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Saúde mental e pandemia. Ansiedade e depressão atingem mais as mulheres e os trabalhadores presenciais

29 abr, 2020 - 18:02 • Dina Soares

A pandemia está a dar a volta à cabeça dos portugueses. Quase metade considera que o impacto psicológico provocado pela doença e pelo confinamento atinge níveis moderados ou graves. As mulheres são as mais ansiosas. Os idosos são quem revela menor grau de stresse.

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Quase metade dos portugueses consideram que o impacto psicológico da pandemia de covid-19 está a ser moderado ou severo. Esta é a principal conclusão de um estudo levado a cabo pelo Instituto de Psicologia Clínica e Forense, em colaboração com a Universidade Autónoma de Lisboa e a Universidade de Aveiro.

O trabalho de campo decorreu entre 24 e 27 de março, através de 10.529 respostas a um inquérito online e permite concluir que, mesmo as pessoas sem perturbações mentais anteriores, mostraram um impacto psicológico negativo imediato devido à pandemia.

Os inquiridos, com uma média de idades de 31,3 anos e na sua maioria mulheres (8785 – 83,4%), revelam sintomas de stresse (29,2%), ansiedade (16,9%) e depressão (11,7%), de níveis moderado ou grave.

As mulheres e os desempregados são quem mais se sente psicologicamente afetado por esta pandemia. Quem tem menos escolaridade, vive em zonas rurais e tem doenças crónicas ou teve sintomas de gripe também se mostra mais ansioso.

Entre quem continua a trabalhar, as pessoas em situação de teletrabalho sentem um impacto psicológico menor, por se sentirem mais protegidos, do que quem tem de sair de casa e ficar mais exposto ao vírus.

Idosos revelam menos ansiedade e stresse

Os idosos revelam-se menos afetados, tanto no que se refere a sintomas de depressão, como relativamente a sentimentos de ansiedade e stresse. Um dado considerado curioso pelos autores do estudo, uma vez que a maior taxa de mortalidade se concentra na população idosa. Os reformados também revelam um stresse menor do que quem está em idade ativa.

Embora apenas cerca de 1% dos participantes tivesse estado em contacto direto com alguém infetado, cerca de metade considerava muito provável estar infetado. Quem tinha sido testado, mostrava-se ainda mais ansioso. Uma situação que os autores justificam com o facto de o trabalho de campo ter sido feito quando ainda havia muito pouca informação sobre o vírus, o que levava dois terços dos inquiridos a revelar pouca confiança nos profissionais de saúde.

A comparação dos resultados nacionais com investigações chinesas, regista diferenças importantes. Por exemplo, apenas 7,6% dos participantes chineses relataram impacto psicológico moderado a severo. No entanto, também na China eram as mulheres as mais afetadas.

Nas suas conclusões, o estudo recomenda um investimento maior na saúde mental, considerando que dificilmente o país conseguirá recuperar a sua economia “com uma fatia considerável de população depressiva, ansiosa e stressada”.

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