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Confap critica fim de apoios a pais com o final do ano letivo

26 jun, 2020 - 07:29 • Beatriz Lopes

Confederação das Associações de Pais lembra que há famílias que não terão onde deixar os filhos. Defende ainda que as férias escolares deveriam ser mais curtas para que os alunos tivessem tempo para recuperar matéria perdida e apela à responsabilidade dos jovens para que evitem comportamentos de risco.

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O próximo ano letivo já tem data marcada: será entre 14 e 17 de setembro. O que significa que com o fim do terceiro período, que se assinala esta sexta-feira, os estudantes vão ficar em casa quase três meses.

A Confederação das Associações de Pais (Confap) critica que as famílias que têm ficado em casa com os filhos até aos 12 anos deixem agora de receber apoios do Estado.

À Renascença, Jorge Ascenção lembra que nem todas as famílias têm possibilidades económicas para deixar as crianças em Atividades de Tempos Livres (ATL) e apela à intervenção do Governo.

“As famílias, quando os anos letivos terminam, normalmente já sabem onde deixar os filhos: por exemplo num ATL ou ao cuidado de outros – para que possam exercer a sua atividade profissional. Só que este ano haverá famílias que não têm essas condições, seja por razões de saúde, seja por razões económicas. Portanto, terminado o apoio, terá de haver uma análise de algumas situações em que as famílias possam recorrer. Porque muitas vão precisar de apoio e o Estado deve ter uma resposta com as instituições para que as pessoas consigam trabalhar e os filhos possam ficar ao seu cuidado”, defende.

Férias deveriam ser mais curtas

O presidente da Confederação das Associações de Pais reconhece ainda que a prioridade do próximo ano letivo será recuperar matéria perdida, mas defende que as férias deveriam ser mais curtas para que a tarefa fosse bem sucedida.

“Esta pausa letiva parece-nos um pouco longa. Habitualmente, todos os anos as férias já são longas, os alunos acabam por esquecer muito daquilo que trabalham. Este ano há a agravante de muitos neste terceiro período não terem avançado na matéria ou de não conseguirem concluir o que tinham para dar. Portanto, sabendo que no próximo ano letivo ainda é preciso trabalhar em algumas semanas a conclusão deste, e de que não houve qualquer tipo de revisão programática nem curricular, parece-nos que poderíamos começar mais cedo a trabalhar e não continuarmos praticamente três meses parados”, critica.


Responsabilidade no desconfinamento

Jorge Ascenção mostra-se ainda preocupado com as várias festas de jovens que têm estado na origem de novos surtos de covid-19 que, alerta, poderão ser mais recorrentes na pausa letiva e pede aos jovens que evitem comportamentos de risco.

“Obviamente que agora que os jovens vão ter mais tempo, e também pela saturação que toda esta situação criou na sociedade, haverá uma maior probabilidade e tendência para estarem em convívio, em grupo ou mesmo a fazer festas”, explica Jorge Ascenção.

O presidente da Confap defende que os jovens devem entender que, “apesar de estarmos a desconfinar e a voltar a alguma atividade, o vírus continua aí e é preciso manter um conjunto de regras”.

“O discurso das autoridades de saúde e do Governo tem de ser um discurso muito claro, assim como o das famílias. Só que estamos a falar de três meses, é muito tempo, e as famílias têm de sair para trabalhar, não podem estar permanentemente na presença dos filhos. Portanto, os jovens têm de ter consciência, maturidade e responsabilidade”, sublinha.

O presidente da Confap faz ainda um balanço “positivo” do terceiro período letivo, elogiando as soluções encontradas como o ensino à distância, “apesar da falta de recursos”. No entanto, reconhece que “em algumas situações houve muita falta de comunicação, quer entre professores e alunos, quer entre a família e as escolas”.

“As próprias famílias, algumas, negligenciaram o processo dizendo no início que isto tudo tinha acabado em março. E essa mensagem foi errada porque acabou por transmitir uma ideia de que nada valia a pena e de que se podia baixar os braços”, critica.

Já sobre o regresso às aulas presenciais em setembro, Jorge Ascenção diz que são muitos os desafios que surgem no horizonte, nomeadamente no que diz respeito ao desdobramento de turmas para que sejam cumpridas as regras de distanciamento social. E propõe alternativas.

“Não estou a ver como é que vamos conseguir ter espaço e recursos para que todos tenham aulas presenciais e cumpram as regras. Acho muito difícil, mas estou cá para que consigamos encontrar outras soluções. A Confap sempre disse que uma das possibilidades será a conciliação entre o ensino presencial e o ensino à distância. Caso não haja espaço, as comunidades e as autarquias podem ter um papel importantíssimo, porque há muitos espaços desportivos e culturais que podem ser convocados para essa missão da educação presencial”, conclui.

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