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Plataforma digital junta escuteiros voluntários e instituições

24 abr, 2020 - 07:19 • Teresa Paula Costa

Chama-se "Auxiliar.pt" e quer aproximar instituições sociais e potenciais voluntários, como forma de resposta à escassez de meios humanos disponíveis para a resposta à pandemia.

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Chama-se "Auxiliar.pt" e quer aproximar instituições sociais e potenciais voluntários, como forma de resposta à escassez de meios humanos disponíveis para a resposta à pandemia de Covid-19.

A plataforma digital foi criada por José Simões, dirigente de escuteiros no Agrupamento 776 da Cruz da Areia, Leiria, e CEO de uma empresa de soluções informáticas, na sequência de uma conversa com vários escuteiros sobre as maneiras como a tecnologia e os escuteiros poderiam ajudar. À Renascença sublinha “não é uma atividade escutista, é feita com malta dos escuteiros”, pois também foram convidados elementos da Associação dos Escoteiros de Portugal (AEP).

"Funciona em rede com os nossos parceiros locais de modo que, da nossa parte, damos a 'mão de obra' e, depois, trabalhamos em rede com as instituições que estão no terreno e que têm a capacidade de validar esses pedidos de auxílio", explica.

Na plataforma, podem inscrever-se os candidatos a voluntários que depois serão submetidos a uma espécie de rastreio. A organização tem “uma 'checklist' sanitária que segue as orientações da Direção-Geral de Saúde” e que é a base da “triagem que fazemos das pessoas que podem ir para a rua ou não.”

Um dos requisitos, revela José Simões, “é a idade, mas há várias coisas de backoffice e outras tarefas que podem ser feitas em alguns sítios com a Cáritas e a Cruz Vermelha, em que é preciso fazer a preparação de cabazes alimentares para depois serem distribuídos”. Essas tarefas de retaguarda podem ser desempenhadas pelas pessoas que não cumprem o requisito da idade.

Iniciativa tem agradado em Porto de Mós


Além de 300 voluntários, estão inscritas, neste momento, duas dezenas de instituições de todo o país. Estas carregam os pedidos da população na plataforma e, através do código postal, eles são automaticamente distribuídos para os voluntários inscritos oriundos dessa área.

A Junta de freguesia de Porto de Mós é uma das instituições parceiras cujo presidente está muito contente com o serviço prestado. Segundo Manuel Barroso, os préstimos dos escuteiros e escuteiros estão a ser solicitados por vários tipos de pessoas. A autarquia criou uma linha telefónica especial para receber os pedidos de ajuda. "As pessoas ligam para lá, nós fazemos a triagem à pessoa”, relata, em declarações à Renascença. A triagem serve para saber se a pessoa tem algum problema de saúde, ou se tem a Covid-19.

Emnora tenha colocado os 60 anos como idade mínima para se ser auxiliado, há "pessoas muito mais jovens que têm os familiares em casa e pessoas até com bastante poder de compra” a recorrer ao serviço.

Por dia, a Junta de freguesia de Porto de Mós recebe entre 10 a 12 pedidos que são prontamente satisfeitos pelos voluntários.

A gratificação de ajudar quem precisa


Paulo Santos não hesitou quando soube da iniciativa. O dirigente do agrupamento 370 de Porto de Mós diz à Renascença que decidiu aderir “por causa do serviço ao próximo, que é um dos lemas no escutismo”, e pela convicção de que “haveria gente que nesta altura teria necessidade de alguém que lhe desse a mão.”

Depois do trabalho numa fábrica, vai ao supermercado e à farmácia comprar aquilo que é preciso e vai entregar a casa do destinatário. “Tenho o cuidado de, quando me dirijo ao sítio onde vou buscar as compras, ir já com máscara e luvas e depois tenho sempre comigo no carro um frasco com álcool gel para desinfeção. Normalmente pago com cartão para não tirar dinheiro, embora as pessoas a quem nós vamos entregar nos paguem em dinheiro”, conta.

Paulo Santos explica, também, o processo de levar as compras a casa das pessoas: “Não entro em casa, elas vêm à porta da entrada ou se for um prédio vêm ao hall de entrada do prédio, abrem a porta, eu deixo os sacos com as compras, entrego a fatura e elas dão-me o dinheiro. Quando chego ao carro novamente, tiro as luvas, mando-as para o lixo e desinfeto novamente as mãos."

As despesas com as máscaras, luvas e soluções desinfetantes são pagas do seu próprio bolso, mas é um custo que suporta de bom grado, pois o serviço voluntário que presta é reconhecido por aqueles que dele beneficiam. "Ainda na última vez que fui, a senhora em questão, que mora sozinha e está completamente isolada, ou seja, não tem ali nenhum familiar próximo, embora viva num prédio, vê-se que está satisfeita com o nosso auxílio", conclui.

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