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Fernando Medina-João Taborda da Gama
O presidente da Câmara de Lisboa e um professor universitário (especialista em direito fiscal) a viver na capital olham para os principais temas da atualidade. Quintas-feiras, às 19h20.
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Preocupados, mas não alarmados com a evolução da pandemia em Portugal - Fernando Medida e João Taborda da Gama
Preocupados, mas não alarmados com a evolução da pandemia em Portugal - Fernando Medida e João Taborda da Gama

Fernando Medina preocupado, mas não alarmado com evolução da pandemia em Portugal

19 jun, 2020 • Miguel Coelho (moderação)


João Taborda da Gama reforça que é mais importante olhar para o número de mortes e para a pressão sobre o SNS do que para o número de casos positivos. Atribuição a Lisboa da organização da final a oito da Liga dos Campeões é o tema da semana destacado pelos dois comentadores da Renascença.

Fernando Medina considera que não é momento para pensar em dar um passo atrás no plano de desconfinamento determinado pelo Governo. O presidente da Câmara de Lisboa encara o contexto atual, de aumento de casos positivos de Covid-19 em Portugal, com preocupação, mas sem alarme.

"O aumento do número de infetados era expectável. O objetivo do confinamento era conseguirmos o achatamento da curva e proteger o SNS, para que pudesse assegurar sempre resposta e o colapso não aconteceu", observa o autarca, no debate com João Taborda da Gama, no programa As 3 da Manhã.

Nesse sentido, conclui que, "do ponto de vista da proteção da capacidade de resposta do SNS, a estratégia está a ser bem sucedida. Tem vindo a responder, está a aumentar a sua capacidade e não tem havido aumento de internados nos cuidados intensivos".

O surgimento de vários surtos em lares e no Algarve, a juntar ao número de casos que continua elevado em concelhos da região de Lisboa e Vale do Tejo, não resulta, na opinião do autarca, de uma situação de descontrolo.

"Estes surtos, tirando o caso do Algarve, não têm nada a ver com o desconfinamento. O setor da construção civil nunca fechou e relativamente aos lares era uma situação que já havia um regime muito apertado na limitação de visitas", assinala.

João Taborda da Gama também reforça que o aumento do número de casos é normal, mas discorda da ideia de que tal não esteja relacionado com o desconfinamento.

"É inevitável que a partir do momento em desconfinamos que haja mais transmissões e muitas delas são indiretamente resultado do desconfinamento, porque as pessoas estão mais expostas ao vírus. Isto é normal que aconteça e o que se espera de nós é que tenhamos a calma para perceber o que é aceitável e que tem de acontecer", afirma.

Na sua perspetiva, "devemos olhar mais para os números de mortes e de pressão sobre o SNS do que para os casos positivos".

Os dois comentadores da Renascença elegem para tema da semana a atribuição da organização da final a oito da Liga dos Campeões a Lisboa. Fernando Medina destaca a relevância económica e a projeção externa que o evento vai dar à cidade e ao país.

"Mesmo que venha a ocorrer num cenário sem assistência nos estádios, Lisboa estará a televisionada por centenas de milhões de pessoas durante quase duas semanas. Vai ter um efeito de médio prazo, de apoio à recuperação do emprego e da economia muito importante", defende o presidente da Câmara de Lisboa.

João Taborda da Gama valoriza o acontecimento, mas não deixa de ressalvar que a importância institucional dada ao evento foi "totalmente desproporcionada, quando os portugueses não sabem o que vão fazer às escolas dos seus filhos".

"Era bom que Presidente da República, presidente da Assembleia da República, primeiro-ministro e ministro da Educação pensassem o que é que vão comunicar aos portugueses em relação a isso", conclui.

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  • José J C Cruz Pinto
    19 jun, 2020 Ílhavo 12:27
    Preocupado (mas não estupefacto)?! É simples: é só insistir em que a dita cuja "Final Eight" se faça com público nas bancadas (e quanto mais, melhor - venham, que a entrada é livre no melhor País do mundo!), para catapultar o País - como o melhor de todos (de/para a COVID-19)! Suponho que, então, as preocupações de alguns seriam definitivamente transferidas para todos os outros - nós, comuns dos mortais.