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Como encontrar ajuda psiquiátrica online em tempo de pandemia

19 abr, 2020 - 13:11 • Inês Braga Sampaio

Ministério da Saúde lançou um site com "informação sucinta". O diretor do Programa Nacional de Saúde Mental, Miguel Xavier, compara o novo sistema a uma pirâmide de quatro andares.

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O Ministério da Saúde lançou um site em que as mensagens sobre o novo coronavírus e sobre os assuntos da saúde mental relacionados com este assunto estão reunidas “de forma sucinta”. “As pessoas encontrarão respostas para dúvidas sobre a Covid-19 e respostas quando as suas angústias são moderadas a intensas”, descreveu, este domingo, o diretor do Programa Nacional de Saúde Mental, Miguel Xavier.

Neste modelo, os cuidados primários têm núcleos de resposta que estão disponíveis para pessoas que têm sintomas “incomodativos, moderados e intensos e precisam de ajuda”, conforme relatou o psiquiatra, em conferência de imprensa. Ou seja, “não pensem que a saúde mental assenta em serviços altamente diferenciados”.

Ação sobre a saúde mental é como uma pirâmide


Como funciona o apoio à saúde mental durante a pandemia da Covid-19? Miguel Xavier empilhou-o numa "pirâmide de quatro andares".

No primeiro andar, estão os autocuidados, a que "todos temos de estar atentos e que são obrigatórios para todos", e passam pela "forma como nos alimentamos, criamos e mantemos rotinas, e fazemos exercício".

A seguir, vem o "nível comunitário e familiar", elencou o psiquiatra: "Temos de ver as pessoas que nos são queridas. A comunicação com os nossos amigos e famílias pode ser mantida por meios digitais."

Miguel Xavier alertou que "ter acesso a informação clara com alguma regularidade é importante", contudo, "estar sete ou oito horas mergulhado em taxas de mortalidade não vai ajudar à saúde mental".

No terceiro andar, surgem os cuidados primários de saúde. "É nos centros de saúde que se encontrará o primeiro grande nível de resposta para quem os dois primeiros níveis não foram suficientes", referiu.

O quarto andar, o vértice da pirâmide, "muito pequeno e muito bicudo", segundo Miguel Xavier, refere-se aos serviços de psiquiatria e saúde mental e chegará a "uma pequiníssima parte da população":

"Estão reservados a quem tinha doença prévia e aos que vão ter doença no decurso do que está a acontecer. As outras pessoas passarão apenas por alguma ansiedade e depressividade. O número de doenças mentais que surgem na sequência de catástrofes é 1,5% a 2%, que é muito baixo."

Desenvolver problemas de saúde mental "é normal"

O diretor do Programa Nacional de Saúde Mental assumiu que a circunstância "inesperada" do isolamento social é propícia ao surgimento de problemas de saúde mental e normalizou a situação.

"Há nesta pandemia vários fatores que nos podem fazer sofrer", explicou Miguel Xavier, antes de colocar, em primeiro lugar, "o medo".

Depois, a disrupção da vida social. "Estamos numa situação em que tudo isso está interrompido. Não vemos os nossos colegas, a nossa família, estamos a viver de forma completamente diferente, tivemos de nos converter ao teletrabalho", frisou. O terceiro fator é "o confinamento".

Miguel Xavier reconheceu que atual conjuntura "faz com que a saúde mental dos portugueses possa sofrer", mas isso "não quer dizer que as pessoas, por terem estes problemas, venham a ter doenças mentais".

"Podem é ter alguns problemas de natureza psicológica, que se podem traduzir em insónias, perda de apetite e maior ansiedade, e é muito normal que sintam isto. São sentimentos muito comuns que atravessam a sociedade", esclareceu o psiquiatra, que também fez questão de vincar que "saúde mental não é ausência de doença mental".

Em Portugal, há 20.206 casos confirmados do novo coronavírus e 714 óbitos, segundo a atualização da DGS deste domingo.

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