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Segundo caso de Covid-19 na Cova da Beira veio da Suíça

25 mar, 2020 - 14:43 • Luís Aresta

Um habitante do Fundão, que regressou há poucos dias da Suíça, foi internado na terça-feira. A quarentena obrigatória entrou em vigor na região.

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O segundo caso de Covid-19, na região da Cova da Beira, no interior centro do país, é um homem de cerca de 40 anos, residente no Fundão, e que há cerca de duas semanas regressou da Suíça, onde esteve com a família.

"Ao décimo dia começou a acusar sintomas e veio a confirmar-se que estava infetado", diz à Renascença o presidente da Câmara do Fundão, Paulo Fernandes.

Segundo o autarca, "felizmente, a pessoa em causa estava em quarentena voluntária". "Tratando-se de alguém relativamente jovem leva a que estejamos otimistas no que respeita à evolução o seu estado de saúde, mas isto é revelado da importância de nos anteciparmos de forma a reduzir o risco", completa.

Este é o segundo caso de Covid-19 internado no hospital da Cova da Beira, depois de um motorista de transportes internacionais, de passagem pela região, se sentido mal e ter sido hospitalizado.

Emigrantes preocupam, mas não são os únicos

O episódio ocorrido com este cidadão que regressou da Suíça é um sério alerta, numa época em que alguns emigrantes parecem dispostos a desvalorizar a pandemia e vir para Portugal passar a Páscoa junto das famílias.

"A situação dos emigrantes preocupa-nos muitíssimo. Já na semana passada fizemos grandes alertas e desde terça-feira que, em toda a região, passou a ser obrigatória quarentena para todos os que regressam, não apenas os emigrantes, mas também os provenientes dos grandes centros urbanos.A grande Lisboa tem uma grande comunidade beirã que, tradicionalmente, pela Páscoa, vêm para a região. Estão a chegar e têm que ficar em quarentena; é obrigatório que o façam, sob o risco de sofrerem sanções se não o fizerem", assevera o presidente da câmara do Fundão.

Com uma área superior a 700Km2 e uma população pulverizada por cerca de 60 aldeias é na faixa etária mais avançada da poplulação que o autarca do Fundão centra boa parte das suas preocupações:

"Fomos dos primeiros a avançar com linhas de proximidade para apoio na entrega ao domicílio de medicamentos e bens alimentares. Com isto ajudámos a enquadrar o isolamento social, sem que ele significasse outros problemas. Em simultâneo também criamos uma linha de apoio psicológico, porque nem todas as pessoas têm a mesma base de informação e, como é óbvio, há gente com medo e muito receio".

Ao olhar para o resto do país e ao ver que os casos de Covid-19 se alastram aos lares de idosos, Paulo Fernandes espera que as medidas que tomou há cerca de dez dias evitem o pior.

"Há mais de semana e meia que sensibilizámos as IPSS, para que deixassem de ter qualquer valência de dia, passando os centros de dia para apoio domiciliário, de forma a que não tivessem os idosos dentro da instituição. Em muitas instituições os refeitórios cruzavam dois tipos de utentes - os permanentes e os que todos os dias entravam e saiam da instituição. Julgo que esta é uma medida muito importante e todas as instituições têm cumprido com enorme disciplina".

Economia rural acusa os efeitos da pandemia, com leite lançado nos esgotos para poupar os rebanhos

O presidente da câmara do Fundão revela grande preocupação com a crise que se instalou na produção e comercialização de queijo, mesmo não sendo este o único setor econóimico da região, afetado pela Covid-19.

"Tem sido muito duro para a fileira do queijo e faço um apelo às grandes superfícies para que não descontinuem as encomendas, que não passem o oitenta para o oito ou para o zero, porque é preciso proteger as cadeias de produção e continue a haver consumo.Isto está a criar um problema gravíssimo nas queijarias e sobretudo no elo mais fraco, que são os produtores de leite de ovelha e cabra. Esses produtores estão a deitar leite fora e têm mesmo que o fazer porque, se não procederem às ordenhas correm o risco de perderem os rebanhos devido a problemas sanitários".

Os produtores e comerciantes de queijo desperam por apoios do estado que os ajudem a enfrentar a crise de vendas. Paulo Fernandes também espera por respostas.

"Já falamos com o governo à procura de medidas para suavizar uma situação que pode destruir uma fileira importante, não apenas na Beira Baixa, mas também na Serra da Estrela e noutras regiões do país onde o queijo, como produto de origem, está seguramente a enfrentar sérios problemas".

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