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Pandemia

Projeção diz que Portugal já terá passado pico da Covid-19, mas “é preciso prudência”

07 abr, 2020 - 16:31 • João Cunha

Carlos Antunes aplicou à epidemiologia os modelos matemáticos que utiliza nas projeções relativas a alterações climáticas. Têm surgido vários modelos feitos por matemáticos, economistas, epidemiologistas e virologistas que estimam o impacto provável da epidemia em Portugal, bem como a velocidade da sua propagação. Os modelos são muito úteis, mas qualquer previsão tem sempre um grau de incerteza.

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Os modelos matemáticos servem para fazer previsões. De uma forma simplificada (nem sempre, convenhamos), representam a realidade de forma matemática. E no caso de uma epidemia ou pandemia, recorre-se a esses modelos para estimar o número de infetados que poderão vir a existir. Para tal, conjugam-se variáveis como, por exemplo, a velocidade de contágio, avaliada pelo número de pessoas que alguém infetado poderá contaminar, o número de novos casos diários e/ou a divisão etária da população.

Mas os epidemiologistas têm modelos em que entram outras variáveis. Carlos Antunes é engenheiro geógrafo. Aplicou à epidemiologia os modelos matemáticos que utiliza nas projeções relativas a alterações climáticas. E a eficácia das suas projeções têm surpreendido, por ficarem muito próximas da realidade.

No caso da evolução da Covid-19 em Portugal, indica que “estamos a sair do pico”. O mesmo é dizer que, provavelmente, já passámos por ele. Tendo em conta os números divulgados na segunda-feira pela Direção-Geral de Saúde (DGS), Carlos Antunes assegura que estamos agora numa fase em que veremos os casos a diminuir.

“Já teremos passado o pico. Ao contrário do que estávamos a calcular com algumas metodologias, o pico terá ocorrido entre 31 de março/4 de abril. Porque a tendência do número de novos casos está efetivamente a diminuir”, afirma à Renascença.

O modelo matemático que Carlos Antunes utiliza – e que chamou a atenção dos matemáticos que fazem, também eles, projeções para a pandemia de Covid-19 em Portugal – permite a introdução de vários critérios, que determinam com rigor os números dele resultantes.

Os cenários são feitos com algum grau de certeza para os próximos cinco ou dez dias. Um período de tempo essencial para o planeamento feito pelas autoridades de saúde, que assim sabem antecipadamente quantos mais casos terão de gerir.

“Consegui arranjar um conjunto de critérios que me determinaram esse pico, com algum rigor. Eu preciso de, inicialmente, definir a aceleração do número de casos diários e o período do pico. Ao definir isso, eu tenho a curva mais ou menos ajustada. E depois é ir reajustando aos novos dados que vão surgindo”, explica Carlos Antunes, com os dados diários que vão sendo divulgados.

E nesta projeção, o pico da curva de novos casos corresponde ao ponto de inflexão da curva de casos acumulados. A partir deste ponto, “o crescimento deixa de ser exponencial”. Uma característica inicial das epidemias e pandemias.

“É necessário ter alguma prudência”

Mas atenção: os modelos matemáticos são sensíveis a vários valores. Um deles é o número básico diário de reprodução da infeção. Uma pequena oscilação nesse e em outros valores faz com que os modelos respondam de forma diferente.

“Dos cerca de 87 mil casos já testados, só cerca de 13,4% foram confirmados. Setenta e tal mil não foram confirmados, mas podem existir muitos desses não confirmados em que a carga viral é tão baixa que o teste não conseguiu identificar”, esclarece Carlos Antunes.

Por isso, a cautela continua a fazer parte da modelização matemática. “É necessário ter alguma prudência sobre estes casos. Os números indicam que já há uma passagem pelo pico e que estamos em fase de decréscimo dos novos casos. Se isso traduz a realidade, não sabemos ainda”, remata, porque são necessárias uma a duas semanas para aferir a realidade.

As projeções do momento do pico do surto do novo coronavírus têm deslizado ao longo do tempo.

Apesar de a ministra da Saúde, na conferência de imprensa de 21 de março, ter afirmado que o maior número de casos num dia seria a meio de abril, a mesma Marta Temido e a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, lançaram essa data bem mais para a frente, em meados de maio.

Nessa altura, a diretora-geral da Saúde acrescentou ainda que o pico de Covid-19 não deverá resumir-se a apenas um dia, mas que deverá ser, sim, "um planalto de casos mais ou menos semelhantes durante vários dias".

[notícia corrigida às 16h31, com explicações mais detalhadas sobre o ponto de inflexão e o modelo utilizado. Carlos Antunes é engenheiro geógrafo e não matemático, como inicialmente referimos]

Comentários
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  • Idalina Jorge
    07 abr, 2020 Oeiras 23:15
    Péssimo jornalismo.
  • André Mendonça
    07 abr, 2020 22:09
    Boa tarde, venho por este meio pedir a retirada desta peça jornalistica sem qualquer ou algum fundamento cientificio. É aliás um perigo de saúde pública a maneira como está escrito e explicitado. Aconselho que da próxima vez falem com um epidemiologista e não um Engenheiro Geográfico. Obrigado.
  • Cristina moura
    07 abr, 2020 Lisboa 20:01
    Tem de haver maior responsabilidade e honestidade por parte dos jornalistas que escrevem estas notícias, cujo titulo é obviamente enganador! Maior brio e profissionalismo, falamos de um assunto demasiado sério. Quanto às razões do meu comentário estão ja bem explicitas nos cometários de Vitor Mateus
  • Tiago Andre Marques
    07 abr, 2020 Lisboa 16:59
    O título diz "Portugal já terá passado o pico da pandemia, diz projeção de um matemático". O texto diz "É o que indicam os modelos matemáticos de Carlos Antunes, um engenheiro geográfico que aplicou à epidemiologia os modelos matemáticos que utiliza nas projeções relativas a alterações climáticas" - afinal... onde está o matemático? E como podem referir-se a um modelo sobre o qual não são dados quaisquer detalhes, ou uma fonte original? A frase "Consegui arranjar um conjunto de critérios que me determinaram com algum rigor esse pico. Eu preciso de, inicialmente, definir a aceleração do número de casos diários e o período do pico. Ao definir isso, eu tenho a curva mais ou menos ajustada. E depois é ir ajustando" é no mínimo assustadora para alguém que esteja habituado a verdadeiramente ajustar modelos a dados. Devo confessar que me parece uma peça muito mal trabalhada.
  • Vitor Mateus
    07 abr, 2020 Lisboa 12:04
    Não passámos ‘pico’ nenhum. O que já deveremos ter passado foi o ‘ponto de inflexão’ o que é muito diferente!