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Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​Concentração demográfica

06 jul, 2020 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


No litoral português e na última década quase só se assinalam subidas de população na Grande Lisboa e arredores. O chamado “interior” fixa cada vez menos gente e, pior, a desertificação chega a uma grande parte do litoral, de Norte a Sul.

A população residente em Portugal baixa desde há 10 anos. Em 2009 havia 10 583 mil pessoas a viver no nosso país; hoje são 10 145 mil, apesar de o número de estrangeiros a residir em Portugal ter ultrapassado em 2019 o meio milhão, o número mais alto de sempre.

É uma população cada vez mais envelhecida. Em 1961 o número de idosos por cada 100 jovens era de 28%; no ano passado ultrapassou os 161%. Em quase metade dos concelhos um quarto da população é idosa.

Entre 2011 e 2019 a população diminuiu em 86% dos concelhos do território nacional, continente e ilhas. O jornal “Negócios” publicou mapas do conjunto do país e de cada concelho. A surpresa, pelo menos para mim, é que o desequilíbrio demográfico já não se verifica entre uma faixa litoral populosa e um interior cada vez mais deserto.

No litoral quase só se assinalam subidas de população em Lisboa e Vale do Tejo e arredores. Naquela década a cidade de Lisboa perdeu residentes, mas estes aumentaram nos concelhos de Arruda dos Vinhos, Alcochete, Mafra, Odivelas e Benavente. Curiosamente, a população diminuiu em Almada, Barreiro e na Moita.

A cidade do Porto também perdeu residentes; mas, ao contrário da Grande Lisboa, a área Metropolitana do Porto tem agora quase menos 2% de pessoas residentes do que tinha em 2011.

Das 18 capitais de distrito de Portugal continental apenas os concelhos de Aveiro e Braga registaram um aumento (pequeno) da população. Já cidades como Viana do Castelo, Viseu, Évora ou Setúbal perderam residentes. No litoral algarvio apenas em dois concelhos aumentou a população – Portimão (0,4%) e Albufeira (3%).

Em suma, a envelhecida população de Portugal já não se divide entre litoral com muita gente e interior em desertificação, mas concentra-se na Grande Lisboa e dispersa-se pelo resto, de Norte a Sul, no interior e no litoral.

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