outro lado, a constituição do corpo clínico do Hospital de São João, inaugurado no dia feriado da cidade em 1959 pelo, então, chefe do Estado Américo Thomaz, "conduziu a uma sangria de quadros do Santo António, a que se seguiu, posteriormente, a perda da Faculdade de Medicina" para o pólo hospitalar da Asprela.

No entanto, o presidente do Conselho de Administração do HSA rejeita a perceção publicamente instalada de que a unidade tem menos influência ou é menos importante do que o São João.

"Não alinho muito naquela ideia de que há um hospital do norte da cidade e outro do centro da cidade. Agora, reconheço que o São João é um hospital icónico, tal como é o Santa Maria, em Lisboa".

Paulo Barbosa admite que "a perceção de que o São João é mais importante do que o Santo António resulta um bocado dessa circunstância, até porque as duas unidades têm um excelente relacionamento de complementaridade, cada qual com as suas especialidades diferenciadas, mas o que se tem notado ao longo dos anos é um excelente espírito de cooperação, de que este período de pandemia é, também, um ótimo exemplo".

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