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Graça Freitas. "A nossa epidemia de Covid-19 está francamente a descer"

30 abr, 2020 - 13:20 • Redação

“Tem de haver um equilíbrio entre a dinâmica da epidemia e a dinâmica do desconfinamento", afirma a diretora-geral da Saúde numa altura em que o país vai começar o processo de reabertura.

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A epidemia de Covid-19 em Portugal está em queda, afirmou esta quinta-feira a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, em conferência de imprensa, apesar da existência de mais 540 casos da doença nas últimas 24 horas.

"Epidemia não está a crescer. Todos os dias temos novos casos, mas a curva, apesar de altos e baixos, é uma tendência decrescente. A nossa epidemia está francamente a descer apesar de todos os dias temos novos casos", declarou Graça Freitas.

A tendência é decrescente, segundo a diretora-geral da Saúde, no entanto, esta quinta-feira, o número de casos confirmados, em 24 horas, subiu (540) em relação ao dia anterior (183). Graça Freitas explicou o cenário aparentemente antitético com um atraso na contagem de diagnósticos:

"Ontem [quarta-feira], houve um atraso de notificação e não conseguimos contabilizar alguns casos a tempo do boletim, pelo que foram contabilizados hoje [esta quinta-feira]. Temos um reporte a mais, mas são casos que diziam respeito a casos passados, sobretudo na região Norte."

Questionada pelos jornalistas sobre Portugal começar a desconfinar com uma taxa de contágio ("R") de 1, quando a Alemanha o começou a fazer com uma taxa de 0,7, a diretora-geral da Saúde respondeu que o "R" não é o único indicador a ter em conta e que a reabertura da economia vai ser monitorizada com muita atenção para não haver retrocessos na luta contra a Covid-19.

“A epidemia ainda não terminou, o ritmo e a quantidade de casos é que varia e é descendente. O ‘R’ está sempre a ser calculado, porque à medida que temos novos casos tende sempre a ser cada vez menor. Esperamos que os académicos nos apresentem os novos cálculos do ‘R’. Ms não é apenas o ‘R’ que contabilizamos, contabilizamos também o número de novos casos que aparecem todos os dias e essa é a tendência decrescente que se verifica.”

Do ponto de vista da epidemia o “R” é apenas “um dos fatores que devem ser tidos em conta”, sublinha. Tudo indica que os novos cálculos do "R" venham para valores mais baixos, acredita Graça Freitas, porque nos últimos dias não houve nenhum grande foco da doença.

“Temos de ter vários parâmetros e tem de haver um equilíbrio entre a dinâmica da epidemia e a dinâmica do desconfinamento. É nesse equilíbrio que vamos ter de viver nos próximos tempos e, por isso, é tão importante que mesmo desconfinando tenhamos de continuar a observar novas regras de controlo e prevenção da infeção", defende Graça Freitas.

O Governo vai anunciar esta quinta-feira o calendário oficial de reabertura da economia e da sociedade portuguesa. Será um plano com medidas distribuídas por várias fases, que será reavaliado de duas em duas semanas. O estado de emergência termina a 2 de maio e na segunda-feira, dia 4, o pequeno comércio de rua já vai poder abrir portas.

Portugal regista 989 mortes (mais 16 em 24 horas) e 25.045 infetados (mais 540), de acordo com o boletim diário da Direção-Geral da Saúde. Há ainda a registar 1.519 recuperados da doença.

A região Norte é a que regista o maior número de mortos (566), seguida da região Centro (198), de Lisboa e Vale do Tejo (199), do Algarve (13), dos Açores (12) e do Alentejo que regista um caso, adianta o relatório da situação epidemiológica, com dados atualizados até às 24h00 de quarta-feira.

[notícia atualizada às 15h40]

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