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Paulo Rangel e Francisco Assis debatem a política nacional e europeia. Quarta às 13h.
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Assis promete intervir "com toda a liberdade" agora na liderança do Conselho Económico e Social

08 jul, 2020 • José Pedro Frazão


O antigo eurodeputado recusa a tese de que o convite para o cargo serve para calar um crítico da direcção do Partido Socialista. No primeiro debate depois de aceitar o desafio que o surpreendeu, Assis promete fomentar o diálogo e a produção de propostas.

Francisco Assis rejeita que o cargo que poderá ocupar na liderança do Conselho Económico e Social seja uma forma de travar a sua intervenção crítica em relação às opções tomadas pela direcção de António Costa no Partido Socialista.

Na primeira intervenção após a notícia de que foi proposto para o lugar até aqui ocupado por Correia de Campos, Assis reclama nunca ter deixado de dar a sua opinião crítica em relação ao PS nas suas anteriores funções políticas, sempre que se justificavam essas intervenções.

" Sempre agi com liberdade no desempenho das minhas funções políticas. Continuarei a agir com toda a liberdade, naturalmente tendo em consideração a natureza específica destas funções, tendo que ter o cuidado de falar com todos os sectores da sociedade da sociedade portuguesa. Nunca deixei de ser livre, mesmo quando desempenhava funções de líder parlamentar ou de outra natureza no meu partido. Nunca deixei de dizer aquilo que pensava e que muitas vezes não era totalmente de acordo com as opiniões da própria direcção do partido", afirma Francisco Assis no espaço semanal de comentário na Renascença, no programa "Casa Comum" em debate com Paulo Rangel.

Apesar de surpreendido - " não estava à espera de ser convidado para nada neste momento " - Assis reconhece que o desafio de Costa para liderar o Conselho Económico e Social (CES) não é alheio à preocupação de encontrar alguém que possa gerar alguns consensos, tendo em conta que para a eleição é necessário o contributo dos deputados dos dois maiores partidos, PS e PSD.

À frente do CES, Assis promete continuar uma linha de discussão dos problemas mas também de propostas num contexto de grande dificuldade económica e social.

" Vamos ter necessidade de promover permanentemente um diálogo de todos os sectores da sociedade portuguesa. Um dos papeis do CES é precisamente o de promover essa discussão e esse diálogo. Há também uma componente de estudos e reflexão e de produção de propostas que me parece muito importante na fase que vamos atravessar. Também vai haver necessidade de introduzir algumas especificações em alguns aspectos da nossa vida nacional. É importante que todos estes sectores possam contribuir através da discussão para a apresentação de propostas. Depois caberá aqueles que têm de facto capacidade de tomar e aplicar decisões de as tomar ou não em consideração", declara Francisco Assis na Renascença.

Rangel aplaude escolha

A escolha de Francisco Assis é apoiada pelo social-democrata Paulo Rangel que sublinha a coragem e liberdade que Assis protagoniza, a par da capacidade de ser razoável.

"Tem o perfil certo para uma crise com efeitos sociais mais graves do que podemos antecipar. O CES vai ser uma instância de arbitragem fundamental, como foi no tempo da troika, onde teve um papel muito forte", defende Rangel, num elogio ao sentido de responsabilidade e de liberdade de Francisco Assis.

No programa desta semana, Assis e Rangel debateram a proposta de alteração da frequência dos debates parlamentares com o Primeiro-Ministro, o acordo para a intervenção do Estado na TAP, a lista de restrições de mobilidade definida pelo Governo britânico e as novas previsões económicas apresentadas pela Comissão Europeia.

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