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Coronavírus. Conselho da Europa pede medidas para apoiar idosos em isolamento

20 mar, 2020 - 13:43 • Lusa

Isolamento é "absolutamente" vital, mas pode agravar a situação dos mais velhos devido à distância social. "Muitos idosos enfrentam riscos de pobreza", refere a comissária Dunja Mijatovic.

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A Comissária para os Direitos Humanos do Conselho da Europa, Dunja Mijatovic, alertou nesta sexta-feira para o apoio social urgentes às populações mais idosas sujeitas a medidas de isolamento no contexto da luta contra a Covid-19.

Mijatovic, natural da Bósnia-Herzegovina, sublinha em comunicado que a pandemia do novo coronavírus é especialmente perigosa para as pessoas idosas sujeitas a impactos negativos e desproporcionados nos direitos à saúde e outros direitos fundamentais.

A comissária recorda que os países europeus impuseram medidas especiais de contenção dirigidas em especial aos idosos, aconselhando ao isolamento das populações mais envelhecidas no quadro das medidas contra a propagação da pandemia, sendo que se trata de uma circunstância "que se pode prolongar no tempo".

Para Dunja Mijatovic, as medidas de isolamento são "absolutamente" vitais e necessárias, mas podem agravar a situação dos mais velhos devido à distância social.

"Muitos idosos enfrentam riscos de pobreza e de exclusão social, assim como podem ocorrer problemas de saúde devido ao isolamento social, incluindo problemas mentais", refere.

"Por isso, os idosos precisam de mais apoio do que nunca e as medidas que estão a ser tomadas devem ter em conta as situações associadas. Fiquei especialmente agrada com a postura da França, por exemplo, que permite a circulação a todos aqueles que prestam ajuda aos idosos", diz no mesmo documento.

A responsável defende ainda que as sociedades devem alcançar níveis de "contactos solidários entre gerações", sem colocar em risco as pessoas, e destacou as iniciativas de organizações não-governamentais que encontraram recentemente "formas inovadoras" de contacto através de "encontros virtuais", com recurso a telemóveis e computadores, e chamadas telefónicas efetuadas com regularidade por voluntários.

"Ao mesmo tempo que a sociedade civil responde rapidamente e de forma generosa ao problema, os governos devem igualmente tomar iniciativas de contacto entre os mais novos e os mais velhos, no contexto da crise provocada pela pandemia", alerta.

O comunicado nota que a pandemia tem provocado a proliferação de um discurso de ódio contra as pessoas mais velhas e que é difundido através das redes sociais acrescentando que são "chocantes" as manifestações contra os mais velhos em muitas mensagens transmitidas pela internet.

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"Esta situação vai obrigar os Estados europeus a adotarem, depois da crise sanitária, novas reformas no sentido dos cuidados prestados aos mais velhos. No centro das reformas deve prevalecer a ideia de um sistema que venha a apoiar os idosos no sentido da inclusão social", conclui a Comissária para os Direitos Humanos do Conselho da Europa.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infetou mais de 250 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 10.400 morreram. Das pessoas infetadas, mais de 89.000 recuperaram da doença.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por 182 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.



O continente europeu é onde há hoje o maior número de casos, com Itália à cabeça (3.405 mortos em 41.035 casos). Espanha regista 1.002 mortes (19.980 casos) e França 264 mortes (9.134 casos).

Fora da Europa, destaque para o Irão, com 1.433 mortes em 19.644 casos.

Vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras. Portugal está em estado de emergência.

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