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​Pandemia agrava fosso entre ricos e pobres. Vaticano quer menos armas e mais pão, saúde e trabalho

07 jul, 2020 - 14:30 • Aura Miguel

"Task-force” criada pelo Papa, no inicio da pandemia, para enfrentar os efeitos do coronavírus, apresentou esta terça-feira, em conferência de imprensa, as suas primeiras propostas para “preparar o futuro e construir a paz em tempo de Covid-19”.

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A “task-force” criada pelo Papa Francisco, no inicio da pandemia, para enfrentar os efeitos do coronavírus, apresentou esta terça.feira, em conferência de imprensa, as suas primeiras propostas para “preparar o futuro e construir a paz em tempo de Covid-19”.

O prefeito do Dicastério para o Desenvolvimento iItegral e presidente da Comissão vaticana para o Covid-19, cardeal Peter Turkson, alertou para “os montantes sem precedente destinados a despesas militares, incluindo as de modernização de armas nucleares”, enquanto “doentes, pobres, marginalizados e vítimas de conflitos são desproporcionalmente afetados pela crise atual”.

Consequência disto são também as crises sanitária, sócio-económica e ecológica que aumentam o fosso “não só entre ricos e pobres, mas também entre mas também entre aos zonas de paz, prosperidade e justiça ambiental e as zonas de conflito, privação e devastação ecológica”. Por isso, o cardeal Turckon conclui que “não pode haver cura sem paz. A redução de conflitos é a única possibilidade de reduzir injustiças e desigualdades”.

Na sequência do que tem dito o Papa Francisco, o Vaticano volta a elogiar a resolução da ONU a favor de um cessar-fogo global e imediato, mas o cardeal sublinha que “uma coisa é invocar ou aprovar uma declaração de cessar-fogo, outra é pô-la em prática. Para fazer isso, devemos congelar a produção e o comércio de armas”. Turckson adianta ainda que “sem controle de armas, é impossível garantir a segurança. Sem segurança, as respostas para a pandemia não estão completas.”

A Irmã Alessandra Smerilli, coordenadora da “Task-force Economia” da comissão vaticana, também deixou uma provocação: “E se, em vez da corrida aos armamentos, corressemos por comida, saúde e segurança no trabalho? O que é que os cidadãos estão a pedir agora? Será que precisam de um estado militarmente forte ou de um estado que invista em bens comuns?”

Esta religiosa, que é também professora de economia em Roma, pede “líderes corajosos que demonstrem acreditar no bem comum, comprometidos em garantir o que é mais necessário hoje” porque “precisamos de um acordo coletivo para direcionar recursos para a segurança e o bem-estar da saúde”.

Nesta conferência de imprensa, participou também Alessio Pecorario que, preocupado com a segurança alimentar, criminalidade e aumento dos nacionalismos, alertou para as escolhas que é preciso fazer. “Fornecimentos médicos, segurança alimentar e recuperação económica focados na justiça social e na economia verde requerem recursos que podem ser subtraídos ao setor militar no contexto de um renovado controle de armas."

“Os resultados obtidos no controle de armas e as estruturas dos tratados permitiram obter um dividendo de paz na última geração; portanto, pode haver um renascimento nessa área”, acrescentou Pecorario.

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