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Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​Islão e democracia

29 mai, 2020 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


A questão de saber se o islamismo é, ou não, compatível com a democracia desapareceu do espaço público com a pandemia. Mas uma vez esta ultrapassada, tal questão voltará.

A favor da possibilidade de uma nação islâmica ser democrática existe o facto de o país com o maior número de habitantes muçulmanos, a Indonésia, ser uma democracia – não perfeita, certamente, mas perfeita não é nenhuma. O poder político indonésio reconhece seis religiões: além do islamismo, o catolicismo, o protestantismo, o hinduísmo, o budismo e o confucionismo.

Mas esta liberdade religiosa não existe na maior parte dos países islâmicos. Há aqui um problema do próprio islamismo, pois não distingue o que é de Deus e o que é de César. Por isso, a aplicação da “sharia” (lei islâmica) leva a considerar crime, por vezes crime de morte, uma pessoa islâmica converter-se a outra religião. O poder político não se distingue, aí, do poder religioso. São as chamadas teocracias.

O Irão é uma teocracia. Qualquer esperança de que os moderados, que existem no Irão, viessem a ter algum poder foi destruída pelas posições de Trump, a começar por ter abandonado o tratado de 2015 sobre a produção de armas nucleares naquele país.

A Arábia Saudita também é uma teocracia. Quando o príncipe herdeiro Mohamed bin Salman se tornou praticamente no chefe supremo da Arábia Saudita deu alguns sinais de que queria modernizar o seu país, por exemplo permitindo às mulheres guiarem automóveis e irem ver futebol, tirando poderes à “polerigosamente pa minoria muçulmeanaito mal a minoria muçulmea ícia religiosa", etc. Mas, infelizmente, hoje não restam dúvidas: bin Salman é um déspota, que não hesita em prender e até matar quem o critica. O horrível assassinato e esquartejamento do jornalista saudita Kashoggi no consulado da Arábia Saudita em Istambul não poderia ter acontecido sem a concordância de bin Salman.

E pode recordar-se o falhanço, em 2011, das “primaveras árabes”. Em quase todas elas regressaram, em força, os ditadores.

Não se pense, porém, que só em países islâmicos não existe liberdade religiosa. A maior democracia do mundo, a Índia, caminha perigosamente para um país oficialmente hindu, que trata muito mal a minoria muçulmana que ali vive.

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