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Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​Contributos e limites da ciência

26 mar, 2020 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


A descrença religiosa tornou-se, no século XX, descrença em tudo, incluindo na ciência e na própria razão. Desvalorizou-se, assim, a procura da verdade. Cada um acredita no que bem lhe apetece - e não se rala muito com isso.

A ciência desafiou a religião no século XIX. Mas a descrença na religião estendeu-se no século XX à descrença em tudo, incluindo na ciência e na razão. Desvalorizou-se, assim, a procura da verdade. Cada um acredita no que bem lhe apetece - e não se rala muito com isso.

Os esforços que os cientistas fazem em todo o mundo para encontrarem uma vacina para o coronavírus é um dos temas que diariamente surge, e bem, nas notícias sobre o combate à pandemia. Sabe-se como muitas outras doenças foram erradicadas graças a vacinas. No entanto, o movimento anti-vacinas estava muito ativo antes desta pandemia. Como se explica essa atitude absurda?

Explica-se pelo relativismo que tomou conta da nossa cultura. No século XIX a ciência surgia como a fonte de toda a verdade. Por isso combatia a religião. O conflito entre o médico e o padre era, então, frequente. Depois, tornou-se claro que a ciência, que fez progressos extraordinários, apesar disso era incapaz de dar resposta a inquietações fundamentais dos homens, como revelar-nos o sentido da vida. Esses assuntos são para a filosofia e para a religião.

Só que a descrença religiosa tornou-se, no século XX, descrença em tudo, incluindo na ciência e na própria razão. Desvalorizou-se, assim, a procura da verdade. Cada um acredita no que bem lhe apetece - e não se rala muito com isso.

Claro que a ciência não nos oferece verdades definitivas; por isso ela progride e substitui teorias por outras melhores. Mas parece irracional não valorizar o que ela avançou e continua a avançar.

A terrível pandemia da chamada “gripe espanhola”, no fim da I guerra mundial, em 1918-19, terá morto entre cinquenta a cem milhões de pessoas. Os progressos científicos na medicina e na área farmacêutica limitariam, hoje, essas mortes de milhões para milhares, pelo menos.

Mas a irracionalidade não perturba os que gostam de cultivar a sua visão das coisas, apenas por ser sua.

Comentários
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  • António Silva
    26 mar, 2020 11:51
    Há muitas razões para que tal suceda. A perda de valores milenares, o tudo discutir por discutir como se razão fosse isso, disseminando uma rebeldia muitas vezes acéfala de que resulta frequentemente uma arrogância ignorante, a confusão entre o conhecimento e a sabedoria, a ideia de que "estudos" são por si só "cultura" ou "sapiência", a substituição da humildade pela jactância, ela mesmo sinónimo de estupidez, a ausência de uma formação de base sólida, o fomento do egoísmo a todo o transe, um falso conceito de liberdade, a promoção da "imagem" e do "visível" até à náusea, enfim, tanta coisa, certamente ajudam a explicar a irracionalidade e o relativismo generalizado. Que acabam por contaminar quase tudo e quase todos, corrompendo o espirito, as ideias, os sistemas...
  • Diogo Pinto
    26 mar, 2020 Friuldes 10:31
    Bom dia dr. . Já à algum tempo que venho apelando para mim , e também , entre poucos outros , para , tendo em conta á situação portuguesa , em concreto , motivos sociais e políticos , uma presença mais forte da Igreja , no que toca ao rumo á seguir no meio social . Repare que eu sou católico , mas não pratíco , e , até , vejo com algumas reservas este meu pensamento . Contudo , se analisarmos bem o contexto social português , é evidente , que , nas épocas festivas , quase todas relacionadas com motivos religiosos , á comunicação intra e extra familiar é mais produtiva e menos perigosa . Portanto , se desde 74 á 2020 são os sistemas partidários á gerir e á arruinar o pais português , pergunto-me ? Bom dia dr. , tenha um bom resto de semana .