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Pandemia de Covid-19

​Depois do Plano Marshall no pós-guerra, UE precisa do "Plano Centeno" no pós-Covid

22 abr, 2020 - 23:18 • Vítor Mesquita , Cristina Nascimento

Confederação Empresarial de Portugal queixa-se de uma resposta tardia da União Europeia e de demasiada burocracia para as empresas chegarem aos apoios concedidos pelo Estado.

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Os empresários portugueses depositam poucas expectativas no Conselho Europeu, desta quinta-feira.

O presidente da Confederação Empresaria de Portugal (CIP), António Saraiva, considera que os 27 têm revelado pouco consistência, na resposta à pandemia do coronavírus.

Saraiva considera que o “processo decisório da União Europeia que se tem revelado inoperante” e os montantes “são insuficientes”.

“Daqueles 240 mil milhões anunciados, a Portugal caberão 2%, ou seja, estamos a falar de quatro mil milhões. É uma ajuda, mas os montantes são insuficientes e as respostas são tardias”, diz Saraiva à Renascença.

O presidente da CIP defende, assim, um novo plano de recuperação da Europa, semelhante ao que surgiu depois da II Guerra Mundial.

“Não por guerra, mas por esta pandemia global em que nos encontramos, para evitarmos a crise social, para garantirmos postos de trabalho, sim é necessário um plano… Se não for Marshall, que seja um Plano Centeno”, sugere.

Ajuda à empresas “pouco mudou”

Nestas declarações à Renascença, António Saraiva diz que, apesar das sobre atrasos nos anunciados apoios do Governo às empresas, pouco mudou e as empresas continuam a enfrentar graves problemas de liquidez.

“Pouco mudou. Claro que mudou alguma coisa, porque alguma coisa vai chegando, mas mantenho a minha expressão. A burocracia toda esta tramitação processual está a fazer com que as linhas anunciadas não chegam com a rapidez e os montantes necessários às empresas que neste momento estão aflitas para conseguir honrar os seus compromissos”, diz.

Saraiva garante que a situação das empresas é semelhante à de uma pessoa que está a “afogar-se e dizem-lhe para preencher três formulários para lhe atirarem a boia”.

Saraiva diz que o “veículo que leva o dinheiro que possa chegar às empresas é um veículo que está a bater constantemente em pedras burocráticas”. Assim, defende um “super simplex”.

“Neste momento, era preciso um super simplex, porque o simplex era para uma situação de normalidade e situações excecionais exigem medidas excecionais. É a excecionalidade que não se está a saber encontrar”, remata.

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