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Fundação Benfica alia-se à Student Keep para levar computadores a alunos sem meios

05 mai, 2020 - 08:54 • Marta Grosso

“Não falte à chamada” é o apelo lançado pelo projeto que nasceu para que nenhuma criança fique sem aulas por falta de equipamento informático. Se tiver algum computador que já não use, é fazê-lo chegar à Student Keep. E eles tratam do resto.

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Existem há pouco mais de um mês e já puseram toda uma máquina a funcionar. Aliás, várias máquinas – os mais de 80 computadores que, depois de vistoriados, já foram entregues aos alunos do ensino público sem acesso às novas tecnologias.

Em pouco mais de cinco semanas, a Student Keep conseguiu reunir aliados de peso. A Fundação Benfica e a empresa Primavera (a primeira nascida em Portugal para desenvolver soluções de gestão para Windows) são os mais recentes parceiros, que se vêm juntar à Fundação Calouste Gulbenkian e ao Santander Consumer Finance.

No que diz respeito à Fundação Benfica, a parceria abrange, além da dotação financeira, a mobilização dos sócios, adeptos e parceiros do Sport Lisboa e Benfica, seja tornando-se “keepers” (já explicamos o que significa) ou voluntários na área da informática, além de também poderem contribuir com donativos.

A parceria com a Primavera consiste na produção de um livro – “Salvador, o pequeno herói” – disponível por 10,60 euros, valor que reverte na totalidade para o projeto Student Keep e será aplicado na compra de equipamentos informáticos.

Mas, afinal, o que é a Student Keep?

A Student Keep nasceu no dia 23 de março, a partir do movimento #Tech4Covid19 (a comunidade tecnológica portuguesa, criada para ajudar a combater a pandemia), depois de constatada a dificuldade que alguns alunos tinham em aceder às aulas digitais.

“Começámos assim, de uma forma muito simples, em que identificávamos, de um lado, quem precisava de ajuda e, do outro, quem podia ajudar”, afirma à Renascença Rui Nuno Castro, líder deste projeto.

A ideia surgiu na sua própria casa, depois de uma conversa com a mulher, que é professora.

Inicialmente, a Student Keep recolhia as candidaturas das pessoas interessadas em receber os equipamentos tecnológicos, mas, depois de se aperceber que o Ministério da Educação estava a fazer o levantamento das necessidades dos alunos, decidiu alterar o modelo original.

“As pessoas que não tinham condições para acompanhar a atividade escolar à distância eventualmente também teriam muitas dificuldades em registar-se no nosso site” e “como nos apercebemos que estava a haver uma duplicação de trabalho – porque as escolas estavam nessa altura a concluir o levantamento de necessidades ao nível nacional” – contactámos com o Ministério “que nos deu essa ajuda prontamente”, conta.

E a reação foi “muito ágil”, sublinha Rui Nuno. “Às vezes, temos aquela ideia da máquina do Estado muito pesada a reagir, mas, nesta altura e nesta circunstância concreta, reagiram com rapidez e abertura e permitiram-nos garantir que conferíamos a todo o processo o rigor e transparência que procurávamos desde o início”.

De acordo com o mais recente balanço da Student Keep (de dia 26 de abril), existem 780 alunos da escola pública a precisar de um equipamento informático para assistir às aulas digitais. A Student Keep já entregou 83.

Existem ainda 620 em trânsito ou a ser preparados. “Há equipamentos que vêm já prontos a serem disponibilizados – e esses são encaminhados diretamente para as escolas” – mas há também aqueles que têm de ser preparados pela equipa de técnicos voluntários, que já ultrapassa a centena.

Estamos a correr contra o tempo. As aulas já começaram e cada dia que passa e é um acentuar do distanciamento entre os alunos que podem e alunos que não podem acompanhar a atividade escolar à distância”, sublinha Rui Nuno Castro, que destaca o papel da Gulbenkian e do Santander Consumer na divulgação do projeto.

Os dois parceiros “permitiram aquilo que para nós seria inimaginável quando começámos com o projeto, que foi alargar o espectro da comunicação de uma forma nacional, numa estação televisiva em canal aberto e de âmbito nacional, que dá uma exposição muito grande à mensagem de sensibilização”.

A campanha está a passar na RTP e tem como principal objetivo angariar cada vez mais “keepers” – ou seja, doadores de equipamentos.


Emprestar ou doar?

De início, pensou-se que os “keepers” poderiam emprestar, mas a possibilidade rapidamente foi colocada de parte.

“As pessoas estão de boa vontade a participar, a ajudar, mas não estão disponíveis para depois terem problemas”, porque o equipamento pode “regressar em más condições ou não regressar de todo”, explica o “project leader”, que é consultor de marketing e inovação de profissão.

“Era abrir a porta a um conjunto de problemas, cuja dimensão não conheceríamos nem sabemos se teríamos capacidade de resolver de forma cabal”, acrescenta.

Como se faz?

Quem tem um computador, ou mais, que não precise – seja uma pessoa individual ou uma empresa – só tem de ir ao site da Student Keep e registar-se.

Será depois contactado por um elemento do projeto, para saber as características do equipamento e saber se é necessária alguma adaptação.

“Até os Magalhães, em boa verdade, conseguimos recuperar para utilização. Naturalmente que não é para um aluno do secundário, tem de ser adequado a uma idade que se coadune com aquele tipo de equipamento, mas é recuperável”, diz Rui Nuno.

O ideal é que o “keeper” entregue o equipamento na sua área de residência. Essa é a premissa, sendo que pode ser o próprio a entregar ou um dos voluntários da Student Keep.

“O ‘keeper’ tem de se manifestar disponível, ou não, para ir entregar o equipamento que quer doar”. Se não for o próprio, “no fim do processo recebe uma mensagem a agradecer e a dizer que a sua doação foi aplicada na escola 'x'”.

A Student Keep faz a ligação entre os “keepers” e o Ministério da Educação – em concreto, a Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE), onde existe uma “equipa criada para o efeito”.

“A DGEstE tem cinco delegações regionais: no Norte (Porto), Centro (Coimbra), Lisboa e Vale do Tejo (Lisboa), Alentejo (Évora) e Algarve (Faro). E estão pessoas designadas em cada uma das delegações regionais para serem os interlocutores” com a Student Keep.

“Nós não temos informação sobre a quantidade [de computadores necessários] por delegação regional. Temos a informação da necessidade global, do país, e também não temos informação de quantos são por escola nem quem são os alunos”, explica Rui Nuno.

“Nós disponibilizamos os equipamentos e os interlocutores fazem a atribuição, de acordo com os critérios estabelecidos por cada delegação regional, às escolas”, acrescenta.

Transparência e rigor acima de tudo

O “project leader” da Student Keep é taxativo: é fundamental haver transparência em todo o processo. “Sendo isto uma causa solidária, entendemos que deve estar sempre revestida do máximo de transparência e rigor, nomeadamente, no que diz respeito aos critérios estabelecidos para a atribuição dos equipamentos informáticos que angariamos”.

Em prol desse objetivo, foi criada uma “plataforma que gere todo o ‘workflow’, desde que o ‘keeper’ se regista até que o equipamento é entregue na escola”. É também através desta plataforma que todos os intervenientes no processo comunicam, sem que o trabalho de um interfira com o trabalho de outro.

“Cada um sabe, a cada momento, qual o trabalho que tem de desenvolver e só lida com a informação que precisa de lidar, para que haja o mínimo de ruído possível e o máximo de objetividade e eficiência no processo”, explica Rui Nuno Castro.

“A escola é depois notificada noutro fluxo de comunicação e essa parte logística – o encaminhamento – é feito de forma direta pela DGEstE”. No momento em que recebe o computador ou tablet, a escola tem comunicar a receção.

“A escola, quando recebe o equipamento, tem que alertar a DGEstE e informar que abateu à lista que apresentou inicialmente, para que não haja duplicação de ajudas e para que não possam estar equipamentos a ser canalisados para uma escola que eventualmente já não precise, em detrimento de outra que continue com essa necessidade”, descreve o consultor de marketing.

A Student Keep não sabe ainda quantos computadores conseguirá fazer chegar aos alunos necessitados, “depende da boa vontade das pessoas”, mas compromete-se a tudo fazer para, “em cada caso de equipamento angariado, conseguir espoletar os meios necessários para que possa chegar tão rapidamente quanto possível à escola”.

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