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Equador. Autarca proíbe aterragem de aviões da Iberia e KLM por receio de contágio

19 mar, 2020 - 20:44 • José Bastos

Líder de Guayaquil mandou invadir pista com veículos do município.

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“Estou em estado de choque. Aconteceu algo incrível. Não sei quando regresso a Espanha”, a declaração à televisão espanhola é de uma galega retida na maior cidade do Equador. O seu voo de regresso a Madrid seria uma ligação organizada especialmente para repatriar europeus, mas esta madrugada, de surpresa, automóveis e vans do município de Guayaquil estacionaram na pista do terminal aéreo para impedir a aterragem do Airbus 340, obrigado a divergir para Quito.

As imagens do aeroporto de Quito são bizarras numa pista de aviação internacional com vários veículos a bloquear o espaço reservado à aterragem. No terminal de passageiros do aeroporto José Joaquín Olmedo estavam reunidos cerca de 300 passageiros estrangeiros que esperavam a chegada de um avião da KLM, em partilha de código de voo com a Iberia, para poderem regressar às suas cidades de origem na Europa, mas não o puderam fazer pelo “encerramento arbitrário da pista”.

Em Quito, o Ministério dos Transportes e Obras Públicas do governo do Equador em comunicado, responsabilizou o município de Guayaquil de ser o responsável “pela perturbação da atividade aérea no país”. “Responsabilizamos a autarquia pela falta de voos de emergência e dos voos autorizados para transportar passageiros estrangeiros aos seus destinos”, acusa o governo central. As autoridades repudiam também qualquer acto violento nas várias pistas aéreas internacionais do país.

Já a Procuradoria-Geral da República do Equador informou na sua conta do Twitter que vai ser iniciada uma investigação sobre “os acontecimentos no aeroporto José Joaquín de Olmedo na cidade de Guayaquil”.

Aterragem em Quito, capital do Equador

O voo da KLM impedido de aterrar na pista de Guayaquil, a segunda cidade do país, teve de divergir para o aeroporto Mariscal Sucre de Quito, a 300 quilómetros de distância, enquanto um outro voo da Iberia já não se dirigiu a Guayaquil e voou diretamente para a capital apenas com 11 tripulantes a bordo e sem passageiros.

Enquanto isso, o ministério dos transportes equatoriano determinou que se autorize, a título de exceção, os voos de aviões com passageiros e carga para os terminais aéreos da arquipélago das Galápagos, ilhas a mil quilómetros da costa continental equatoriana.

A decisão de bloquear com veículos a pista de Guayaquil foi assumida pela autarca, a conservadora Cynthia Viteri, assegurando que “o voltaria a fazer para proteger a cidade da chegada de pessoas potencialmente portadoras do risco de contágio pela Covid-19”.

Cynthia Viteri: “voltarei a fazer o mesmo mil vezes”

“Assumo a responsabilidade de ter mandado para a pista os veículos do município para impedir que um avião aterre aqui com onze passageiros (tripulantes) vindos de Madrid e que fiquem na cidade, foco de infecção e risco mais que outra cidade equatoriana”, assinalou no Twitter.

Cynthia Viteri justificou a sua decisão de impedir a aterragem de voos internacionais pelo facto de que a província de Guayas, cuja capital é Guayaquil, estava blindada com fortes restrições à mobilidade para impedir que entrem ou saiam pessoas por ser o principal foco ativo da Covid-19 no Equador.

“Assumo a responsabilidade de proteger a minha cidade” e “tomarei estas decisões uma e mil vezes, se necessário”, insistiu a líder da segunda autarquia mais importante do Equador que, há duas horas, anunciou na sua conta de Twitter estar, também ela, infetada pelo novo coronavírus.

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