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Turismo pós-coronavírus

Alentejo tem tudo o que é preciso para atrair os turistas após a pandemia de Covid-19

22 abr, 2020 - 22:39 • Ana Carrilho

A opinião foi manifestada por vários especialistas da área do turismo. Segundo estes, a segurança sanitária ou os hotéis mais pequenos serão as prioridades dos turistas no futuro.

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Segurança sanitária, zonas não massificadas, natureza, hotéis mais pequenos, boa gastronomia, tradições e lugares onde se possam ter experiências únicas a preços justos, em que a qualidade predomina sobre a quantidade. Serão estas as prioridades dos turistas no período pós-pandemia e a que o Alentejo tem condições para responder.

É a opinião manifestada esta quarta-feira por vários especialistas da área do turismo nos Estados Unidos, Brasil, Alemanha, Reino Unido e Espanha, que participaram numa videoconferência organizada pela Associação de Promoção Turística do Alentejo.

É mais seguro ir ao Alentejo do que ao supermercado em Madrid

Espanha é o mercado mais próximo de Portugal e o Alentejo está logo ali ao lado. Os espanhóis estão fartos do confinamento por causa da Covid -19, que já matou cerca de vinte e duas mil pessoas e assim que puderem, vão viajar. “Em junho, julho, no Verão, seguramente”, diz Maria Pereda, da agência de comunicação New-link, para quem os madrilenos, por exemplo, não veem qualquer problema em ir a Portugal.

“É mais seguro ir ao Alentejo do que ir, aqui, ao supermercado”. E frisa que a região portuguesa tem muito do que “nuestros hermanos” procuram: segurança, também sanitária (relacionada com a Covid-19), proximidade, uma boa excelente relação qualidade/preço, boa gastronomia, contacto com a natureza, tradições e simpatia.

Para a especialista espanhola em comunicação na área do turismo, é hora de escutar o consumidor, transmitir segurança, apostar na digitalização, capitalizar os valores da marca “Alentejo”, criar uma campanha criativa e difundi-la.

Alentejo tem cada vez mais valor para o mercado alemão

A presença da região nas feiras de turismo de Estugarda e Munique, realizadas antes das restrições impostas pela Covid-19 mostraram o crescente interesse dos alemães em fazer férias em Portugal e em particular pelo Alentejo, revelou João Sampaio e Castro, consultor de turismo na Alemanha, na videoconferência sobre “Turismo Externo no Alentejo: situação presente e expetativas dos principais mercados emissores”.

No entanto, este ano as férias de Verão dificilmente serão passadas no exterior. Ainda ontem o Governo alemão o desaconselhou, gerando protestos imediatos da associação nacional de agências de viagens.

“Mas outubro, altura das férias escolares na Alemanha, seria uma excelente oportunidade para o Alentejo”, diz João Castro, lembrando que este é um dos meses mais fortes para o destino Portugal.

O Alentejo transmite uma sensação de segurança, contacto com a ruralidade, calma. Prioridades que os alemães valorizam. “Mas para já, estão mais preocupados com a evolução da pandemia no país”, frisa João Castro.

É importante mostrar o Alentejo como ele é

A curto prazo, no pós-pandemia, os brasileiros deverão apostar no turismo interno e a seguir na América do Sul. A longo prazo, vão recomeçar a viajar para a Europa, embora não tanto como antes. E Portugal é um destino muito forte, vaticina Fábio Torres, da AFT Comunicação, no Brasil.

“É muito provável que o turista queira revisitar os lugares em que já viveu grandes momentos, antes de viajar para novos destinos”, pelo que Fábio Torres aconselha os responsáveis da Agência de Promoção Turística do Alentejo a “resgatar e a comunicar com os muitos brasileiros que já passaram pela região”.

Lugares com consciência social e ambiental, abertos, com mais natureza e menos multidões, com hotéis pequenos e quase familiares vão ser, na opinião do especialista, os escolhidos pelos turistas. O Alentejo preenche os critérios.

As pesquisas pelo destino vão aumentar e “é importante mostrar o Alentejo como ele é, mas humanizar mais essa comunicação”. Para Fábio Torres, é preciso redesenhar serviços, a rede de apoios e contatos e pensar como inovar neste período de crise. “É hora de arriscar!”

Entre Lisboa e o Algarve há algo sensacional que é o Alentejo

O ano passado, 1,2 milhões de americanos fizeram turismo em Portugal e este é o 4.º maior mercado emissor para o Alentejo. Em 2019 cresceu 26%.

Apesar dos mais de 22 milhões de desempregados nos EUA e da grave crise económica, quem viaja não tem problemas de dinheiro.

A curto prazo, as viagens serão curtas, até dentro do país, mas a longo prazo, “os americanos vão procurar destinos mais calmos, lugares sem multidões e fazer voos mais pequenos”, diz Jayme Simões, vice-presidente da Louis Karno&Communications, nos Estados Unidos. Ora, “Portugal é o país da Europa mais próximo da América, Nova Iorque está a 6-7h de Lisboa e Boston, a 4h de Ponta Delgada”.

Os primeiros a querer viajar deverão ser os mais novos. Além disso, há muita gente a querer mudar-se para Portugal, revela Jayme Simões. Pessoas de 40-50 anos, fartos da política americana, da instabilidade, da insegurança, que procuram uma vida mais calma e com condições, nomeadamente, ao nível da saúde. “Portugal está no topo e também vão olhar para o Alentejo”.

No entanto, considera que é preciso encontrar novas formas de comunicar a marca porque muitos americanos conhecem Lisboa, Porto e o Algarve , mas é preciso que saibam que “entre Lisboa e o Porto há algo sensacional, que é o Alentejo”.

Jayme Simões alerta também para a prática de preços justos, “não fazer saldos mas sim, dar mais valor à experiência. Apostar na qualidade e não tanto na quantidade porque “quem vive da quantidade não vai sobreviver no setor do turismo pós-pandemia. Pensar no mercado americano é um bom investimento”.

Viajar vai custar mais dinheiro

“Estamos a entrar numa recessão económica a nível mundial que não tem qualquer comparação com o passado recente e teremos que olhar para o futuro como um novo recomeço”, considera Ricardo Dinis, diretor regional da TAP para o Reino Unido e Irlanda.

A segurança vai estar no topo das prioridades dos turistas pós Covid-19. Continuará a haver procura, mas será diferente e as empresas e organismos têm que se adaptar. “Tão depressa não voltaremos a ver praias apinhadas, resorts cheios, filas intermináveis para ver um museu, festivais ou eventos desportivos com grandes ajuntamentos”.

Para o representante da companhia aérea nacional no Reino Unido, a expetativa é que, primeiro, se assista a um crescimento do turismo interno, em detrimento do externo. E que depois, seja intra-europeu, pelas melhores condições que os países podem oferecer, nomeadamente, a nível de saúde. E lembra que, com a pandemia, houve pessoas que ficaram “fechadas” em países fora da Europa, gerando o pânico.

A curto prazo, já em maio, poderão ser retomadas as ligações aéreas entre o Reino Unido e Portugal. British Airways, Easyjet, Ryanair e TAP já têm planos. A companhia portuguesa deverá reiniciar os voos duas vezes por semana, a 7 de maio e a partir de 17, efetuar uma ligação por dia.

Quanto à abertura de rotas, Ricardo Dinis, frisa que vai ser um processo lento, conforme a procura e “algumas não serão retomadas porque não eram rentáveis”.

Ainda à espera da definição a nível internacional, o representante da TAP, não tem dúvidas que a necessidade de cumprir distanciamento e limitação de lugares ocupados nos aparelhos, vai implicar o aumento das tarifas de avião. “O que tem sido falado entre as companhias aéreas é que, por exemplo, o lugar do meio pode ficar vazio para garantir o distanciamento entre passageiros. Mas, para manter a rentabilidade, os bilhetes têm que ser mais caros”.

Um enorme desafio

“Temos que nos reinventar na maneira como nos vamos apresentar ao mundo sem deixarmos de ser o que é o Alentejo”, conclui Vitor Silva, presidente da Associação de Promoção Turística do Alentejo, depois de ouvir os participantes na videoconferência sobre o Turismo Externo na região.

O Alentejo já é considerado o destino mais seguro de Portugal e o país, assume o 3º lugar, a nível mundial. “Agora também temos que nos apresentar seguros a nível sanitário”, diz Vitor Silva, manifestando preocupação com a forma como se irá gerir as limitações de ocupação em restaurantes, hotéis e espaços lúdicos. “Temos que ser inteligentes a compatibilizar a segurança com o desfrute. É um enorme desafio”.

O presidente da associação responsável pela promoção da região frisa que há muito tempo que o Alentejo apostou na qualidade e garante que os preços praticados não vão baixar, “não nos podemos vender a preço de saldo, teremos que praticar um preço justo”.

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