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Morte no aeroporto. Mais inspetores do SEF, enfermeiros, médicos e seguranças sob investigação

04 abr, 2020 - 08:50 • Redação

Durante as dez horas entre as agressões e o óbito, o ucraniano esteve em contacto com diversas pessoas que não reportaram o caso e não o salvaram.

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A Polícia Judiciária está a investigar mais inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), médicos, seguranças e enfermeiros no âmbito do caso do ucraniano que foi morto no aeroporto de Lisboa, no dia 12 de março, depois de ter sido espancado, segundo avança o "Diário de Notícias".

De acordo com a publicação, o ucraniano terá sido agredido entre as 8h15 e as 8h35, o que lhe terá provocado diversas costelas partidas, que dificultaram a respiração. A morte foi declarada às 18h40.

Durante as dez horas entre as agressões dos três inspetores, que se encontram a ser investigados e em prisão domiciliária, o ucraniano esteve em contacto com diversas pessoas, que não reportaram o caso e não tiveram qualquer iniciativa para o socorrer.

Entre as pessoas que estarão a ser agora investigadas pela PJ estão os seguranças do Centro de Instalação Temporária do SEF, onde o ucraniano foi agredido, mais dois inspetores do SEF, que se aperceberam que o ucraniano não estava bem quando o tentaram reencaminhar para o voo de regresso à Turquia, uma enfermeira e dois socorristas da Cruz Vermelha, o médico do INEM que declarou o óbito e ainda dois agentes da PSP, que escoltaram a ambulância.

Para além disso, está ainda a ser investigada a demora do SEF a informar as autoridades competentes da morte do ucraniano. De acordo com o DN, o SEF informou o Ministério Público apenas três horas depois de ter sito declarado o óbito e apenas seis dias depois comunicaram a Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI).

Na sexta-feira, em entrevista à Renascença, o primeiro-ministro, António Costa, mostrou-se "chocado com a essência da acusação" feita aos três inspetores do SEF.

"Esse caso está sob investigação criminal. Foi instaurado inquérito e aplicada a medida de detenção domiciliária a esses três funcionários do SEF. Fiquei chocado só com a essência da acusação, mas todos gozam de presunção de inocência. Devemos aguardar que as autoridades judiciárias desenvolvam a investigação e procedam ao julgamento para apuramento de responsabilidades. Se for verdade, é imperdoável e chocante para quem exerce poderes de autoridade", disse.

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  • mewtwoand
    04 abr, 2020 21:24
    Mais uma história mal contada.