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Aumenta a tensão nas Coreias. Norte fez explodir escritório de ligação com o Sul

16 jun, 2020 - 09:41 • Lusa

As relações entre as Coreias começaram a ficar tensas desde o colapso de uma segunda cimeira entre o líder norte-coreano Kim Jong-un e o Presidente dos EUA. Pyongyang ameaça enviar tropas para zonas limítrofes que tinham sido desmilitarizadas.

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A Coreia do Norte fez explodir, nesta terça-feira, o escritório de ligação com a Coreia do Sul em Kaesong, uma cidade perto da fronteira, aumentando a tensão na península coreana, revelou o Ministério da Unificação em Seul.

"A Coreia do Norte explodiu o escritório de ligação de Kaesong, às 14h49" (7h49 em Lisboa), disse o porta-voz do ministério encarregado das relações entre as duas Coreias, em comunicado.

Fotos da Agência de Notícias Yonhap, sul-coreana, mostraram fumo a sair do que parece ser um complexo de edifícios e a agência revelou que a área fazia parte de um parque industrial agora fechado, onde ficava o escritório de ligação.

A Coreia do Norte tinha ameaçado demolir o escritório à medida que intensificava a sua retórica sobre o fracasso de Seul em impedir que ativistas usassem panfletos de propaganda através da fronteira.


Alguns especialistas dizem que a Coreia do Norte está a manifestar a sua frustração porque Seul não pode retomar os projetos económicos conjuntos devido a sanções lideradas pelos EUA.

No sábado à noite, Kim Yo Jong, irmã influente do líder da Coreia do Norte, alertou que Seul em breve testemunharia “uma cena trágica do inútil escritório de ligação Norte-Sul (na Coreia do Norte), sendo completamente destruído'', deixando aos militares da Coreia do Norte o direito de dar o próximo passo de retaliação contra a Coreia do Sul.

Em 2018, as Coreias abriram o seu primeiro escritório de contacto em Kaesong, para facilitar uma melhor comunicação e as trocas desde a sua divisão, no final da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

Quando o escritório foi aberto, as relações entre as Coreias floresceram depois de a Coreia do Norte ter iniciado negociações sobre o seu programa de armas nucleares.

As forças armadas da Coreia do Norte ameaçaram entretanto voltar às zonas desmilitarizadas sob acordos de paz entre as Coreias. O Estado-Maior General do Exército Popular da Coreia disse que está a analisar uma recomendação do partido no poder para avançar para áreas de fronteira não especificadas que foram desmilitarizadas com os acordos com o Sul, o que “transformaria a linha da frente numa fortaleza”.

Coreia do Norte ameaça ocupar zona desmilitarizada

A Coreia do Norte ameaçou esta terça-feira enviar tropas para zonas limítrofes com o vizinho do Sul que tinham sido desmilitarizadas, após um acordo entre os dois países, assinado em 2018.

Numa declaração emitida pela agência estatal KCNA, o Estado-Maior da Coreia do Norte afirmou que está a considerar um plano "para reconduzir o exército às áreas que foram desmilitarizadas ao abrigo do acordo Norte-Sul, fortificar a frente e aumentar a vigilância militar".

O texto não especifica quais as áreas ao longo da zona desmilitarizada – uma faixa de quatro quilómetros de largura que separa as duas Coreias – a serem incluídas no plano.

Uma das possíveis áreas é aquela em torno da cidade de Kaesong (sudoeste) e do monte Kumgang (sudeste), donde a Coreia do Norte retirou as tropas após o acordo.

O pacto para aliviar as tensões militares nas fronteiras foi assinado durante a cimeira de Pyongyang, realizada em setembro de 2018 pelos dirigentes das duas Coreias, o que constituiu um grande avanço para os dois países, que ainda se encontram tecnicamente em guerra.

As primeiras imagens do encontro histórico entre as Coreias
As primeiras imagens do encontro histórico entre as Coreias

Na semana passada, Pyonyang elevou ainda mais o tom com Seul, em resposta ao envio de folhetos de propaganda contra o regime de Kim Jong-un por ativistas na Coreia do Sul, muitos deles desertores norte-coreanos.

Os folhetos, que são frequentemente pendurados em balões que sobrevoam o território norte-coreano ou inseridos em garrafas atiradas para o rio fronteiriço, contêm geralmente críticas ao historial de Kim Jong-un em matéria de direitos humanos ou às ambições nucleares.

Embora Seul tenha denunciado imediatamente estes grupos e afirmado que os impediria de enviar novamente panfletos, durante o fim de semana Kim Yo-jong, irmã do líder norte-coreano, ameaçou cortar relações com os sul-coreanos.

A declaração do Estado-Maior da Coreia do Norte indicou também que "as relações Norte-Sul estão cada vez piores" e que Pyongyang também vai começar a enviar "em grande escala" folhetos de propaganda.

A Coreia do Norte tem vindo a endurecer a sua posição com os EUA e a Coreia do Sul ao longo do último ano, na sequência do fracasso da cimeira de Hanói, em que Washington considerou insuficiente a proposta de desarmamento do regime.

Esta cimeira, no início de 2019, falhou por causa de disputas sobre quantas sanções deveriam ser levantadas em troca do desmantelamento do principal complexo nuclear norte-coreano.

Kim Jong-un prometeu mais tarde expandir o seu arsenal nuclear, introduzir uma nova arma estratégica e superar as sanções lançadas pelos EUA, que disse sufocarem' a economia do país.

As duas Coreias continuam tecnicamente em guerra desde o conflito que as opôs entre 1950 e 1953, que terminou com um cessar-fogo e não com um tratado de paz.

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