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​Ensino à distância. “O power são os professores, o point a tecnologia”

22 abr, 2020 - 17:50 • Manuela Pires

Há mais de uma semana que cerca de 2.500 professores estão a fazer um curso de Formação para a Docência Digital em Rede. A iniciativa é da Direção Geral da Educação em parceria com a Universidade Aberta. A Renascença assistiu a uma das sessões do curso.

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Às seis em ponto, no canal da Universidade Aberta no YouTube, começam a chegar os alunos. São professores, na maioria diretores dos agrupamentos de escolas de todo o país, de Mogadouro a Lagos, de Viana do Castelo a Queluz.

Há uma semana iniciaram o curso de Formação para a Docência Digital em Rede, uma parceria entre a Universidade Aberta e a Direção Geral da Educação.

Esta é a primeira sessão síncrona e a oportunidade para os professores colocarem as dúvidas aos coordenadores do curso. Mais de mil pessoas acompanharam a sessão, que contou ainda com o vice-reitor da Universidade Aberta e o secretário de Estado Adjunto e da Educação, João Costa.

Maria João Horta, subdiretora-geral da Educação, e António Moreira, professor do departamento de educação e ensino à distância da Universidade Aberta, são os dois coordenadores deste curso que tem como objetivo responder às necessidades reais de cada comunidade escolar.

Este primeiro curso tem 2.500 participantes, foram criadas seis turmas com 400 professores cada. Há muitas dúvidas e inquietações, mas o professor António Moreira deixa desde logo muito claro que, apesar da distância, das tecnologias, da plataforma digital escolhida os professores continuam a fazer a diferença, “por exemplo quando falamos em PowerPoint, esta ideia é muito interessante, porque o ‘power’ são os professores e o ‘point’ é a tecnologia”.

António Moreira acrescenta que não é a tecnologia que vai permitir dizer se uma aula está a ser bem dada ou não, mas sim a presença do professor e o contacto que estabelece com os alunos.

Uma das questões mais levantadas pelos professores é saber qual o número de videoconferências que se devem fazer com os alunos. Maria João Horta diz que “não há receitas, desde o início que a Direção Geral de Educação apelou às escolas para manterem rotinas com os alunos, para estabilizarem um horário e que os momentos síncronos são especiais para gerarem interação”.

Aliás, com este novo modelo de ensino à distância os professores podem até trabalhar outras competências com os alunos, como a autonomia e os trabalhos em grupo.

António Moreira avisa que esta é uma oportunidade para alterar a forma como os professores dão as aulas. “Se continuamos a fazer o mesmo que fazemos na sala de aula, só estamos a usar a tecnologia, mas podemos pensar em ir mais além”, aconselha o professor da Universidade Aberta.

Defende ainda que este conhecimento que os professores estão a adquirir nesta altura e de uma forma muito rápida, deve ser aproveitado para, no futuro, quando todos regressarem à sala de aula, ser um complemento às aulas presenciais.

O primeiro curso termina a 5 de maio, mas a Direção Geral da Educação e a Universidade aberta estão já a preparar um segundo curso de formação porque há muitos professores que manifestaram vontade em participar.

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