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Racismo “não tem lugar nas nossas sociedades”, diz Boris Johnson a Trump

03 jun, 2020 - 20:47 • Lusa

Boris Johnson já tinha considerado como "chocante e imperdoável" a morte de George Floyd, mas evitou criticar Donald Trump.

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O racismo "não tem lugar nas nossas sociedades", afirmou esta quarta-feira o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, numa "mensagem" dirigida ao Presidente norte-americano, Donald Trump, na sequência da morte do afro-americano George Floyd, que desencadeou uma onda de indignação global.

“A minha mensagem ao Presidente Trump, a qualquer pessoa nos Estados Unidos, e no Reino Unido, é que o racismo, a violência racista, não tem lugar nas nossas sociedades e estou certo de que esta é uma opinião amplamente partilhada em todo o mundo”, declarou Boris Johnson.

O primeiro-ministro falava numa conferência de imprensa, no dia em que milhares de pessoas se concentraram, apesar das restrições impostas pela pandemia da doença covid-19, no centro da capital britânica, Londres, para exigir justiça na sequência da morte de George Floyd na semana passada na cidade norte-americana de Minneapolis.

George Floyd, um afro-americano de 46 anos, suspeito pela polícia de falsificar uma nota de 20 dólares (18 euros), morreu, em 25 de maio, quando foi detido em Minneapolis (estado do Minnesota).

De acordo com imagens que já percorreram o mundo, um agente policial branco manteve-o imobilizado no chão, ajoelhado sobre o seu pescoço durante quase nove minutos, enquanto Floyd dizia que não conseguia respirar.

Durante o debate semanal realizado esta quarta-feira na Câmara dos Comuns (câmara baixa do Parlamento britânico), Boris Johnson já tinha considerado como "chocante e imperdoável" a morte de George Floyd, mas evitou criticar Donald Trump pela forma como tem lidado com os protestos desencadeados pela morte do afro-americano.

Johnson respondia ao líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, que expressou "choque e raiva pela morte de George Floyd" e disse que o incidente "colocou em destaque o racismo que afeta muitos nos Estados Unidos e noutros países".

"Estou surpreendido que o primeiro-ministro ainda não tenha dito nada sobre isto. Espero que a próxima vez que ele fale com o Presidente Trump transmita o repúdio pela resposta dele aos eventos", desafiou Starmer, que é líder do principal partido da oposição britânica.

Na resposta, Johnson concordou com Starmer e disse que "o que aconteceu nos Estados Unidos foi chocante e imperdoável. Percebo perfeitamente o direito das pessoas de protestar".

Porém, também acrescentou que "os protestos devem decorrer de forma legal e razoável", incluindo no Reino Unido, onde defendeu o respeito pelo distanciamento social.

Desde a divulgação das imagens da detenção de George Floyd nas redes sociais, têm-se sucedido protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades norte-americanas, algumas das quais foram palco de confrontos com a polícia e de atos de destruição e de pilhagem.

Em várias dezenas de cidades, incluindo em Washington e em Nova Iorque, foi decretado um recolher obrigatório.

Há registo de milhares de detenções, de várias vítimas mortais e de vários agentes da polícia alvejados.

Na segunda-feira, numa declaração feita a partir da Casa Branca, Donald Trump afirmou ser o “Presidente da ordem e da lei”, ameaçando mobilizar as forças militares para acabar com a violência nas ruas.

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