|

 Casos Ativos

 Suspeitos Atuais

 Recuperados

 Mortes

A+ / A-

​Morreu o antigo ministro Joaquim Pina Moura

20 fev, 2020 - 21:45 • Eunice Lourenço e Vítor Mesquita, com Lusa

Ex-ministro da Economia e das Finanças, passou pelo PCP e PS e foi administrador da Iberdrola. Pina Moura faleceu aos 67 anos.

A+ / A-

O ex-ministro da Economia e das Finanças Joaquim Pina Moura morreu esta quinta-feira, na sua casa em Lisboa, aos 67 anos, devido a doença neurodegenerativa, disse à agência Lusa o filho, o fotojornalista João Pina.

Pina Moura entrou na política pela mão do PCP, mais tarde deu o salto para o PS, chegou a ministro e nos últimos anos foi administrador da Galp e presidente da Iberdrola.

Enquanto esteve nos governos de António Guterres, o então ministro Pina Moura foi responsável pela liberalização do setor da energia.

Joaquim Pina Moura exerceu o cargo de secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro António Guterres até 1997, ano em foi nomeado ministro da Economia do XIII Governo Constitucional. Em 1999, foi nomeado ministro das Finanças e da Economia do XIV Governo Constitucional, também liderado por António Guterres.

Natural de Loriga, Seia (distrito da Guarda), Pina Moura frequentou o curso de Engenharia Mecânica na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e foi dirigente da Associação de Estudantes entre 1972 e 1974.

Licenciado em Economia, obteve uma pós-graduação em Economia Monetária e Financeira pelo Instituto Superior de Economia e Gestão, onde foi assistente.

"Cunhal dos pequeninos"


Joaquim Pina Moura foi dirigente do PCP. Entrou para o partido em 1972, onde se manteria até 1991.

Em 1979, na altura da fusão da União de Estudantes Comunistas (UEC) com a União de Jovens Comunistas (UJC) que deu origem à Juventude Comunista Portuguesa (JCP), Pina Moura estava à frente da organização dos estudantes.

A ideia da fusão cozinhada pela direção do partido terá nascido da necessidade de controlar os desvios dos jovens estudantes da UEC que eram mais dados a grandes reflexões e teorias.

A UJC aplaudiu a iniciativa. Da parte da UEC, os ecos de desconforto foram evidentes. Receavam que o "critério obreirista" do PCP, transposto para a juventude partidária, desvirtuasse a JCP. Zita Seabra, uma das principais dirigentes da UEC, opôs-se à ideia, sendo afastada de imediato.

Sucedeu-lhe Pina Moura, o "Cunhal dos pequeninos", que, ao lado de Horácio Rufino, da UJC, aproximou as duas estruturas.

Da JCP, Pina Moura transitou para o partido, em 1981. O afastamento do PCP deu-se depois de a Comissão Política ter apoiado o golpe de Estado contra Gorbatchov.

Fundou a Plataforma de Esquerda e começou a aproximação ao PS, que o levaria ao Governo. Foi Pina Moura quem arquitetou a famosa convenção dos Estados Gerais do PS.


"Enorme inteligência e capacidade de trabalho notável"

Em declarações à Renascença, o antigo ministro Jorge Coelho recorda Pina Moura como alguém com uma "enorme inteligência" e um "trabalhador incansável".

“Gostava de realçar a sua enorme inteligência, uma capacidade de trabalho notável. Tive esse privilégio de lidar com ele, de trabalhar e aprender com ele. Gostava de deixar uma palavra de amizade e solidariedade para a sua família”.

Jorge Coelho destaca o papel importante de Pina Moura na vida pública e política.

“É com muita tristeza que acabo de saber da notícia da morte de Joaquim Pina Moura, alguém a quem me ligaram laços profundos de amizade e a todos os níveis. Teve um papel muito importante na vida pública e política em Portugal, nos tempos em que o conheci melhor, em que trabalhou com o PS e com o Governo de António Guterres. Teve também uma vida ligada à vida empresarial e infelizmente, a seguir, teve problemas de saúde graves", sublinha.

Jorge Coelho recorda Pina Moura como uma pessoa com "um grande sentido de humor", com quem era "possível fazer entendimentos" ao nível político, profissional e pessoal.

O Ministério da Economia envia "sentidas condolências" à família de Joaquim Pina Moura. Em comunicado, recorda a "destacada militância política, antes e depois do 25 de abril, e entre outras funções públicas que exerceu, foi Ministro da Economia em dois governos constitucionais, quando era primeiro ministro António Guterres".

O ministro das Finanças, Mário Centeno, destaca o contributo de Pina Moura para a "construção da democracia e o desenvolvimento do país", assinalando que "o seu empenho ao serviço de Portugal será sempre recordado".

A Iberdrola, empresa de que foi dirigente, também reagiu à notícia da morte de Pina Moura.

Numa nota enviada à Renascença, a empresa descreve-o como "uma personalidade icónica".

“A Iberdrola vem por este meio prestar as suas condolências à família do Dr. Joaquim Pina Moura, neste momento de profunda tristeza. De recordar que o Dr. Joaquim Pina Moura foi uma personalidade icónica que desempenhou um papel preponderante enquanto presidente da Iberdrola em Portugal, assim como na política e na dinamização da economia portuguesa. Neste momento de luto, a Iberdrola gostaria de prestar uma sentida homenagem ao Dr. Joaquim Pina Moura pela sua dedicação, profissionalismo e postura exemplar, de partilha e conhecimento, caraterísticas que apoiaram a Iberdrola em todo o processo de afirmação e consolidação em Portugal."

"Sinto que perdi um grande amigo e um grande colaborador. Esta é uma grande perda para Portugal", lê-se, na nota assinada pelo presidente da Iberdrola, Ignacio Galán.

Também o Presidente da República assinalou a morte de Pina Moura, referindo-se ao antigo ministro como um "lutador pela liberdade e político relevante, que exerceu funções governativas determinantes nos governos do Primeiro-Ministro António Guterres".

[Notícia atualizada às 18h10 de 21.02.2020]

Tópicos
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.