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Bruno de Carvalho confirma intenção de pedir indemnização ao Estado

29 mai, 2020 - 01:21 • Lusa

Ex-presidente do Sporting foi absolvido de autoria moral do ataque a Alcochete.

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O antigo presidente do Sporting Bruno de Carvalho confirma a intenção de avançar com um pedido de indemnização ao Estado português e referiu que não saiu com "sentimento de justiça", apesar da absolvição no processo da Academia.

Entrevistado na TVI, o líder dos leões no momento da invasão da Academia Sporting, em 15 de maio de 2018, lembrou, no entanto, que quando se move uma ação pecuniária contra o Estado é necessário "estipular o montante e pagar sobre esse valor" para iniciar o processo.

"Nesse julgamento vou ver julgado não só o Estado, mas também aquilo que perdi. Acho tudo isto impensável", criticou Bruno de Carvalho, já depois de considerar que "no processo penal sim [fez-se justiça]", mas que não nutre do mesmo sentimento "enquanto pai e filho".

"Foi um assassinato de caráter tão grande que vai demorar a resolver. Há muita gente que continua com o estigma de que não foi feita justiça e que [a absolvição] foi por falta de provas. Este caso não é um bom exemplo para dar uma perceção de justiça às pessoas", reforçou Bruno de Carvalho.

Sobre a eventual readmissão como sócio do Sporting, Bruno Carvalho foi ligeiramente mais expansivo do que horas antes, quando falou à saída do Tribunal de Monsanto, e afirmou taxativamente que "os sportinguistas deviam solicitar uma Assembleia Geral para o regresso enquanto associado de plenos poderes".

"A primeira coisa de justiça era as pessoas admitirem que foi Alcochete que motivou isto [a expulsão de sócio do clube] e, no mínimo, deviam readmitir-me", considerou o antigo presidente do Sporting.

Questionado sobre se após uma eventual readmissão como associado admite candidatar-se novamente à presidência do clube, ambição que, de acordo com as palavras do entrevistador, "nunca escondeu", Bruno de Carvalho foi evasivo.

"Nunca escondi que acho que fiz um excelente trabalho, que é algo em que me considero bom e que me senti muito honrado", afirmou.

Já em relação à invasão da Academia em si, o antigo presidente 'leonino' reforçou a ideia de que sempre considerou ter-se tratado de "um crime hediondo" e disse, referindo-se aos acontecimentos que se seguiram, que só ocorreram, precisamente por ser "inocente e um cidadão igual aos outros".

"Era impensável acontecer no Benfica ou no FC Porto e infelizmente já houve agressões nos três. Como cidadão, fiquei horrorizado com o que aconteceu em Alcochete, mas também com o que aconteceu em Guimarães três meses antes e ninguém ligou", recordou o antigo presidente do Sporting.

Quanto aos acontecimentos após a invasão, Bruno de Carvalho lamentou que as pessoas não tenham "questionado o que tinha acontecido" antes de lhe apontarem o dedo acusatório e nomeou novamente "as principais figuras do Estado português", que acreditava que também existiam para o "proteger", além de pelo menos "um jogador" do plantel 'verde e branco'.

"Chego à Academia e a primeira coisa que acontece é um jogador vir dizer-me que eu fui culpado. Estou muito bem e vejo a intervenção do Presidente da República a apontar-me o dedo e o presidente da Assembleia da República a acusar-me taxativamente, dizendo o meu nome", recordou.

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  • JORGE DIAS
    29 mai, 2020 Povo de Santa Iria 08:51
    amigos jornalistas...alguém é capaz de perguntar ao Presidente Marcelo, ao Ferro Rodrigues e ao 1º ministro um comentário ao desfecho do julgamento de Alcochete? Pois foram dos primeiros a comentar e agora no final NÃO VI ATÉ HOJE alguém a fazer a pergunta, devem estar proibidos de falar sobre este assunto, digo eu.

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