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​Autarca de Reguengos de Monsaraz surpreendido com pedido de autarcas espanhóis. "Não faz sentido encerrar fronteiras na região”

10 jul, 2020 - 18:30 • Rosário Silva

Pedido dos alcaides surpreendeu José Calixto, que mantém “boas relações” com o alcaide de Villanueva, município, por sinal, geminado com Reguengos de Monsaraz

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O presidente da Câmara de Reguengos de Monsaraz, José Calixto, considera que “não faz sentido” o encerramento das fronteiras na região, com a finalidade de suster a propagação da covid-19, de acordo com o pedido feito por dois autarcas da província espanhola de Badajoz.

“Este pedido, que não sei bem se é de cerco sanitário, mas se é deles, se é nosso, ou se a fronteira é para fechar apenas de um lado, tendo em conta que há cerca de duzentos trabalhadores zona de Villanueva del Fresno que trabalham em Portugal e o vírus não tem idioma, esse pedido não faz sentido, pois não há nenhum descontrolo comunitário da epidemia”, declara o autarca à Renascença.

Os alcaides de Villanueva del Fresno e Valencia de Mombuey solicitaram à Delegação do Governo espanhol da Estremadura o encerramento das fronteiras situadas nas suas áreas municipais “até que seja estabelecido um protocolo transfronteiriço para o controlo da covid-19”.

Ramón Díaz Farías (Villanueva) e Manuel Naharro Gata (Valência) pedem, também, a elaboração um "protocolo sobre saúde pública transfronteiriça, bem como a adoção de quaisquer medidas necessárias para o controlo e isolamento da Covid-19".

Uma solicitação que apanhou de surpresa o autarca que mantém “boas relações” com o alcaide de Villanueva, por sinal, geminada com Reguengos de Monsaraz.

“Não tendo sido contatado, claro que fiquei surpreendido, pois quando há questões institucionais relevantes, gostamos que as instituições que representamos sejam as primeiras a ser informadas”, nota, José Calixto.

O presidente da autarquia alentejana, lembra, ainda, que “as pessoas que estão positivas, estão confinadas em casa”, controladas pelas autoridades e, certamente, a autoridade de saúde pública portuguesa daria todas as informações que fossem pedidas ou pela Junta da Estremadura ou pelo Governo espanhol, para haver uma decisão ao nível dos estados.”

Lembrando que a região da estremadura passou por “momentos bem mais difíceis, no inicio da pandemia”, José Calixto pede aos espanhóis que se “mantenham tranquilos”, tal como “nos mantivemos deste lado”, quando a situação no país vizinho era grave.

À Renascença, o presidente do município garante que continuará a falar com alcaide Ramón Farías, pela maior proximidade e, esperando, que “ele fale comigo, até para perceber melhor os seus motivos”, sublinhando, contudo que este é um assunto que não está no topo das suas prioridades, uma vez que tem “outros mais importantes para tratar.”

O concelho de Reguengos de Monsaraz, localizado a cerca de 35 quilómetros de Villanueva del Fresno (Espanha), através da fronteira de S. Leonardo, regista o maior surto no Alentejo de covid-19. Segundo os dados hoje avançados, há 131 casos ativos, 16 mortos e 14 pessoas curadas, entre funcionários do lar onde começou o suto e a comunidade.

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  • Rui
    10 jul, 2020 Talvez em Portugal 21:52
    Existe toda uma cultura "raiana" (bastante especifica de região para região, nomeadamente o extinto Reino de Leão), sem se referir co Couto-Mixto que se tem desenvolvido embora "marginal" entre fronteiras. Na língua essas ligações são bem evidentes, assim como nos preceitos, na forma de estar. Apesar da COVID, a reportagem descobre que afinal a separação é apenas politica, e não cultural. Os povos do sul sempre evidenciaram outra atitude relativamente aos do norte. São "alentejanos" por nós considerados "desajeitados", mas não enjeitados. Excelente trabalho, muito fica por melhor conhecer.