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Quarentena devido à Covid-19 transformada em treino para missão a Marte

14 abr, 2020 - 21:49 • Dina Soares

Uma investigadora espacial francesa transformou o confinamento obrigatório imposto pelo novo coronavírus numa longa missão a Marte. Quer saber como reagem as pessoas a vários meses de clausura numa nave espacial.

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Cientistas espaciais franceses estão a aproveitar o confinamento imposto por causa da covid-19 para simularem uma situação de isolamento dentro de uma nave espacial em missão a Marte.

As “cobaias” são 60 estudantes fechados nos seus dormitórios na cidade de Toulouse, e que, no entender dos cientistas, experimentam neste momento condições de vida não muito diferentes daquelas que eles poderão enfrentar numa longa missão espacial.

A ideia foi lançada pela investigadora espacial Stephanie Lizy-Destrez quando o governo francês impôs restrições de movimento para conter a propagação do coronavírus.

Não será exatamente uma simulação do voo espacial. Não há amostras para recolher da superfície do novo planeta nem passeios num veículo lunar e os alunos podem interromper a sua jornada virtual no espaço para uma viagem diária ao exterior.

As semelhanças, além do confinamento imposto, passam também por terem que partilhar as salas de estar apertadas – com cerca de 12 metros quadrados – e uma limitação de movimentos e de atividades comparável à que se vive no espaço.

O tempo é ocupado com tarefas desenvolvidas no computador como testes de memória e testes de agilidade mental. Têm também que manter um diário e preencher um questionário a cada cinco dias.

Conhecer os efeitos psicológicos de um longo confinamento

Existe ainda a questão dos efeitos psicológicos adversos que um confinamento tão longo pode ter sobre as pessoas e que os cientistas desejam querem conhecer melhor, antes de enviarem astronautas numa missão a Marte que pode durar vários meses.

Tom Lawson, um estudante de mestrado em engenharia aeroespacial que está a participar na experiência, descreveu os efeitos. "Muitos estudantes estão a achar extremamente difícil cumprir as tarefas que já tinham e ainda as atividades que constam da experiência.”

Em 2017, seis voluntários passaram duas semanas na Polónia, numa simulação de uma base em Marte. A Estação de Pesquisa do Deserto de Marte, em Utah, nos Estados Unidos, também realiza missões simuladas. A vantagem desta experiência prende-se com o facto de a amostra ser muito maior do que o habitual. A maioria das missões simuladas envolveu entre quatro e seis pessoas, enquanto esta conta com 60.

A experiência deverá prolongar-se até 11 dia maio, data apontada pelo presidente francês para iniciar o levantamento das restrições à circulação. “Tal como as pessoas que voltam para casa após uma longa missão espacial, os estudantes vão precisar de se reajustarem gradualmente”, avisou já a investigadora especial Stephanie Lizy-Destrez.

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  • Joaquim Santos
    14 abr, 2020 Tojal 23:36
    Não resolvem o problema do vírus, tão minúsculo, e querem ir a Marte. Ó vãs cobiças!