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O regresso dos Três Tristes Tigres. "Às vezes dou uns gritos cá em casa para desentupir"

29 mai, 2020 - 07:55 • Maria João Costa

A banda de Ana Deus e Alexandre Soares lança esta sexta-feira o novo disco de originais. Sem possibilidade de tocarem ao vivo “Mínima Luz”, estão a vender eles próprios o disco. No confinamento, Ana Deus tem saudades de cantar, já Alexandre aproveita para compor.

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Vinte e dois anos depois, os Três Tristes Tigres lançam um novo disco de originais. A banda de Ana Deus e Alexandre Soares está de volta com “Mínima Luz”. Pelo meio tiveram outro projeto musical, os Osso Vaidoso, mas sentiram o apelo de regressar a estúdio com os “Tigres”, como lhes chamam, depois do desafio de tocar ao vivo há três anos, no Teatro Rivoli. Em entrevista ao programa Ensaio Geral da Renascença, a banda do Porto fala das saudades do palco e de como é pôr no mercado um disco em tempo de pandemia.

O último disco de originais dos Três Tristes Tigres é de 1998. O que vos fez voltar agora a estúdio para este “Mínima Luz”, sentiram necessidade de gravar, Ana Deus?

Nós necessidade de gravar e de fazer música, sentimos sempre. A sucessão de acontecimentos e coisas que nos levaram a reanimar os Tigres teve a ver com um convite que nos fizeram para fazer um espetáculo e a partir de aí fazer um disco de Osso Vaidoso ou de Tigres, pareceu-nos mais estimulante fazer Tigres.

Ana, porque era mais estimulante nesta altura gravar Tigres e não Osso Vaidoso?

Por todas as razões e mais algumas. Por fazermos textos de raiz com a Regina Guimarães, por tocarmos com mais gente e pela receção que sentimos também das pessoas que gostavam dos Tigres e que ainda gostam e pela memória que lhes deixamos.

Que som é este, o do novo disco, Alexandre Soares?

Nos Osso Vaidoso é só guitarra e voz, e os Tigres sempre tiveram um som mais elaborado em que a composição e o desenvolvimento estrutural e de timbre sempre foi grande. Havia vontade da minha parte também de fazer um som maior. Juntou-se tudo e acho que foi a altura certa para fazer isto.

Alexandre o que é isso de “som maior” a que se refere?

Eu trabalho muito noutras áreas, com eletrónica, desenvolvo mais outro tipo de composição que não é tão “canção” e esse tipo de som eu não faço em disco há muitos anos. Queria trazer esses sons para os discos e os Tigres sempre foram muito abertos à experiência e tentarmos fazer uma coisa que nos parecesse boa para nós, e ao mesmo tempo tentássemos forçar um pouco o nosso próprio som e as nossas experiências. É o retorno da eletrónica aos discos.

O disco “Mínima Luz” conta com poemas originais do músico brasileiro Luca Argel, da Regina Guimarães, e teus, Ana Deus.

Sim, porque para os Tigres começa-se a fazer música do zero. Começa-se por pensar nos temas, começa-se a pescar ideias e a construir a coisa devagar. No Osso vamos buscar poemas que já estão feitos e musicamos, nos Tigres não, é uma construção do nada. É completamente diferente. Voltar a trabalhar com a Regina Guimarães foi uma das alegrias maiores deste trabalho.

Ana, e porque deram este título ao disco “Mínima Luz”?

Às vezes, a construção de um nome não é uma razão muito significativa. Pensamos numa palavra que tivesse a ver com “mínimo” porque gostamos de coisas pequenas que parecem insignificantes, mas que para nós significam bastante. Mínimo não é uma pobreza, é antes uma modéstia.

Queríamos juntar outra palavra ao “mínimo” e depois surgiu uma lista, até que “luz” foi a que ficou melhor. Acho que há sempre pouca razoabilidade, esta é uma época de muita treta, de muita falsa questão, de muita mentira e confusão. A lucidez é sempre necessária, mas agora ainda mais para sabermos distinguir as coisas.

Longe do palco por agora, sem concertos, como é que os Três Tristes Tigres se adaptaram às circunstâncias, Alexandre Soares?

Tive aquela primeira fase, que acho que todos tivemos, estávamos na completa ignorância do que se estava a passar e do que deveríamos fazer. A partir do momento em que se percebem as regras para nos defendermos, eu já arranquei! Adaptei-me, no exterior defendo-me e, de resto, continuo a trabalhar.

Mas, Alexandre, são momentos inspiradores estes que vivemos, para um artista?

Claro que, os espetáculos foram todos à vida. Já sabemos que só tocamos em outubro. Isto está a trazer uma grande dificuldade aos artistas, mas eu estou a centrar-me no que posso fazer. Estou a aproveitar para compor.

No princípio levei as coisas para minha casa, montei tudo e não funcionou nada. Depois vim outra vez para a minha sala estúdio que é um “bunker”. Eu vivo metade do tempo fechado aqui, e por isso estou bastante recolhido e dá para estar concentrado. Eu gosto de estar isolado, sempre trabalhei assim e por isso pouco mudou. Mas no princípio atrapalhou-me um bocado a situação, porque não tinha cabeça. Depois arranquei e estou a aproveitar ao máximo o tempo.

Ana, e no teu caso, sentes saudades do palco, dos aplausos do público? Como está a ser esta experiência de lançar um disco no meio de uma pandemia?

Sentimos que era uma boa altura para meter o disco cá fora e arriscámos. Acabou por correr bem, mas estou muito ansiosa. Vai ser bom, quando houver concertos a coisa vai ser feita ainda com redobrado prazer. Agora, sinto falta de ensaiar, de cantar e do palco, claro! Parece que estou entupida! Às vezes dou uns gritos cá em casa para desentupir!

Enquanto não há concertos, têm-se ocupado da venda direta do disco. Ana Deus és quem trata de responder ao email correiodostigres@gmail.com?

Tenho contato direto com os estimados clientes e ouvintes e o feedback tem sido maravilhoso. Gostam muito. Alguns dizem quais são as músicas preferidas, outros dizem que gostam de todas! São palavras que de outra forma não teria, se não estivesse a fazer isto e a tratar disto por email.

Tem sido muito bom. Não estava à espera, sinceramente. Esperava que fosse bem-recebido, mas um bocado “estranhado”, se é que se pode usar a palavra. Mas não, tem sido muito bem-recebido e estou muito feliz.

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