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Remdesivir

Autorizados três pedidos para usar medicamento experimental em infetados com coronavírus

28 mar, 2020 - 17:21 • Hugo Monteiro , Joana Azevedo Viana

"De acordo com a OMS, o Remdesivir é uma molécula promissora no tratamento de Covid-19, tendo em conta o seu largo espectro antiviral e a informação in vitro e in vivo disponível para os coronavírus", indica o Infarmed à Renascença sobre medicamento ainda em fase de testes.

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A Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) já autorizou três pedidos de utilização de um medicamento antiviral de combate ao ébola, ainda em fase de testes, em casos confirmados de infeção pelo coronavírus.

A informação foi confirmada pelo Infarmed à Renascença este sábado, em resposta a questões sobre a autorização do uso de Remdesivir.

"Dados preliminares são favoráveis ao uso neste contexto"

"De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Remdesivir é uma molécula promissora no tratamento de Covid-19, tendo em conta o seu largo espectro antiviral e a informação in vitro e in vivo disponível para os coronavírus, assim como a extensiva base de dados de segurança clínica", indica a entidade.

"Considerando as sequências genéticas do vírus, é expectável que [o Remdesivir] mantenha atividade contra o SARS-CoV-2", responsável pela doença Covid-19 que até este sábado já tinha infetado mais de 600 mil pessoas em todo o mundo, incluindo 5.170 em Portugal.

O que se sabe sobre o Remdesivir?

A autoridade do medicamento cita estudos e "dados preliminares já publicados na Nature Communications que são favoráveis ao uso de Remdesivir neste contexto", a par dos ensaios clínicos em curso "na China, EUA e potencial alargamento a países na Europa".

O Infarmed esclarece que "a utilização de medicamentos é enquadrável no disposto na alínea a) do n.º 1 do artigo 92.º do Decreto-Lei n.º 176/2006, de 30 de agosto, na sua atual redação, correspondendo a uma Autorização de Utilização Excecional (AUE) individual requerida por uma instituição de saúde".

Até agora, refere, já foram autorizados "três pedidos de Autorização de Utilização" deste medicamento. "O pedido de utilização de um medicamento ainda não autorizado no Espaço Económico Europeu é submetido por entidade hospitalar que reconhece uma decisão clínica pelo médico assistente que entende não existir alternativa terapêutica ao caso concreto e específico e apresentando ao Infarmed fundamentação clínica que justifique a sua escolha."

Na sexta-feira, a Ordem dos Médicos já tinha avançado à Renascença que a Hidroxicloroquina pode evitar o recurso a ventilação assistida nos casos mais graves de Covid-19.

O Remdesivir é um antiviral intravenoso de largo espectro, ainda em fase de testes, criado pela farmacêutica norte-americana Gilead Sciences em 2014, como potencial tratamento para o ébola. Ainda não está aprovado em nenhum país do mundo para qualquer tipo de uso.

Sendo experimental, segundo a própria Gilead, o Remdesivir “não tem segurança ou eficácia confirmada para o tratamento de nenhuma doença”, mas os testes “in vitro” e “in vivo” em animais mostram bons resultados contra a MERS e SARS, ambas da família dos coronavírus e, por isso, acredita-se que poderá ter “potencial” contra a Covid-19.

A farmacêutica continua os testes clínicos e abriu “acesso de emergência” fora destes testes na sequência da pandemia. Mostra-se interessada em acelerar o acesso ao medicamento para pacientes gravemente doentes, em coordenação com as autoridades reguladoras de países de todo o mundo, para permitir também recolha de mais dados para o estudo clínico do fármaco.

Que medicamentos estão a ser usados para combater a Covid-19?

Para além do Remdesivir, a comunidade médica em vários países, incluindo em Portugal, está a recorrer à Hidroxicloroquina, um fármaco de prevenção e tratamento de malária sensível à cloroquina, e ao Lopinavir + Ritonavir para tentar travar casos mais graves de infeção pelo novo coronavírus.

Os dois medicamentos, aponta o Infarmed na nota enviada à Renascença, "têm Autorização de Introdução no Mercado (A.I.M) em Portugal e estão a ser abastecidos aos hospitais para as necessidades de tratamento dos seus doentes" -- sendo que a administração dos fármacos deve ser feita de acordo com uma série de critérios e sempre dependendo de avaliação clínica.

Neste momento, a Hidroxicloroquina "é utilizada habitualmente nas suas indicações terapêuticas pelas instituições de saúde, que dispõem de stock regular para esta utilização", indica a autoridade do medicamento. Ainda assim, e "no âmbito do tratamento da Covid-19, estão a ser adquiridas centralmente mais embalagens, sendo a distribuição assegurada pelo Laboratório Militar."

A Hidroxicloroquina e também o Lopinavir + Ritonavir, antirretroviral utilizado no tratamento de pessoas infectadas pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH), "estão a ser abastecidos aos hospitais para as necessidades de tratamento dos seus doentes". Adicionalmente, destaca o Infarmed destaca, "para além das aquisiçõe efetuadas, ao nível central temos assegurado quantidade suficiente destes medicamentos para as necessidades previstas em estreita articulação com as empresas farmacêuticas".

Nota: Não tome quaisquer medicamentos sem indicação expressa do seu médico e não procure obtê-los na farmácia porque pode comprometer a sua disponibilidade aos doentes hospitalizados.

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  • sonia
    28 mar, 2020 AFIFE 19:42
    obrigado pela informacao da renascesca muito profissionalismo