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“Olé” no Parlamento. Projetos para acabar com apoios a touradas devem chumbar

07 jul, 2020 - 19:56 • Paula Caeiro Varela

Debate divide coligações e partidos, mas os cinco projetos debatidos esta terça-feira no Parlamento têm uma previsível rejeição na votação de quinta-feira.

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Cinco projetos, 5, com desfecho previsível, tendo em conta o debate desta tarde: uma iniciativa de Cidadãos e projetos dos Verdes, PAN, Bloco de Esquerda e da deputada não-inscrita (ex-PAN) Cristina Rodrigues, que visam acabar com qualquer financiamento por parte de entidades públicas a atividades tauromáquicas. A votação, que decorre na quinta-feira, resultará na rejeição das propostas.

O tema é sensível e divide até coligações parlamentares, como a CDU, com os Verdes a admitirem na sua intervenção que a questão não é unânime e o PCP, pela voz da deputada Ama Rivera a dizer que as tradições culturais, como a tauromaquia, “não se extinguem por decreto” e a rejeitar “qualquer tipo de proibicionismo”.

O PS, que também tem divisões internas sobre este assunto, fez de Maria da Luz Rosinha, antiga presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, cidade com forte tradição tauromáquica, a sua porta-voz, para ilustrar o sentido em que votará. A socialista até usou argumentos de Os Verdes, sublinhando que "o extremar de posições nesta matéria pode levar uns a vencer sobre os outros, mas nunca levará ao convencimento dos vencidos".

O deputado único André Ventura (Chega) defendeu que “a tauromaquia é cultura” e apontou para os “milhares de postos de trabalho” que dependem deste setor.

No mesmo sentido, o deputado do CDS Telmo Correia sublinhou que a tauromaquia “está profundamente enraizada no mundo rural” e considerou que os argumentos para acabar com as touradas são populistas, demagógicos e até inconstitucionais.

PS e PSD sublinharam que não há apoios europeus às touradas e que muitos dos apoios são determinados pelas autarquias, que têm autonomia própria, destinando-se a festas populares que não se cingem apenas às corridas de toiros. A intervenção da social-democrata Fernanda Velez citou vários dados de sondagens e inquéritos feitos nos últimos anos para desmontar o argumento dos proponentes de que a maioria dos portugueses é contra atividade tauromáquica e terminou, de forma insólita, com um "olé" que arrancou sorrisos a uns e sobrolhos levantados a outros entre os deputados presentes.

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