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10 de junho

Marcelo pede para se “pensar diferente” e refazer um “Portugal com futuro”

10 jun, 2020 - 11:53 • Carla Caixinha

O presidente da República faz um discurso onde deixa vários alertas e reptos sobre como tirar lições desta pandemia para repensar o país, aproveitando para resolver problemas de muitos anos. Também não esqueceu os "heróis da Saúde".

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Marcelo no 10 de junho. “Portugal não pode fingir que não existiu e existe pandemia"
Marcelo no 10 de junho. “Portugal não pode fingir que não existiu e existe pandemia"

O Presidente da República vê na pandemia "oportunidade singular" para refazer um "Portugal com futuro" e apelou a que não se desperdice este momento.

Portugal não pode fingir que não existiu e existe pandemia, como não pode fingir que não existiu e existe uma brutal crise económica e financeira. E este 10 de Junho de 2020 é o exato momento para acordarmos todo para essa realidade”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa no seu quinto discurso do Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas.

Num discurso em que deixou vários alertas e reptos sobre como tirar lições e repensar o país, Marcelo sublinhou que não pode “esperar que as soluções de ontem sejam as soluções de amanhã”. Não devemos desperdiçar o “frémito nacional que vivemos” para começar de novo, “o que o 10 de junho nos impõe é não perder este instante irrepetível”, convertendo “o medo em esperança”, sublinhou o Presidente, no seu quinto discurso do Dia de Portugal e último deste mandato presidencial.

Segundo o chefe de Estado, há cem anos, com a pneumónica, Portugal desperdiçou uma oportunidade para fazer uma democracia moderna, mas agora, garante, “não cometeremos o mesmo erro”, sendo preciso “pensar diferente”.

Marcelo apontou os próximos meses e anos como “uma oportunidade única para mudar o que é preciso mudar com coragem e determinação” e rejeitou que se opte por “remendar, retocar, regressar ao habitual, ao já visto, como se os portugueses se esquecessem do que lhes foi, é e vai ser pedido de sacrifício e se satisfizessem por revisitar um passado que a pandemia submergiu”.

Na sua intervenção, que durou menos de dez minutos, Marcelo Rebelo de Sousa criticou também que se pense que “é já chegada a hora de fazer cálculos pessoais ou de grupo, de preferir o acessório àquilo que durante meses considerámos essencial, de fazer de conta que o essencial já está adquirido, já passou, já cansou, já é um mero álibi para apagar a liberdade e controlar a democracia”.

Elogio aos heróis de Portugal

Nesta cerimónia, nos claustros do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, o chefe de Estado centrou o seu discurso na nova realidade resultante da pandemia, questionando, em tom crítico: "Percebemos mesmo aquilo que, apesar das devoções de tantas e tantos, falhou na saúde, na solidariedade social, no público, no privado, no social?".

Segundo o chefe de Estado, a situação em que o país se encontra, passados três meses de se terem detetado os primeiros casos de Covid-19 no país, só foi possível, entre outros fatores, porque no setor da saúde houve “heroísmo ilimitado a fazer de carências e improvisos excelência e salvaguarda de vida e saúde”.

Aproveitou para anunciar que vai homenagear “heróis da Saúde” que trataram o primeiro doente em Portugal, a quem vai entregar dentro de dias “as simbólicas insígnias da Ordem do Mérito”, com as quais pretende abarcar “milhares e milhares de heróis, centenas e centenas de serviços e unidades de saúde”.

Não podendo galardoar todos, escolheu aqueles que” trataram o primeiro doente com Covid-19, um médico que acompanhou, o enfermeiro que cuidou, a técnica de diagnóstico que examinou, a assistente operacional que velou”, explicou o Presidente que também anunciou uma “cerimónia ecuménica de crentes de várias crenças e de não crentes” para “homenagear os mortos, envolvendo as suas famílias no calor humano de que foram privadas semana após semana”.

“Mas só serão justas estas homenagens - que não esquecem os compatriotas que lá fora morreram, sofreram e trabalharam neste tempo inclemente - se elas nos acordarem para o que temos de fazer”, avisou.

Devido à pandemia de Covid-19, Marcelo Rebelo de Sousa cancelou as comemorações do 10 de Junho que estavam previstas para a Região Autónoma da Madeira e África do Sul e optou por fazer em Lisboa uma cerimónia "pequena, simbólica", como seu entender deveriam ter sido celebrados o 25 de Abril e o 1.º de Maio. Apenas o Presidente e o Cardeal Tolentino Mendonça fizeram discursos.

Os seis convidados presentes correspondem aos primeiros lugares da lista de precedências do Protocolo do Estado, que é encabeçada pelo chefe de Estado, seguindo-se o presidente da Assembleia da República, o primeiro-ministro e os presidentes do Supremo Tribunal de Justiça, do Tribunal Constitucional, do Supremo Tribunal Administrativo e do Tribunal de Contas.

Nos quatro anos anteriores do seu mandato, Marcelo Rebelo de Sousa assinalou o 10 de Junho com um modelo inédito de duplas comemorações, em Portugal e junto de comunidades portuguesas no estrangeiro, lançado no ano da sua posse, 2016, em articulação com o primeiro-ministro, António Costa, e com a sua participação.

Este é o último Dia de Portugal do atual mandato presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa e contrasta com os formatos das cerimónias dos quatro anos anteriores. Logo no ano da sua posse, em 2016, o Presidente da República lançou um modelo inédito de duplas comemorações do 10 de Junho, em Portugal e junto de comunidades portuguesas no estrangeiro, em articulação com o primeiro-ministro, António Costa, e com a sua participação.

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  • João Lopes
    11 jun, 2020 Viseu 10:24
    Palavras, palavras...leva-as o vento!