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Peritos europeus e americanos defendem retorno à normalidade, um passo de cada vez

24 abr, 2020 - 20:18 • Dina Soares

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças recomenda calma e precaução no retorno à normalidade. O aumento do número de testes e o rastreamento imediato dos contactos de alguém infetado são duas medidas consideradas essenciais para que a pandemia não volte a ganhar terreno. A Universidade de Harvard fez um estudo que vai exatamente no mesmo sentido.

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O levantamento das medidas de confinamento vai ser uma maratona, não uma corrida de velocidade. O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC, na sigla inglesa) acaba de publicar um relatório sobre as regras que devem ser seguidas no retorno à normalidade e onde deixa, como regra de ouro, a necessidade de os países serem muito cautelosos.

O relatório, que reúne dados dos 27 Estados-membros da União Europeia, Islândia, Liechtenstein, Noruega e Reino Unido, afirma que a questão da abertura das sociedades começa a colocar-se quando o pico da transmissão já foi ultrapassado em 20 países da Europa, e o número de novos casos reportados entrou em declínio.

De acordo com os dados disponíveis, o ECDC considera que o risco de doença severa nos países da UE/EEE e no Reino Unido é considerado baixo para a generalidade da população em áreas onde medidas apropriadas de distanciamento social físico foram adotadas e onde a transmissão comunitária tenha sido reduzida e mantida em níveis baixo. Caso contrário, o risco de contágio ainda é considerado moderado.

Sem vacina não se pode baixar a guarda

Sinais encorajadores, mas que não são, para já, sinónimo de que o problema próximo do fim. O ECDC avisa que os efeitos da pandemia vão continuar presentes durante muito tempo na vida das sociedades e que, pelo menos até haver uma vacina, é imperioso não baixar a guarda, mantendo uma grande exigência nas medidas de higiene como a lavagem das mãos, a etiqueta respiratória, o distanciamento social e o uso de máscaras, bem como a vigilância reforçada dos grupos de risco, a começar pelos idosos.

Se estas regras forem respeitadas e se a abertura for feita de forma gradual e com sistemas de monitorização eficazes, o risco de propagação do vírus é considerado moderado. Mesmo assim, recomenda que que seja deixada em aberto a possibilidade de reintroduzir as medidas de confinamento caso a situação regrida.

O Centro Europeu recorda que um país só deve avançar para a fase de reabertura se a propagação da doença tiver decrescido substancialmente e durante um período sustentável.

É também essencial que os sistemas de saúde tenham conseguido recuperar a sua capacidade de resposta, que exista uma estratégia robusta de rastreamento de contactos e que estejam disponíveis testes suficientemente abundantes e rápidos para poderem ser usados à mais leve suspeita.

Rastrear e testar

Rastrear e testar são as palavras de ordem do relatório. O ECDC defende que é essencial fazer o rastreamento imediato dos contactos de alguém que esteja infetado ou apresente suspeitas, quer através de serviços telefónicos dedicados, quer através de aplicações de telemóvel concebidas para o efeito, como forma de quebrar as cadeias de transmissão.

Todas as pessoas apontadas nestes rastreamentos devem ser testadas de imediato e com resultados rápidos – aconselha o relatório - que deixa também um aviso relativamente à imunidade, recordando que a deteção de anticorpos não indica diretamente a existência de imunidade protetora.

Um levantamento demasiado rápido das medidas de confinamento – concluiu o ECDC – pode causar um rápido ressurgimento das cadeias de transmissão, agravando as já enormes perturbações económicas e sociais.

A questão passa, então, por conseguir retomar as atividades económicas e sociais com um impacto mínimo na saúde das populações. Um equilíbrio que implica – afirma-se no relatório – a coordenação não só entre os países da União Europeia, mas também com os que integram o Espaço Económico Europeu.

Harvard defende milhões de testes por dia

No mesmo sentido, um estudo elaborado por investigadores da Universidade norte-americana de Harvard recomenda que o regresso à atividade económica seja feito, progressivamente, em quatro fases e não reabrir todos os negócios e estabelecimentos em simultâneo após o período de restrições.

Em sintonia com o aumento da capacidade de testes de resultados rápidos, deve ser garantido o rastreamento dos contactos das pessoas infetadas e proporcionar apoio sanitário e social a quem tenha que ficar em isolamento profilático ou em quarentena.

Este estudo, adaptado à realidade dos Estados Unidos, calcula que, para que seja possível fazer um regresso em segurança, será necessário ter disponíveis, no início de junho, cinco milhões de testes por dia. Um número que deverá ir aumentando até ao final de julho, atingindo os 20 milhões de testes diários.

“A capacidade de atingir este número de testes depende da nossa capacidade de inovação”, afirma o documento intitulado “Roteiro para a resiliência pandémica”.

Se 20 milhões por dia não forem suficientes, os investigadores acreditam que já terão conseguido, entretanto, adquirir conhecimentos para produzir mais e de forma mais rápida.

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