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​Reportagem

PSP nos hospitais em tempos de Covid-19. Novos desafios, "mais perto do risco"

01 jun, 2020 - 16:36 • Pedro Filipe Silva

No hospital São Francisco Xavier, os agentes tiveram de mudar de posto, no Amadora-Sintra o local de trabalho fixo ficou tapado por um contentor. Os agentes da PSP enfrentam novos desafios, com todos os cuidados, junto da linha de combate à covid-19.

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A manhã está calma no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa. O chefe do posto da PSP, Mário Fortunato, tem a companhia do agente principal Luís Cunha. Os dois fazem a habitual ronda, de máscara e viseira. Uma rotina que não mudou com a pandemia de Covid-19. Já o local fixo de trabalho sim.

“Devido à situação da covid-19, estamos em situações provisórias. O espaço onde trabalhamos é onde fazem a admissão dos utentes que apresentam sintomas. Nós mudámos também para nos protegermos”, diz Mário Fortunato.

“Os profissionais de saúde tiveram conhecimento que íamos mudar de instalações. Sabem que nos podem contactar anteriormente via telemóvel. Em relação ao cidadão comum, a situação é um pouco mais complicada porque têm de perguntar onde é a Polícia e isso causa mais um constrangimento, mas conseguimos satisfazer a necessidade e fazer o acompanhamento do utente e não tem havido problemas.”

O responsável sublinha ainda o que mudou nestes últimos meses: “Não há cumprimentos e temos cuidado quando vamos render, vamos de máscara, fazemos a higiene das mãos e temos sempre o cuidado de trabalhar afastados."

Luís Cunha acrescenta: “Quando mudamos de turno tenho sempre a preocupação de limpar os teclados, manípulos das portas com os produtos que o próprio hospital deu para a desinfeção para que possamos trabalhar em segurança."

A mudança não foi fácil ao início, “porque não estávamos completamente habituados à máscara e à viseira. Mexíamos na máscara e inconscientemente levávamos as mãos aos olhos ou ao cabelo. Claro com tempo vamos habituando e depois há o cuidado que temos de ter quando vamos para casa, porque temos família, temos filhos em casa”, sublinha Luis Cunha.

No hospital São Francisco Xavier, a PSP tem um efetivo de nove agentes, dois em cada turno. Este grupo conta ainda com mais agente em regime remunerado. Dão apoio aos utentes, mas também aos profissionais de saúde.

O agente Luís Cunha destaca a relação de confiança que aqui se cria. “Chega a um ponto em que já nos tratamos por tu e isso ajuda muito no trabalho do dia-a-dia. Às vezes nem é preciso chamarem-nos, basta um olhar que nós já sabemos o que eles pretendem. Imaginemos que está ali um utente mais agitado na triagem, se nós tivermos presentes o enfermeiro olha para nós, basta um gesto, basta um olhar e nós percebemos logo que há ali uma situação atípica e intervimos para evitar o descalabro”, explica.

No Amadora-Sintra foi preciso improvisar. “Sabíamos que estávamos mais perto do risco”

No Hospital Amadora-Sintra a pandemia de Covid-19 também alterou as rotinas dos agentes da PSP.

O posto está à entrada das urgências, mas agora está tapado por um contentor usado para fazer uma triagem e despistar quem chega ao hospital.

Esta é uma situação que obriga a mais atenção, diz o agente responsável Luís Martins. “Embora o nosso posto tenha ficado mais tapado momentaneamente com este contentor, nós temos de contornar a situação e temos de vir cá para fora. Temos de procurar os sítios com mais pessoas, mais críticos, mais sensíveis. Obriga-nos a não estar tanto dentro do posto”.

O chefe Martins, assim é conhecido no hospital, revela que ali ao lado do posto, a PSP tem presença assídua. “A urgência pediátrica é um dos sítios onde somos chamados bastantes vezes, muito pela impaciência dos pais, das crianças e do tempo de espera. Somos muitas vezes chamados para gerir conflitos. As pessoas pensam que pressionando ou ameaçando conseguem ser atendidos de forma mais rápida. Isso é um pouco assustador para os médicos e chamam-nos para incutir um sentimento de segurança”.

O chefe Martins diz ainda que esta é uma situação que “com a covid-19 tem aumentado um pouco. Eu penso que talvez seja por deficiência da informação, outras por medo e desconhecimento da própria doença”.

O chefe Martins está no Hospital Amadora-Sintra há 25 anos, por isso mesmo, diz, que estas são situações que já não são novidade, “mas nunca por uma pandemia destas. É de facto inédito”.

Nestes novos tempos há um novo desafio: saber identificar alguém com máscara. “Dificulta um pouco porque quem lida com pessoas é importante ver as expressões faciais, ler na cara das pessoas as reações quer da angústia, sofrimento ou de dor. Tudo isto está disfarçado agora através da máscara, mas isso não nos impede de fazer o nosso trabalho”.

Trabalho não falta e novos desafios também não. O chefe Martins diz que foi necessário reinventar e improvisar, até porque “sabíamos que estávamos mais perto do risco”, sublinha.

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