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O futuro (da saúde) depois da pandemia

Regresso à normalidade não acontecerá antes de uma vacina. "Vamos ter de manter comportamentos para nos protegermos"

27 abr, 2020 - 23:05 • Sérgio Costa com Redação

Todos os dias, a Renascença convida um especialista de uma área diferente a olhar para o mundo e o país pós-Covid-19. Começamos esta segunda-feira, a perscrutar o impacto da pandemia e o futuro na saúde.

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Portugal prepara-se para aliviar as medidas de confinamento, um mês e meio depois de ter sido decretado o primeiro estado de emergência. Como fica o país, depois da fase mais dura de mitigação da Covid-19? Será que esta foi mesmo a fase mais dura? O que esperar nas várias áreas que sofreram grandes mudanças durante esta pandemia?

Todos os dias, a Renascença convida um especialista de uma área diferente a olhar para o mundo e o país pós-Covid-19. Começamos esta segunda-feira, a perscrutar o impacto da pandemia e o futuro na saúde.

Mesmo com permissão para voltar a sair de casa, “vamos ter de ter muita paciência e muita cautela”, alerta Teresa Leão, médica de saúde pública e investigadora no Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP).

“Temos de manter os mesmos comportamentos no regresso, comportamentos que espero que se prolonguem por bastante tempo para nos protegermos no futuro, mesmo em relação a outras doenças respiratórias”, refere.

“Há cuidados que estamos a ter agora que terão de ser continuados ao longo do tempo”. O uso da máscara, a higienização das mãos, a etiqueta respiratória, a distância física das pessoas são “truques” que vamos ter de manter, mesmo no pós-Covid.

A especialista em saúde pública reforça que o regresso ao normal não acontecerá antes da descoberta da vacina – e acreditando que esta poderá ser 100% eficaz.

Os que defendem que nos devemos infetar para criar imunidade de grupo “partem do princípio que nós ficaremos com imunidade a médio/longo prazo. O segundo ponto pressupõe que nenhum ficasse gravemente doente. O problema é que nós contactamos com outras pessoas mais velhas ou com doenças crónicas que podem ter alguma gravidade e, portanto, é muito irresponsável eu tentar criar a minha imunidade e, de repente, por descuido, estar a contagiar um avó ou um pai, que podem vir a precisar de cuidados de saúde e não terem esse espaço. Esse é que é o grande risco”, explica.

Outro ponto fundamental nos próximos tempos será a alteração de comportamentos em relação à saúde. Teresa Leão espera que “as pessoas só recorram a uma urgência quando realmente tenham uma situação grave”.

“A marcação da consulta será essencial para que a presença na sala de espera não seja muito longa e não se aglomerem muitas pessoas. Ligar para a linha SNS24 é essencial ou ao médico de família. Por outro lado, as unidades de saúde terão também melhor noção de quem está a entrar”, acrescenta.

Teresa Leão reforça que é importante que a população interiorize que “se tiver sintomas, não deve ir trabalhar, não deve estar com outras pessoas”.

O início do desconfinamento deverá começar a 4 de maio e a reabertura faseada em períodos consecutivos de 15 dias. Com mais pessoas na rua, o risco de haver uma segunda onda “é maior, haverá maior risco de contacto e, portanto, mais risco de transmissão e certamente existirá um aumento do número de casos”.

Se e quando isso acontecer, segundo Teresa Leão, “temos de analisar até que ponto os cuidados de saúde conseguem responder, se está a ser demasiado acelerado e se vamos ter de travar esta aceleração”.

Esta especialista acredita que, se uma segunda vaga ocorrer, o sistema de saúde estará mais bem preparado “porque há uma série de procedimentos que, mesmo existindo um plano de contingência, não tinha sido treinado e agora está. E isto fará com que se consiga seguir esses procedimentos de forma intuitiva. Também teremos mais ventiladores, mais elementos de proteção individual”.

Ainda assim, refere Teresa Leão, “é essencial que, após a reabertura, as equipas sejam reforçadas e se consigam identificar os contactos dos casos”.

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