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Covid-19

Coronavírus. “Consulados e embaixadas não são agências de viagens”, lembra Santos Silva

19 mar, 2020 - 21:46 • Inês Rocha

Em entrevista à Renascença, o ministro dos Negócios Estrangeiros aconselha portugueses retidos no estrangeiro a acionarem, primeiro, seguros de viagem e a comunicarem com agências de viagens. As autoridades portuguesas “estão a garantir apoio consular” e a avaliar os casos individualmente, conforme as circunstâncias.

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O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, lembra que “os consulados e embaixadas não são agências de viagens” e que os diplomatas portugueses “não têm nenhuma qualificação para marcar voos para as pessoas”.

Questionado esta quinta-feira pela Renascença sobre os portugueses que estão retidos no estrangeiro, depois de terem sido suspensos os voos de fora da União Europeia para Portugal, como medida de contenção da pandemia de Covid-19, Augusto Santos Silva garante que as autoridades portuguesas “estão a garantir apoio consular às pessoas e a tentar acompanhá-las nesta situação, que gera sempre bastante ansiedade”.

Segundo o ministro, haverá “várias centenas de portugueses” nesta situação. Augusto Santos Silva aconselha quem está nestes casos a contactar, em primeiro lugar, com as agências de viagens ou companhias aéreas com quem celebraram contratos.

“A primeira coisa a fazer é ativar mecanismos como seguros de viagens e falar com estas empresas”, diz o ministro, lembrando que a linha telefónica de emergência aberta esta semana é apenas para situações de emergência.

“À data de ontem, ainda tinha pessoas a telefonar para a linha a perguntar se deviam manter as suas férias de Páscoa no estrangeiro”, critica o ministro.

“Claro que não podem, e não devem impedir outros de colocar outras questões mais graves na linha de emergência”, lembra.

Santos Silva lembra que as autoridades portuguesas têm três linhas de resposta para estes casos: em primeiro lugar, acompanhar os casos a nível do consulado e apoiá-las na reorganização “dos seus planos de regresso”.

Em segundo lugar, cooperar com outros países europeus, quando é possível - como no caso de um voo vindo da Polónia, que veio a Portugal buscar estudantes polacos e trouxe também portugueses que estavam na Polónia, por coordenação entre os dois países.

O Ministério procura apoiar também grupos de portugueses no seu regresso, quando a dimensão o justifica - como no caso de Marrocos, por exemplo, que fechou ligações aéreas com vários países europeus, incluindo Portugal. Neste caso, com a colaboração das autoridades portuguesas, foi possível transportar mais de três centenas de portugueses e outros cidadãos europeus.

Santos Silva avança ainda que, esta madrugada, deverá partir da Argélia um voo que irá repatriar mais de 100 portugueses, de regresso a Lisboa.

“Neste caso, o voo foi fretado pelos próprios interessados, que contrataram uma companhia aérea para o efeito. Onde está a atividade da embaixada? Em conseguir que as autoridades argelinas o autorizassem, mesmo tendo essas autoridades cancelado as ligações para a Europa”, explica o ministro.

Nove portugueses com coronavírus no estrangeiro

Augusto Santos Silva confirma que, neste momento, há nove portugueses infetados com coronavírus em países estrangeiros, que as autoridades estão a acompanhar.

No entanto, por respeito da privacidade das pessoas em questão, não avança mais detalhes, incluindo em que países se situam.

“Respeitamos esse direito constitucional básico de cada um. Há nove casos portugueses positivos. Felizmente não temos nenhuma vítima a lamentar”, afirma o ministro.

Comentários
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  • Rui Santos
    27 mar, 2020 O. de Azeméis 09:35
    Serviço consular: promover a repatriação para Portugal, em circunstâncias excepcionais e comprovada insuficiência económica, após esgotados outros meios, mediante a assinatura de um compromisso de reembolso ao Estado Português da quantia despendida. Os portugueses que estejam afectados com impossibilidade de repatriamento, que divulguem o conteúdo dos telefonemas / mails, trocados com as embaixadas e consulados, onde tenham sido informados, por ex. desta pérola (não somos uma agência de viagens) , para sermos informados do que realmente ocorreu, quando, onde e por quem. Para a esses (que serão uma minoria, respaldada pelo próprio ministro), lhes ser informado, que embora não sendo efectivamente uma ´´agência de viagens`` , são contudo uns incompetentes, que não deveriam estar em nenhum serviço consular e responder pelos seus actos, com as respectivas consequências.
  • Desabafo Assim
    23 mar, 2020 00:58
    Voltamos ao "malhar", fica bem numa conversa de café mas ai, nesse posto só lhe tira o mérito que tem ganho até aqui, saiu, acontece a todos só tem que evitar mais, estes comentários não tiram o mérito das obras que tem feito. É dos tais que diz logo não vou! mas que depois são os que vão.
  • Eduardo graca
    23 mar, 2020 Quinta conde 00:46
    Souberam ir de viagem para não perder o investimento feito, numa altura que já sabiam antemão os riscos iminente na sua ida , agora regressem pelos próprios meios!! Tenham vergonha e assumam por conta e risco o que não souberam fazer antes!! Era só o que faltava agora essa cambada de gente irresponsável exigir do governo o regresso! Gastar do erário público ! Souberam ir .. agora regressem como foram! Mais nada!!
  • José Silva
    22 mar, 2020 Lisboa 02:57
    E as centenas de portugueses ao serviço do estado português em Timor-Leste? Se a embaixada lava as mãos, a quem vão eles recorrer? Basta que morra um e o senhor ministro passará por assassino!
  • Marco Gonçalves
    21 mar, 2020 Loures 09:13
    Acho q deveriam ajudar todos aqueles que tiveram de se deslocar por motivos de força maior. Todos aqueles que, mesmo com esta pandemia à porta, optaram por ir passear e colocar a vida de outros em risco, devem estar por sua conta e risco. Irão deitar se na cama que fizeram!!!
  • Pedro Geraldes
    20 mar, 2020 Agualva Cacém 15:43
    Efectivamente não são. As agências têm ajudado e apoiado os Portugueses retidos fora. Quanto ao MNE, cria uma linha telefónica de apoio que não funciona, um e-mail a que não respondem e fecha os consulados. Acredito que estejam a trabalhar para resolver as situações, mas quem está retido fora do país não tem nenhuma informação do MNE, que parece surdo e mudo e só comunica com jornalistas e via Facebook. Sr. Ministro há quem esteja a trabalhar fora e acredite nas palavras do Sr. 1º Ministro - "Asseguraremos o regresso de Portuggueses e as ligações com Países com forte comunidade Portuguesa e CPLP!" - ....não se adivinhava é que essa palavra tivesse uma validade inferior a 12h, e assim centenas ficaram retidos nesses países de "ligações asseguradas". Comentários destes são extremamente úteis para apoiar quem ficou preso longe da família, seja em trabalho, seja de férias, mesmo por vezes tendo gasto centenas de Euros para alterar voos para regressar com urgência e mesmo assim não tendo conseguido.
  • José Alves
    20 mar, 2020 Lisboa 15:20
    Este ministro à semelhança aliás dos seus 70 colegas de governo são uma anedota. Se não sabe resolver ou não consegue, demita-se, não venha com desculpas. Se fossem os seus filhos até o Falcon da força aérea os ia buscar. Tenha vergonha.
  • Rogério Gonçalves
    20 mar, 2020 14:52
    A única vez que não disse ni é falou bem desmascarando o egoísmo saloio que não é extraído de alguns Portugueses(inhos)
  • antonio
    20 mar, 2020 alverca 11:59
    O sr ministro mostrando quem é....já demorava muito não ser curto e grosso! assim vemos quem merece o nosso respeito
  • Antonio Freitas
    20 mar, 2020 Porto 08:51
    Obrigado Sr Ministro!!!! se precisarem de ajuda na marcaçao de viagens podem sempre contactar-me a mim ou a qualquer agente de viagens, Estamos ca para ajudar mas nao e trabalho pro-bono, pois tambem temos familias para sustentar. Năo consulte a agencia, para sacar informação, e depois ir a net comprar para poupar uns tostões. Esses tostoes agora saem em milhões. Um bem haja a todos and respect Travel Agents please