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Músico Zeca Baleiro teme que o Brasil possa tornar-se o país com mais vítimas de Covid-19 no mundo

30 jun, 2020 - 18:59 • Maria João Costa

A lançar a 10 de julho o disco “Canções d’Além Mar” que reúne 11 músicas de cantores portugueses, o músico brasileiro fala da situação “trágica” vivida no Brasil devido à pandemia. O músico brasileiro denuncia a atitude de negação do governo Bolsonaro.

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“Momento caótico”, é desta forma que Zeca Baleiro descreve a atual situação no Brasil. O músico brasileiro que lança a 10 de julho o disco “Canções d´Além Mar” afirma que “além da pandemia”, o seu país está a “viver um cenário político muito conturbado”. É neste contexto que sai o novo trabalho discográfico do músico que já tocou com Jorge Palma no Rock in Rio Lisboa e que reúne um conjunto de músicas de autores portugueses.

Em entrevista à Renascença, Zeca Baleiro refere que o presidente Jair Bolsonaro está numa “atitude negacionista, negando a ciência e negando a própria importância da doença”. Daí que o músico que já atuou ao lado de músicos portugueses como Sérgio Godinho, afirme que a situação de pandemia no Brasil “é bastante trágica e vai tornar-se ainda mais trágica”.

“O Brasil é muito grande, e muito desigual. Enquanto há um certo controle nas principais capitais; no interior profundo como no Nordeste, na Amazónia, Maranhão e Pernambuco, o vírus está só ainda chegando”, conta Zeca Baleiro. O músico teme mesmo que “infelizmente”, o Brasil possa “bater o recorde” e tornar-se “no país com mais vítimas” do mundo de Covid-19.

Zeca Baleiro que fala numa “situação muito delicada” vivida no Brasil, atribui as culpas da dimensão da tragédia, à densidade populacional, “à ignorância das pessoas mais simples” e ao “governo que não age e que está a fazer política no meio de uma situação catastrófica de pandemia”.

“A desigualdade social quase nos ofende” afirma Zeca Baleiro sobre o seu país, onde diz “há quem tenha aviões e há quem nem tenha teto para morar”. Nas previsões do músico, esta realidade vai ser agravada pela pandemia. “O índice de pobreza no Brasil vai aumentar naturalmente, com muita gente desempregada” aponta Zeca Baleiro.

A viver em São Paulo, onde o número de mortos e infetados é elevado, o músico Zeca Baleiro conta que tem estado confinado a casa e que foi “apenas duas vezes ao estúdio” que fica próximo de sua casa. Com o engenheiro de gravação, mantendo as distâncias de segurança, trabalharam no disco que agora está a lançar e cujas gravações já tinham acontecido antes da pandemia ser decretada.

Numa altura em que os concertos estão parados, Zeca Baleiro diz estar em casa, onde tem também um pequeno estúdio e está a trabalhar “em duas trilhas para cinema”.

Novo disco de Zeca Baleiro é uma carta de amor à música portuguesa

Zeca Baleiro_capa_Canções d'Além MaA capa do disco é azul e branca e mostra os típicos azulejos portugueses. Lá dentro está um conjunto de músicas de cantores portugueses com uma nova leitura de Zeca Baleiro. No disco que sai a 17 de julho, intitulado “Canções d’Além Mar”, o músico brasileiro canta músicas de Pedro Abrunhosa, António Variações, Sérgio Godinho, Fausto, Rui Veloso, entre outros.

A história da relação de Zeca Baleiro com a música portuguesa vem de longe. Em 1999 no âmbito do projeto luso-brasileiro “Navegar é Preciso”, o músico dividiu o palco com Pedro Abrunhosa. Depois em 2000, Sérgio Godinho convidou Baleiro para atuar consigo na Festa do Avante. Daí nasceu a colaboração no disco “Irmão do Meio” de 2003, com o mítico “Coro das Velhas”. Pelo meio, Zeca Baleiro trabalhou também com Pedro Jóia, Teresa Salgueiro, Clã e Susana Travassos.

Agora, o disco que lança resgata músicas dos últimos anos do cancioneiro português. Em entrevista ao programa Ensaio Geral da Renascença, Zeca Baleiro conta que no Brasil: “ouve-se muito pouco essa música contemporânea portuguesa. Ainda estamos no fado e na música mais folclórica que teve em Roberto Leal um grande divulgador. Agora estamos na cena mais nova com Carminho e António Zambujo, fazendo colaborações com artistas brasileiros”.

De fora do conhecimento dos brasileiros, diz Zeca Baleiro “está a música dos cantautores que começa nos anos 60”. O músico que nasceu em São Luiz do Maranhão sente este disco como uma “missão” de fazer a ponte entre as duas margens do Atlântico e assim “trazer para o público brasileiro”, músicas como “Canção do Engate” de António Variações ou “Capitão Romance” de Ornatos Violeta.

Zeca Baleiro explica que foi “apropriando” das músicas destes portugueses e dando-lhe o sotaque brasileiro. Não mostrou aos seus autores as adaptações que agora apresenta em disco. “Tive o cuidado de não mudar as letras, só mesmo detalhes muito específicos, como por exemplo, o primeiro verso da música ‘Ás vezes o Amor’ do [Sérgio] Godinho. Começa com ‘Que hei-de eu fazer’ e isso para um brasileiro é muito impenetrável. É difícil, mesmo. Tirei o ‘eu’ e ficou simplesmente ‘Que hei-de fazer’”, conta o músico que ganhou fama quando participou no Acústico MTV com Gal Costa.

Sobre estar a lançar o disco neste “mundo em suspensão” como lhe chama Zeca Baleiro, durante a pandemia, o músico diz ser “estranho”, por “não poder divulgar o trabalho devidamente com o disco físico”. Como sente que os “projetos envelhecem” quis por cá fora o disco de música portuguesa que agora apresenta ao público.

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