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Teatro D. Maria II integra na nova temporada peças que ficaram por apresentar por causa da pandemia

28 jun, 2020 - 20:02 • Maria João Costa

Foi apresentada este domingo a nova temporada do Teatro Nacional D.Maria II, de Lisboa. Em cartaz vão estar novos espetáculos e cerca de 20 que ficaram por levar à cena devido ao estado de emergência.

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A nova temporada do Teatro Nacional D. Maria II (TNDMII) “faz uma aposta muito forte no trabalho com a infância e juventude”, diz o diretor Tiago Rodrigues que justifica a decisão programática por entender que deveriam ter essa missão, numa área onde seria “mais difícil cumprir o serviço público de cultura”, devido ao contexto da Covid-19. Mas a nova temporada integra também grande parte das peças que ficaram por fazer devido ao encerramento do teatro, devido à pandemia, e duas dezenas de novas propostas.

Desde o dia em que fechou portas, a 13 de março, a direção do TNDMII começou logo a pensar “como resgatar” as peças que não seria possível apresentar, ou aquelas cujos ensaios foram interrompidos. Tiago Rodrigues, explica à Renascença que conseguiram “com muita solidariedade e disponibilidade dos artistas e técnicos das companhias, reagendar os 20 espetáculos que não foram apresentados”.

Assim, “quase metade da temporada” que apresentaram este domingo, é feita por espetáculos que ficaram por levar à cena na primeira metade de 2020. Exemplo disso são duas das peças que abrem a temporada em setembro, “A Vida Vai Engolir-vos”, com direção artística e adaptação de Tónan Quito e “Aurora Negra”, o projeto vencedor da 2.ª edição da Bolsa Amélia Rey Colaço.

“A Vida Vai Engolir-vos” subirá ao palco da Sala Garrett de 1 a 12 de setembro, e parte de textos de Anton Tchékhov. “É um espetáculo em duas partes que serão apresentadas no TDNMII e no Teatro São Luiz, em dias desencontrados”, indica Tiago Rodrigues que explica que “em dois sábados, será possível fazer uma maratona e ver o espetáculo integral, durante uma noitada de teatro e Tchéckov, começando no São Luiz e terminando no TNDM noite dentro pelas 4 ou 5 da manhã, com refeição pelo meio”. Nas palavras do diretor será “uma experiência singular para o teatro português.

Quanto a “Aurora Negra” de Cleo Tavares, Isabél Zuaa e Nádia Yracema, é um espetáculo que ganhou renovada pertinência. É um espetáculo que “aborda a invisibilidade dos corpos negros em especial na cultura portuguesa, e especificamente o lugar da mulher negra na sociedade portuguesa”, explica Tiago Rodrigues que relacionada a peça com o momento presente e os movimentos que têm saído à rua em defesa dos negros em todo mundo.

Teatro Nacional D.Maria II, “uma casa de autores e da nova escrita”

Questionado sobre como classifica esta nova temporada, Tiago Rodrigues diz que é por um lado uma programação que continua a dar palco “aos grandes textos da dramaturgia universal”, mas por outro lado, é também uma temporada que confirma o TNDMII como “uma casa de autores e da nova escrita”. O diretor fala mesmo numa “casa laboratorial onde se inventam as novas histórias”.

Um dos casos, “é uma encomenda feita ao escritor Rui Cardoso Martins”. O espetáculo “Última Hora” vai estar em cena de 8 de outubro a 15 de novembro e conta com Miguel Guilherme e Maria Rueff nos principais papéis. “É uma tragicomédia que fala de jornalismo. Passa-se na redação do jornal Última Hora que está a viver um processo, bem conhecido das redações de jornais, que é passar do papel exclusivamente para o on-line. E está face a uma nova administração que tem uma visão mercantil da comunicação social que põe em causa, até deontologicamente, o jornalismo que praticavam”, explica o diretor do Nacional.

Esta peça de Rui Cardoso Martins marcará o regresso da comédia ao palco do TNDMII. Mas entre as novidades há também “Carta”, uma nova criação de Mónica Calle e a peça “Dicionário da Fé”, com texto do escritor Gonçalo. M. Tavares e encenação de Jean Paul Bucchieri que vai estar em cena em março de 2021, na Sala Garrett. “Vai ser o espetáculo com que vamos celebrar o Dia Mundial do Teatro” no próximo ano, indica Tiago Rodrigues.

Na vertente dos grandes textos da dramaturgia, Tiago Rodrigues destaca o regresso dos Artistas Unidos de Jorge Silva Melo, ao TNDMII que em fevereiro apresentaram “A Morte de Um Caixeiro Viajante” de Arthur Miller. “É um texto fundamental de revisitarmos hoje. É uma espécie de Requiem do capitalismo que continua o trilho exemplar dos Artistas Unidos na divulgação dos realistas americanos.”

Espaço à dança no palco do teatro

Era uma das apostas para 2020, levar a dança ao palco do teatro e assinalar o aniversário da Companhia Olga Roriz. O projeto ficou interrompido pelos dias da pandemia e é agora retomado na nova temporada do TNDMII.

Os cinco espetáculos que chegaram a estar programados para abril de 2020, “estarão espalhados” pela nova temporada. O primeiro espetáculo será apresentado em setembro, a coreografia “Seis Meses Depois” de Olga Roriz cuja companhia está a celebrar 25 anos de vida.

“Depois, vamos ter o regresso muito aguardado desse delirante mergulho na tragédia de Eurípedes que é ‘Bacantes – prelúdio para uma purga’, espetáculo de Marlene Monteiro Freitas que venceu o Leão de Prata da Bienal de Veneza em 2018. Vamos também ter ‘Please, Please, Please’ de La Ribot e Matilde Monnier e que ganhou o Leão de Ouro, da Bienal de Dança de Veneza e estará connosco em abril próximo. É uma peça assinada a três, comigo, e que fala do futuro e de uma catástrofe, embora tenha sido criada antes desta pandemia”, indica Tiago Rodrigues.

Ainda na dança, o diretor do TNDMII que venceu o Prémio Pessoa em 2019, destaca ainda a estreia de “O Bom Combate” de Edna Jaime, de Moçambique que irá assinalar o Dia Mundial da Dança no palco do Nacional.

Nacional apostado no público infantojuvenil

“Esta é, pelo menos dos últimos seis anos, certamente a temporada onde o trabalho com a infância e a juventude é mais forte” afirma o diretor do TNDMII. Tiago Rodrigues explica: “entendemos que deveria ser assim, porque vai ser a área onde é mais difícil cumprir este serviço público de cultura, por causa dos cuidados redobrados que é preciso ter em contexto escolar com turmas que nos visitam.”

O diretor do Nacional considera que apesar da dificuldade, é quando deve “colocar todas as fichas” e apostar neste público mais novo. Segundo Tiago Rodrigues, “o projeto Boca Aberta permite que, ao longo do ano, milhares de crianças vejam teatro pela primeira vez nas suas vidas”.

“Este ano, vamos conseguir pela primeira vez estar em todos os jardins de infância da rede pública de Lisboa, todos os 71 jardins de infância, e estar com o maior número de crianças que alguma vez estivemos e vamos continuar a promover a prática de teatro por adolescentes em todo o país. Vamos trabalhar com várias escolas no âmbito do projeto de combate ao insucesso escolar, formando grupos de teatro nessas escolas. Vamos continuar a apoiar também a escrita para jovens, com o projeto Panos. É talvez o ano mais infância e juventude dos últimos anos, no Teatro Nacional D. Maria II”, conta Tiago Rodrigues.

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