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Abarth 124 Spider – Perfeito pelas suas imperfeições

09 mar, 2020 - 17:10 • José Carlos Silva

Com 170 cavalos e uma traseira que dança quando puxado para isso, o Abarth 124 Spider é um sonho automóvel tornado realidade.

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Um dia, os automóveis voltarão a ser assim. Sem assistentes para a faixa de rodagem, sem avisos sonoros a torto e a direito, sem travão eléctrico e de preferência de caixa manual. Num mundo em que a electrónica dita quase tudo, e muitas vezes restringe o prazer de conduzir, o Abarth 124 Spider faz-nos revisitar o passado. São estas “imperfeições” que o tornam perfeito.

Exterior

Transpira a carro de corridas. O capot e a tampa da bagageira em preto sobre uma carroçaria branca e retrovisores em vermelho. E quatro saídas de escape, que, mais do que sonoras, são tremendamente audíveis.

Pode ser o terror dos vizinhos que querem dormir antes do Abarth 124 chegar a casa. Mas isso não irá limitar em nada o prazer para quem o tem e o conduz. As palavras não chegam para descrever como se viaja junto ao alcatrão. Como se tem a sensação que a frente é avantajada quando se curva e que faz lembrar imagens captadas a bordo de automóveis em filmes antigos.

Por tudo isto, e por ser descapotável, é um carro muito interessante.

Interior

Simplicidade. Mas isto não significa desconforto, antes pelo contrário. O Abarth 124 Spider é, apesar da sua essência desportiva, um carro bastante confortável. Absorve bem as irregularidades do piso, mantendo uma suspensão firme. Diria que os engenheiros encontraram a fórmula adequada para a qual contribui também uns bancos confortáveis.

A capota é manual, mas de fácil manuseamento. O condutor não precisa fazer grande ginástica para tornar o carro descapotável, ou fazer a capota regressar ao seu devido lugar. E isto sem sequer ter de ser levantar.

Para dias mais frios, este modelo que testámos conta com bancos aquecidos.

O espaço é escasso, tal como o do irmão gémeo falso, o Mazda MX5 com quem partilha a plataforma.

O volante tem boa pega e é de formato tradicional. No quadrante, o conta rotações está ao centro, apostando na temática “racing”, e o velocímetro surge em ponto mais pequeno, afastado para a direita. Este exige uma leitura cuidada, sobretudo quando há radares por perto, uma vez que a escala é de 30 em 30 quilómetros em vez da habitual, de 20 em 20.

Este modelo, dispõe de um ecrã no centro do tablier de 7”.

Os materiais utilizados no interior do Abarth 124 Spider são honestos.

Motor

O Abarth 124 Spider está equipado com um bloco 1.4 turbo Multiair, capaz de debitar 170 cavalos às 5.500 rotações. Capaz de empurrar (a tracção é traseira) os 1080 quilos de chapa e motor até aos 232 quilómetros por hora. No arranque passa a barreira dos cem quilómetros por hora em 6,8 segundos.

A caixa manual é de seis velocidades, e é pena não ser tão suave como a do MX5. Ainda assim, é competente, tal como os travões Brembo que actuam em discos ventilados à frente de 280x22mm.

Dissecada a ficha técnica, vamos às impressões de condução: No lugar do condutor, impressiona o barulho de 4 cilindros, barulho que sai das saídas de escape Record Monza. A sonoridade é muito agradável, quer dentro quer fora do 124. E mais agradável até que a do irmão mais pequeno o Abarth 595.

As acelerações são emocionantes, e não é preciso andar para lá dos limites legais admissíveis para se extrair o prazer de condução. O carro ronca, e mesmo a 120 Km/h parece que vai muito mais depressa. Como os carros de outros tempos.

Curvar a acelerar, permite ganhar emoções extra, e se abusarmos um pouco, a traseira solta-se e exige que sejam feitas correcções no rumo a tomar. Nada que não se controle com facilidade, pelo menos no piso seco. Para os mais atrevidos, há sempre a opção Sport, que experimentámos muito ao de leve, refinando o comportamento do descapotável.

Se for necessário travar a sério, dá conta do recado a tempo e horas.

Em suma, um carro desportivo, com as imperfeições de um desportivo à moda antiga. Sem botões e avisadores em excesso, confortável, e muito entusiasmante.

O preço da versão ensaiada é de 49.071 Euros, com 4.900 euros em extras.

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