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Coronavírus

Quantos ventiladores há em Portugal? Ainda ninguém sabe. Mas a OMS recomendou reforçar ‘stock’ há 12 dias

14 mar, 2020 - 18:22 • Inês Rocha , Maria João Cunha

DGS e Ministério da Saúde estão a “afinar” a capacidade do país em número de ventiladores e prometem números em breve. OMS recomendou a todos os países o reforço destes equipamentos no início do mês. Portugal está abaixo da média europeia em termos de camas hospitalares.

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“Estamos a afinar a capacidade em termos de ventiladores”, disse Marta Temido, em conferência de imprensa, este sábado.

Ao 12º dia de surto em Portugal, não há ainda uma contabilidade fechada para a capacidade de resposta do país para doentes infetados que necessitem de apoio respiratório.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 14% dos infetados com COVID-19 têm pneumonia e 5% ficam em estado crítico. Em alguns casos, o coronavírus provoca uma pneumonia intersticial bilateral, que ataca os dois pulmões. Ou seja, o doente necessita de ventilação externa para conseguir respirar.

Por isso, a 2 de março, dia em que Portugal registava os seus primeiros dois casos de coronavirus, a OMS apelava a que os países adquirissem mais ventiladores para responder à ameaça.

A agência de saúde da ONU enfatiza que "a oxigenoterapia é uma importante intervenção terapêutica para pacientes com Covid-19 grave".

"Todos os países devem trabalhar para otimizar a disponibilidade de oxímetros de pulso e sistemas médicos de oxigénio", afirmou o documento.

Entre 500 e 1.400 ventiladores mais “algumas centenas dos privados”. Suficiente para uma pandemia?

Estará o SNS preparado para fazer face a uma crise semelhante à italiana, em que o número de ventiladores disponíveis está muito abaixo das necessidades?

Segundo dados deste sábado, da Direção-geral de Saúde, Portugal tem, neste momento, 10 pacientes com Covid-19 nos cuidados intensivos. Desses, apenas um paciente está a utilizar ventilador. No entanto, o país começa a preparar-se para um avolumar de situações mais graves.

Na conferência de imprensa desta sexta-feira, a directora-geral da Saúde, Graça Freitas, admitiu que já foi feito “um apelo quer ao setor privado, quer ao social, quer ao militar para saber a quantidade de equipamentos que têm”.

Dados não são públicos e especialistas dividem-se

Os dados sobre o número de ventiladores disponíveis no SNS não estão disponíveis ao público. No portal da transparência do SNS, é possível saber a “lotação hospitalar para doentes agudos”, ou seja, o número de camas disponíveis para internamento. Os dados dividem-se entre “camas cirúrgicas”, usadas no internamento das especialidades cirúrgicas, “camas médicas”, para internamento das especialidades médicas, “camas neutras”, não atribuídas a uma especialidade concreta e “outras”, que se referem aos serviços de cuidados intensivos e intermédios.

No entanto, não é possível saber quantos ventiladores estarão associados a cada cama, já que estes são utilizados tanto em cuidados intensivos como em algumas especialidades cirúrgicas.

Segundo dados de janeiro de 2020 do portal de transparência do SNS, há ao todo 1.778 camas de cuidados intensivos e intermédios. Os dados estão agrupados e nem todas estas camas estarão equipadas com ventiladores.

Os dados sobre o número de ventiladores disponíveis no SNS não estão disponíveis ao público. No portal da transparência do SNS, é possível saber a “lotação hospitalar para doentes agudos”, ou seja, o número de camas disponíveis para internamento. Os dados dividem-se entre “camas cirúrgicas”, usadas no internamento das especialidades cirúrgicas, “camas médicas”, para internamento das especialidades médicas, “camas neutras”, não atribuídas a uma especialidade concreta, e “outras”, que se referem aos serviços de cuidados intensivos e intermédios.

No entanto, não é possível saber quantos ventiladores estarão associados a cada cama, já que estes são utilizados tanto em cuidados intensivos como em algumas especialidades cirúrgicas.

Segundo dados de janeiro de 2020 do portal de transparência do SNS, há ao todo 1.778 camas de cuidados intensivos e intermédios. Os dados estão agrupados e nem todas estas camas estarão equipadas com ventiladores.

Mesmo entre os especialistas, as opiniões divergem muito. Em entrevista à RTP, o pneumologista Filipe Froes falou em 500 a 600 ventiladores. Já o deputado do PSD e médico Ricardo Baptista Leite, ouvido pelo Público, aponta para 1.400, tendo em conta o número de camas de cuidados intensivos (que em teoria têm equipamento de ventilação).

O especialista João Carlos Winck, coordenador do grupo de ventilação não invasiva da Sociedade Europeia Respiratória, diz ao Público que as contas não são assim tão lineares e critica que não estejam disponíveis no plano de contingência já publicado.

Privados com “algumas centenas” de ventiladores disponíveis

Em declarações à Renascença, Óscar Gaspar, da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada, revelou que está a trabalhar com a DGS nesse levantamento.

“A DGS está a redefinir os hospitais referência para tratamento de pacientes com Covid-19, e qual tipo de apoio a ser prestado pelas outras unidades”, revela Óscar Gaspar. Sem avançar números concretos, aquele responsável diz que os privados têm “algumas centenas” de ventiladores disponíveis.

Lembra, no entanto, que os ventiladores existentes não são necessários apenas para tratar pacientes com Covid-19, e a sua utilização pelo Serviço Nacional de Saúde dependerá “do papel que a DGS reservar a cada entidade do sistema de saúde”.

Óscar Gaspar lembra ainda que, com a suspensão de grande parte das cirurgias pelos principais hospitais referenciados para o tratamento da Covid-19, haverá menos necessidade de ventiladores para outros fins.

Na conferência de imprensa deste sábado, a ministra da saúde garantia: “Não estamos a privilegiar doentes com Covid-19 em relação aos outros”

Veterinários disponibilizam ventiladores

A Ordem dos Veterinários está também a colaborar com a DGS no levantamento de materiais, incluindo ventiladores, para serem disponibilizados durante a pandemia do novo coronavírus.

Este sábado, Jorge Cid, bastonário dos veterinários, disse ao Observador que pediu às clínicas veterinárias de todo o país que listassem os ventiladores disponíveis neste momento.

Porto pede ventiladores à China e a Macau

O presidente da Câmara do Porto anunciou, esta sexta-feira, estar em contacto com as autoridades chinesas, através do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau para trazer para o Porto ventiladores novos, produzidos em Shenzhen.

“O Hospital de São João já está na posse de todos os dados e especificações e em contacto com a fábrica chinesa”, pode ler-se no portal de notícias da Câmara do Porto.

"Só graças à extraordinária relação que temos com o Governo de Macau, com o seu representante em Portugal, o Senhor Doutor Alexis Tam, e ao facto do Porto estar geminado quer com Macau quer com Shenzhen é possível esta diligência estar a ser feita”, afirmou o autarca portuense.

Portugal abaixo da média europeia a nível de camas hospitalares

Segundo dados da OCDE, referentes a 2017, o número de camas hospitalares por mil habitantes, em Portugal, é de 3.4, um número ligeiramente superior ao de Itália, que em 2017 tinha 3.2 camas por mil habitantes.

Ainda assim, os dois países estavam abaixo da média da UE (5.1 camas por mil) e muito longe do país com maior rácio de camas, o Japão (13.1 por mil habitantes)

Nestes números estão incluídos também dados de hospitais privados. No entanto, não é possível comparar, com estes dados, o número de camas em cuidados intensivos.

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