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Notícia Renascença

“Ninguém sabe se o material está a ser distribuído onde é mais urgente”, critica bastonário dos Médicos

08 abr, 2020 - 20:04 • Sérgio Costa

Miguel Guimarães vai enviar uma carta ao Ministério de Marta Temido a pedir mais transparência e explicações sobre o material médico que está a ser importado. Ordem dos Médicos pede plataforma pública que agregue esses dados.

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Quantos ventiladores e outros equipamentos estão disponíveis em cada unidade de saúde e como estão a ser distribuídos? De que forma está a ser repartido o material de proteção que está a chegar a Portugal? Qual é o perfil dos doentes infetados com Covid-19?

As questões são colocadas de forma insistente pela Ordem dos Médicos num ofício, mais um, que chegará às mãos da ministra da Saúde amanhã, quinta-feira. A carta, diz o bastonário Miguel Guimarães, é mais uma tentativa de “termos aquilo que é essencial”, a transparência dos dados, mais de um mês após o registo do primeiro caso de infeção pelo novo coronavírus em Portugal.

Com esta iniciativa, os clínicos manifestam algum desagrado com o facto de não haver informações disponíveis.

É necessário, diz Miguel Guimarães à Renascença, agregar esses dados “num site, numa plataforma pública”, questionando com insistência as razões da não-publicação. São, de acordo com o bastonário, informações necessárias não só para a população, mas também para “uma fotografia que permita fazer uma melhor análise da situação”, reclamando essa tarefa para a Ordem e escolas médicas por terem “mais massa crítica”.

Questionado sobre as doações de equipamentos, sobretudo de ventiladores, Miguel Guimarães defende que o Estado não pode demitir-se de chamar a si a gestão de todo o material que chega ao país. Cabe ao Estado, acrescenta, apurar onde os equipamentos são mais necessários, alertando que “o Governo pode alocar esse material onde ele é mais necessário”, mesmo não sendo uma compra estatal.

É justamente neste ponto que o bastonário apela a uma gestão centralizada dos equipamentos, uma vez que “ninguém sabe se o material está a ser distribuído por onde é mais urgente”.

Miguel Guimarães responde assim às informações avançadas no mais recente briefing da Direcção-Geral da Saúde (DGS), onde o secretário de Estado, António Sales, assegurava que o ritmo de distribuição de equipamentos é feito consoante “a chegada e a necessidade do mesmo”.

Na mesma conferência, o presidente da Comissão de Acompanhamento de Medicina Intensiva para a Covid-19, João Gouveia, garantiu esta manhã que mais de metade dos ventiladores adquiridos pelo Estado português foram distribuídos pelos hospitais da ARS Norte (região com maior número de infetados), deixando entender, no entanto, que nada poderia ser feito quanto ao equipamento doado às instituições. Esse não é, contudo, o entendimento da Ordem dos Médicos.

Num outro plano, Miguel Guimarães diz não ser possível responder ao alerta de João Gouveia sobre a reduzida oferta de profissionais para operar os novos equipamentos, uma vez que não dispõe de dados sobre a localização desse novo material.

Apesar de considerar haver falta de transparência de dados sobre a Covid-19 em Portugal, o bastonário da Ordem dos Médicos considera que o cenário está aparentemente controlado, mas insiste que quanto mais informação for libertada, mais fácil será analisar a situação no país.

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