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Isabel Jonet preocupada com o aumento dos “novos pobres”

11 mai, 2020 - 17:41 • Dina Soares

À saída de Belém, após um encontro com o Presidente da República, a presidente do Banco Alimentar contra a Fome, mostrou-se muito preocupada com o aumento súbito do número de pessoas que caíram numa situação conjuntural de pobreza. Já Eugénio da Fonseca, da Caritas, defende a revisão do Rendimento Social de Inserção.

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A presidente do Banco Alimentar contra a Fome, Isabel Jonet, teme que, depois do "lay-off", o desemprego dispare e venha engrossar o número de pobres em Portugal.

À saída de Belém, após um encontro com o Presidente da República, a presidente dos Banco Alimentares mostrou-se muito preocupada com o aumento súbito do número de pessoas que caíram numa situação conjuntural de pobreza: “Há muitas pessoas que nunca tinham tido necessidade de pedir apoio, que tinham uma vida equilibrada e que, de repente, ficaram sem qualquer rendimento."

Profissionais liberais, fisioterapeutas, dentistas e professores de ginástica são algumas das profissões referidas por Isabel Jonet. “São pessoas que lidam mal com esta situação, sobretudo porque não veem o fim”. Por isso, a fundadora dos Bancos Alimentares em Portugal apela às empresas para que não despeçam os seus funcionários.

Todos os dias, os Bancos Alimentares recebem cerca de mil novos pedidos de ajuda. Desde 20 de março somam já perto de 15 mil o que, pelas suas contas, corresponde a 59 mil pessoas a precisarem de ajuda. A área da Grande Lisboa, Setúbal, Porto, Braga e o Algarve são as zonas mais afetadas.

Caritas propõe revisão do Rendimento Social de Inserção

Eugénio Fonseca, da Caritas, disse que nesta crise nota uma mudança no tipo de pedidos de ajuda que chegam aos centros diocesanos: se na crise de 2012 as pessoas pediam ajuda para procurar e encontrar emprego, agora a necessidade é mais funda e básica e pedem sobretudo alimentação.

Daí que defenda que deve existir um plano articulado de medidas de combate à pobreza, que envolva instituições e organismos oficiais, desde o Governo a autarquias, e que se promovam medidas que vão mais longe das tomadas até agora, propondo a revisão do Rendimento Social de Inserção (RSI), “em metodologia e em valor.

“Se as pessoas tiverem autonomia financeira já não precisam de recorrer a instituições como a Caritas”, disse, criticando a burocracia que dificulta o acesso a este apoio social, sendo necessário fazer prova de três meses sem rendimentos e depois esperar 45 dias – prazo atual – para receber a primeira prestação.

Na Caritas há 48 mil novas pessoas a precisar de ajuda e Eugénio Fonseca reiterou que as linhas de financiamento de valor global de 130 mil euros criadas pela instituição não vão cumprir o objetivo de chegar até junho, “porque a procura é muita” e os números não revelam toda a realidade, até pela multiplicidade de instituições que estão a prestar apoio.

“Ninguém sabe dizer quanto tempo vai durar, o que ouvimos dizer é que vai durar muito tempo e há que equacionar recursos para darmos o mínimo de dignidade às pessoas”, disse Eugénio Fonseca, que estima que a situação de desemprego se agrave no próximo outono e inverno e se revelou preocupado nos efeitos que a crise possa ter em termos de endividamento e sobre-endividamento das famílias, criando problemas que se podem “tornar insolúveis” para instituições e para o Estado.

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