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​Entrevista

​Luís Campos e Cunha não quer o seu dinheiro em bancos sem lucros

06 abr, 2020 - 14:29 • Sandra Afonso

O antigo ministro das Finanças diz ainda que o pior que pode acontecer à economia, neste momento, é uma crise bancária em cima da actual crise económica, porque as previsões vão ser muito piores do que as avançadas pelo banco central, que aponta para uma recessão até 5,7% este ano.

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A crise “será muito pior do que o Banco de Portugal previa” e não podemos ter uma crise bancária em cima duma crise económica. O alerta é o economista e antigo ministro das Finanças Luís Campos e Cunha, em entrevista à Renascença.

No dia em que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, se reúne com o setor da banca, Luís Campos e Cunha defende que, como cliente, não quer ter o dinheiro em bancos que não têm lucros.

Diz ainda que o pior que pode acontecer à economia, neste momento, é uma crise bancária em cima da actual crise económica, porque as previsões vão ser muito piores do que as avançadas pelo banco central, que aponta para uma recessão até 5,7% este ano.

Qual vai ser o impacto da pandemia na nossa economia?

Certamente será muito pior do que aquilo que o Banco de Portugal previa e, portanto, é relevante que não se some à crise económica da pandemia uma crise bancária, já tivemos disso e isso é muito grave para o país.

É relevante que os bancos continuem a manter uma posição de crédito um pouco mais facilitada, como já foi anunciado, mas também mantenham uma avaliação de risco consciente e responsável porque nós não temos margem de manobra para ter uma crise bancária como a que tivemos há 10 anos.

Acha que, neste momento, os bancos estão melhor preparados para esta crise do que estavam para a anterior?

Certamente que estão melhor preparados agora do que estavam há cinco ou seis anos, mas, de qualquer modo, os bancos têm lá o nosso dinheiro, portanto é importante que esse dinheiro esteja em plena segurança. Para isso, nós temos de ter bancos sólidos, rentáveis, e que tenham uma boa avaliação de risco de crédito, sob pena de os nossos depósitos estarem em risco e isso não pode acontecer.

Tem havido algumas críticas sobre a questão de quererem ou poderem lucrar com esta crise. Como é que vê esta questão?

Eu uma vez disse que não me preocupava muito com bancos que davam lucros, preocupava-me era com bancos que não davam lucro. Julgo que as medidas anunciadas e apoiadas pelo Banco Central Europeu - que anunciou medidas extremamente generosas para a banca - e espero que a banca nacional aproveite essas facilidades que o BCE está a implementar e que são extremamente generosas para a banca da zona euro e para os bancos portugueses também.

Este encontro promovido pelo Presidente da República, acha que pode fazer alguma diferença?

Isso não faço ideia, não conheço o que vai ser lá falado nem dito, por isso não posso comentar.

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