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Restauração e comércio "não estão a faturar nem a 30%"

27 jun, 2020 - 13:00 • Marina Pimentel

O presidente da Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas. Jorge Pisco fala em “situações críticas”.

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Restauração e comércio à beira do abismo - Em Nome da Lei
Restauração e comércio à beira do abismo - Em Nome da Lei

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A restauração e o comércio” não estão a faturar nem a trinta por cento”, garante o presidente da Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas. Jorge Pisco fala em “situações críticas” e defende por isso” a criação de um fundo de tesouraria para ajudar as empresas a saldar não só os seus compromissos fiscais .Mas também a pagar salários ,rendas e compra de stock”.

Jorge Pisco é muito crítico em relação aos mecanismos de apoio criados pelo Governo. A começar pelo lay-off. Garante que, ao contrário do que diz o Governo, a situação está longe de estar normalizada. ”Há milhares de empresas que continuam sem receber”. O presidente da Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas diz que “ que poderia dar dezenas de exemplos do Norte ao Sul do país de empresas que se candidataram, preencheram os formulários várias vezes, mas continuam à espera que o lay-off seja pago”.

Advogado da área empresarial, Nuno Líbano Monteiro não subscreve as críticas dos representante das micro e pme em relação ao regime especial de lay-off ,criado para a pandemia, porque entende que foi verdadeiramente simplificado. Já em relação às linhas de crédito ,garantidas pelo Estado, classifica “a situação de calamitosa”.

O advogado da PLMJ dá o exemplo de um amigo que era simultaneamente diretor de uma grande empresa e proprietário de uma microempresa .Pediu apoio para a sua empresa e até agora não teve resposta. Já em relação à grande empresa de que é diretor, o banco ofereceu-lhe três milhões de euros , sem que tivesse pedido qualquer crédito.

Nuno Líbano Monteiro acha que há uma excessiva dependência da economia do Estado. E defende que” as empresas deviam apostar mais em capitais próprios”. Mas” é preciso tornar essa ideia atrativa.” Porque o que se passa atualmente é que” o sócio, o gerente , da média e grande empresas têm sempre alguma retração em colocar os seus próprios fundos na empresa porque sabem que se o negócio correr mal, são os últimos a ser pagos” .Defende que é preciso mudar as regras, à semelhança do que já acontece noutros países.

O presidente da Associação dos Administradores Judiciais, responsáveis pela fiscalização dos processo de insolvência ou revitalização de empresas em crise, diz que muitas empresas não vão conseguir sobreviver à pandemia. Rui Giesteira revela no entanto que ”essa perceção não tem ainda reflexo no número de insolvências que de 2014 para 2019 baixou para metade”.

Rui Giesteira diz que” desde o início do mês, não entraram mais de 30 processos de insolvência. E só 20 por cento são de empresas. O presidente da Associação dos Administradores Judiciais revela que 80 por cento das insolvências são de pessoas singulares .Pelas vantagens que oferece .Ao fim de 5 anos, paguem muito, pouco ou nada, os insolventes ficam livres da dívida”.

Jorge Pisco, presidente da Federação das Micro, Pequenas e Pequenas e Micro empresas explica que as suas associadas não recorrem ao processo de insolvência porque” essa não é a solução que querem para o momento que estão a viver”.

As PME que representam 99,6 por cento do tecido empresarial português e empregam 1 milhão e 800 mil trabalhadores estão focadas em salvar-se e não em entrar pelo caminho da insolvência, apesar das dificuldades que neste momento enfrentam.

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