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Cristãos na Terra Santa preocupados com o seu futuro

22 mai, 2020 - 17:51 • Aura Miguel

Basílica do Santo Sepulcro reabre as portas, em clima de tensão política.

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É já neste domingo, 24 de maio, que reabrem as portas da Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém. No interior, só poderão entrar 50 pessoas de cada vez, com máscara e se cumprirem todas as regras de distanciamento social.

As várias igrejas cristãs (de rito latino, ortodoxo grego e arménio) que residem na Basílica, encerrada desde 24 de março, devem emitir uma declaração conjunta sobre o cumprimento do protocolo de segurança definido pelo Ministério da Saúde de Israel, sob pena desta Igreja voltar a fechar.

Mas, se há muito que a vida dos cristãos na Terra Santa é complicada, agora a sua situação agravou-se por causa da pandemia e do agravar dos conflitos políticos.

É que a esmagadora maioria dos cristãos vive na Palestina e sobrevive das receitas que os peregrinos e os turistas lá deixam, bem como das ofertas que os cristãos do mundo inteiro enviam para ajudar escolas, centros de saúde ou apoios sociais.

A nível da Igreja Católica, por exemplo, a coleta de Sexta-Feira Santa a favor da Terra Santa foi adiada pelo Papa para o próximo domingo 13 de setembro, por causa da pandemia. No entanto, a actual situação política e social também preocupam o Papa e o Vaticano.

Nos últimos dias, Israel anunciou a anexação de parte do território ocupado da Cisjordânia, com o apoio dos EUA e, como reação, o Presidente palestiniano, Abu Mazen, pôs fim aos acordos assinados com aqueles dois países. A tão desejada solução "Dois Povos, Dois Estados" parece, assim, cada vez mais distante.

A diplomacia da Santa Sé já veio reafirmar que esta é a única solução para o conflito”, igualmente apoiada por grande parte da comunidade internacional.

O mesmo fizeram os Papas, desde que João Paulo II lá foi, no ano 2000, até aos dias de hoje. E todos recordamos a iniciativa do Papa Francisco que, em 2014, depois da sua visita à Terra Santa, convidou os então presidentes de Israel, Shimon Peres, e da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, para um gesto de paz nos jardins do Vaticano. Só que, desde então, o simbolismo daquele gesto parece ter caído no esquecimento com a instabilidade política em Israel a agravar as tensões.

Um antigo conselheiro do primeiro-ministro Itzak Rabin e diretor do Instituto de Educação de Coexistência Árabe-Judaica, Gershon Baskin, declarou ao jornal “Jerusalem Post” que este fracasso é culpa de ambos os lados, face à “incapacidade de Israel e Palestina cumprirem as obrigações que assinaram nos acordos de Oslo, em 1999” e que “os dois povos perderam a fé no processo de paz, à medida que a violência continua a enraizar-se”.

Uma situação que poderá agravar ainda mais o futuro, já há muito incerto, das comunidades cristãs na Terra Santa.

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