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​Covid-19. Reunião de crise junta António Costa e autarcas de Lisboa

22 jun, 2020 - 07:14 • Redação com Lusa

Primeiro-ministro admite a criação de um "quadro punitivo" para quem organizar e participar em festas ilegais e ajuntamentos.

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O primeiro ministro, António Costa, reúne-se esta segunda-feira com os presidentes dos cinco municípios da área metropolitana de Lisboa que despertam maior preocupação devido ao elevado número de novos casos de covid-19 nas últimas semanas.

Entre os autarcas convocados para a reunião, agendada para as 10h00 na residência oficial do primeiro-ministro, estão Fernando Medina (Lisboa), Basílio Horta (Sintra), Carla Tavares (Amadora), Hugo Martins (Odivelas) e Bernardino Soares (Loures).

Em cima da mesa está o eventual aprofundamento das medidas de contenção da pandemia nas áreas com maior incidência atual da doença provocada pelo vírus SARS-CoV-2.

O primeiro-ministro, António Costa, admite a criação de um "quadro punitivo" para quem organizar e participar em festas ilegais e ajuntamentos e volta a apelar ao cumprimento de todas as regras de segurança.

"O fim do período de confinamento obrigatório deu-nos mais liberdade, mas também mais responsabilidade. Depois de termos feito tudo bem até aqui, agora não vamos estragar. Senão é uma chatice ter as forças da ordem a atuar e autuar", afirmou António Costa, no domingo, à entrada de um espetáculo no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.

No sábado, o primeiro-ministro já tinha garantido que, se for preciso dar passos atrás no desconfinamento, o fará, mas prefere controlar a situação, considerando que a melhor forma de solidariedade e de retoma é todos cumprirem as regras.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, assegurou no domingo que apoiará o que o Governo decidir depois desta reunião, naquilo “que for necessário fazer para impedir o descontrolo” do desconfinamento na região de Lisboa.

Na reunião desta segunda-feira, António Costa vai estar acompanhado pela ministra da Saúde, Marta Temido, que havia anunciado na sexta-feira a realização deste encontro para avaliar a situação em Lisboa e Vale do Tejo, bem como pelo secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro, responsável pela gestão da crise sanitária na região.

Na conferência de imprensa de apresentação do boletim epidemiológico de sexta-feira da Direção-Geral da Saúde (DGS), Marta Temido reconheceu “dificuldades em quebrar as cadeias de transmissão” nestes cinco concelhos, que já desde meados de maio concentram de forma consistente a grande maioria dos contágios em Portugal.

“Estando agora a situação que nos inspira maior preocupação circunscrita a cinco concelhos da área metropolitana de Lisboa, dentro deles distribuída de forma não perfeitamente simétrica, com uma clara identificação das freguesias onde há maior incidência, decidimos tomar desde logo uma iniciativa que se prende com a realização de uma reunião na próxima segunda-feira de manhã”, frisou, então, a ministra da Saúde.

Marta Temido reiterou o apelo à população para cumprir as regras de proteção e distanciamento social, sublinhando que o combate à pandemia de covid-19 “é uma maratona, não um 'sprint'” e que “estão redondamente enganados aqueles que pensam que podem regressar às suas vidas na normalidade anterior” sem uma vacina ou um tratamento eficaz.

O fim de semana ficou marcado por vários ajuntamentos de jovens, nomeadamente em Carcavelos, nas praias da Arrábida em Setúbal, nas Docas de Lisboa, Porto e Braga.

A reunião ocorre num momento em que Portugal regista 1.530 mortes e 39.133 casos desde o que foi reportado o primeiro caso de contaminação pelo novo coronavírus, em 2 de março.

Na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde se tem registado recentemente o maior número de surtos, a pandemia de covid-19 atingiu até domingo os 16.762 casos confirmados, mais 225 do que no sábado, o que corresponde a 77% dos 292 novos contágios reportados em relação ao dia anterior.

Na distribuição dos casos infetados por concelhos, o concelho de Lisboa é o que regista o maior número de infeções (3.135), seguido de Sintra (2.253), Vila Nova de Gaia (1.611), Loures (1.623), Amadora (1.428), Porto (1.414), Matosinhos (1.292), Braga (1.256), Maia (950) e Odivelas (881).

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  • Cidadao
    22 jun, 2020 Lisboa 09:08
    A malta nova já mostrou que acha o Covid uma "doença de velhos" e que a eles nada acontece. Falso, mas é assim que pensam. Não atuem, enquanto podem criar o enquadramento jurídico, para tentar pelo menos controlar melhor e castigar os ajuntamentos que aí vêm, não. Com o final das aulas e depois dos exames, vão ver o que acontece. Acham que em pleno Verão e sem nada para fazer, "eles e elas" ficam em casa a trocar mensagens pelo telemóvel?